Toda a natureza cósmica, os grãos do Zigurate de Ur aos microcosmos de “brutus”. Tudo flui, movimenta-se consciente ou inconscientemente, “progredindo” ou “retrógrado” malgrado, evolui. “Levam um pouco de nós, deixam um pouco de si”. Como estamos escrevendo a tábula rasa de nossa existência? Como Ürbermensch? Ou como Brutos? Gnothi Seauton?

Qual passo definidor será permitido para a proclamadora evolução de nossa própria existência, quando tudo é coerente ao nada? Ao acaso como caberá uma formulação de desejos quando, pela própria premissa do nada, nossa única certeza for o eterno embate entre a construção da tábula rasa com os rabiscos de suas outras peças?

Procrastinar o evidente fato acerca de nossa natureza é retomar ao selvagem espírito de inquietude do pleno irracional absurdo. Se do nada nascemos pelo jogo constante do não destino, sairemos do protagonismo em mesma medida de instantes que nossa mente, antes retomada de vivacidade, questiona seus passos autorais em dúvidas aparentes de progresso ou rancor ausente de mais coragem em simplesmente, pela própria má fé, utilizar-se da ideia do “retrógrado”.

As questionáveis premissas da evolução racional do homem permeiam o caótico embasamento de seu próximo passo, para tão ambicionado, construir o progresso. Como evoluir se, apesar de transparecer que tudo flui, nada poderá ser repetido na mesma intensidade que os desejos pela mesma movimentação? Como progredir a síntese racional de anônimos indivíduos se, raso não é a tábula em seu próprio contexto, mas a profundidade de todo o significado que ali será depositado. Toda a natureza cósmica, dos míseros grãos aos microcosmos de “brutus”. Tudo flui, ao incerto, movimenta-se em muitos fatos, ao nosso contra gosto, conscientes das consequências e cego para o fator ilusório do que acharemos e não se consumará. Toda evolução sempre se iniciará em, lançados pela justiça das não leis, temos a oportunidade, ainda que remota, de contrapor tudo o que, talvez pelo Destino – querendo existir- possa impor. Homens, lançados ao acaso de acasos, amando seus avanços pelo simples fato de sua ambição não permitir um suposto conformismo com o que lhe é atribuído.

A ideia de nossa natureza humana não se passar apenas de meros assassinos, cada vez mais me parece convincente. Somos assassinos do cosmo. Céu e inferno para a mitologia judaico- cristã é um lugar, para outros místicos, apenas estados de consciência. Nem a existência destes termos é genuína, ao estabelecer, principalmente, ligações metodológicas com a evolução racional. Para tanto, fora