Me é possível determinar diferenças gritantes entre os próprios direitistas que, trazem em suas mãos, bandeiras inflamadas com clichês desgastados pelo mesmo objetivo que até então sua maior inimiga, a ala esquerdista, carregava em suas frontes. Mas quais seriam estes clichês? Por qual motivo usá-las? Serviriam? Ao leitor, espero sua avaliação final mediante respostas que evidencio para todas estas indagações.

Nunca, numa perspectiva brasileira, houve tantos adeptos do que chama-se como “posicionamento político de direita”, preparados para um grande embate com os ditos defensores da esquerda, defensores dos ideias marxistas e adeptos da cultura do mesmo pela opinião de Gramsci. Contudo, quem são estes joviais guerreiros que estampam em sua boca, o orgulho de morar num país tropical pela firmeza de proteção a este mesmo território? Tão frugal seria a resposta que, num primeiro instante, parece-me perigoso explicitar e por cá ficar. Necessito, para efeito de credibilidade, recolhimento sábio em grandes personalidades do mundo intelectual. Recorro de início, ao professor e historiador neerlandês, Johan Huizinga.

“O otimismo inabalável por enquanto é privilégio ou daqueles incapazes de enxergar o que há de errado como a cultura, tendo sido eles mesmos afetados pelo mal, ou daqueles que, com sua doutrina salvacionista, julgam possuir a receita da civilização futura, prontos para despejá-los sobre as cabeças da humanidade sofredora”, proclamou Huizinga. Não coloco tamanha frase com doses profundas de relevância, caso exista negação em uma ambição que, tão somente seria direcionar com mais afinco minha crítica. Qual crítica seria esta, deve perguntar o leitor. Expor falhas desta dita direita embrionária que se instalou nas mentes brasileiras até os confins de estados e municípios, afim de deturpar todo o critério crucial para entender esta mesma cartilha. Homens, mulheres, adolescentes no seu primeiro contato com o incrível mundo político necessitam de algo para apoiar, algo para demonstrar seu apreço numa esperança doentia de salvar o que por anos caía em desgraça. Ergue-se, com este intuito, um nome que tiraria seu povo da miséria do “politicamente correto”, da corrupção que devasta até mesmo seus praticantes. Qual nome seria o mais indicado? Jair Messias Bolsonaro, ou como gostam de bradar, “mito”, na linguagem bolsonariana. Estaria mesmo ele apto para tal função? Minha resposta ferve como o ardor do Sol, não !

Para tanto, neste terrível Armagedom, é necessário soldados convictos que suas ideias são fidelizadas e leais, precisam, assim, nomear seus interesses como defesas intrigantes, “família tradicional, cristão, ordem, patriotismo”, tudo em nome de uma nomenclatura final, conservadorismo. Entretanto, o que realmente seria conservadorismo?

Ao leitor – direitista embrionário – não se passa em sua cabeça nenhum entendimento do que escrevo, talvez por sua mente em total vazio ou misterioso como um buraco negro, mas cabe ao mesmo expandir ideias conservadoras pelos valores cristãos, esquecendo-se, por exemplo, que conservadores renomados como Antony Flew, Barry Goldwater, Henry Louis Mencken e Theodore Dalrymple não possuíam qualquer vínculo religioso. Parece-me que, estes ditos conservadores e, consequentemente, direitistas, não são adeptos de estudos agregadores de conhecimento como o Roger Scruton e até mesmo o Michael Oakeshott, onde este último, fala muito a respeito do que se coloca como “disposição conservadora”. O que seria isto?

Oakeshott deveria saber muito bem o que estava por vir, em suas análises de extrema significação, coloca uma definição curiosa que vai ao encontro do pensamento de Huizinga que coloquei acima. Acontece que, num país ocidental como o Brasil, com profundas raízes cristãs, os guerreiros “bolsonarianos” anunciam um modelo conservador de vivência, aquele que respeita princípios cristão, tradicionais, porém, como já falei, conservadores renomados não seguiram nenhuma filiação com qualquer credo. Ao que vejo, pelas premissas do Oakeshott, é a chamada “disposição conservadora” que nada mais é que um nascimento a partir de um attachment e de uma disposição para usufruir aquilo que nos é familiar. Ou seja, para o leitor que ainda ao longo desta leitura está ambicionando ligar os pontos, o que se vê no Brasil nada mais é que pessoas anônimas- em sua maioria – lutando por algo que considera como certo, mas que nada tem a ver com o real sentindo da palavra. Estes ditos direitistas, que me faz colocar em voga esta taxação por simplesmente se contraporem ao PT (Partido dos trabalhadores) e nunca por terem estudado Adam Smith ou membros da Escola Austríaca, pretendem por sua esperança salvacionista descrita por Huizinga, introduzir uma política de uniformização, que é a segurança de algo existente para uma e só uma solução racional. Por isso, é de se ter uma atitude de forte cunho intolerante para com todos os considerados desvios, ou resistências, à esta solução adotada como racional. Para demonstrar ainda mais esta certeza, faz-se explicitar o fato de que direitistas realmente preparados encontraram vergonha ao longo destes tempos, na consequência que estes direitistas embrionários praticam. É preferível, assim, nomeá-los carinhosamente de opressores que, estimular uma grande outra guerra que seria o marxismo cultural proposto por Gramsci, é de se aceitar a prática de no mais alto som escancarar suas vozes com “Minha bandeira jamais será vermelha” ou “Um, dois, três, quatro, cinco… mil, queremos Bolsonaro presidente do Brasil” que perder-se em favoráveis horas num estudo oportuno sobre Edmund Burke, pai do conservadorismo. Proponho até a suposição que Burke teria um irmão que, copiando erroneamente suas ideias, possui descendentes, mas os deixou órfãos e sem qualquer tipo de contato com o mesmo, transformando o real espírito conservador no mais paranoico abrigo de psicóticos. Pela ironia ou não, é fato declarado a certeza do que Voltaire falou, “Quando o fanatismo gangrena o cérebro, a doença já se tornou quase incurável”. Sim, o amor master por alguém como Bolsonaro que se utiliza da palavra “direita”, em tempos que o ódio dos homens ao PT é motivo suficiente para tornar-se um direitista sagaz contra movimentos de esquerda, sem nem ao menos saber se Marx escreveu primeiro “O capital” ou “Manifesto comunista”, mostra-se estarrecedor pelo simples fato de uma razão perder sua importância num amor cego entre seus simpatizantes, tal qual um casal de mocinhos protagonistas numa novela. Talvez não saibam, mas um conservador pode muito bem ser ateu, pode consumir drogas e lutar por sua liberação, isso é o que chamamos de “disposição conservadora”, mas ao contrário dos guerreiros bolsonarianos que têm como mestre alguém que nem mesmo assuntos de economia sabe, não é prática destes ateus conservadores e consumidores de droga qualquer ato que proponha “salvar” o mundo. Em suas mentes, sabem muito bem que não são direitistas, não conhecem uma linha, mas querem se apoiar em algum canto como mendigos sofredores na porta de uma igreja em época natalina. Sabem muito bem que, Bolsonaro ganhando ou perdendo, nunca terão a vontade plena de estudar sobre o que dizem estar defendendo, quando na verdade, nem fontes credenciais para seus atos possuem.

Este mesmo caos não só repete aqui em Picos- PI, pela manifestação escabrosa dos ditos “direitistas picoenses”, mas em todo o Brasil. Bolsonaro ganhando ou perdendo, nunca terão êxito em livrar este país do marxismo cultural, caso não comecem pelos espaços públicos, como Universidades, por exemplo. Ouso, até demais, em parecer-me com o filósofo alemão Schopenhauer numa categórica safra de pessimismo, mas nada mudará se o objetivo superficial for colocar alguém no poder com um sistema falido, imoral e sem esperanças como o presidencialismo. Apesar de terem coragem de colocar suas faces à tapa, falta-lhes uma maneira decente de revidar.

A verdadeira luta não está na direita e esquerda, no Brasil, está em direitistas reais, na utilização de uma boa palmatória, educarem seus irmãos mais novos e rebeldes. Por enquanto, só são embriões que nada importariam caso fossem abortados.

Por Lucas Nelson

 

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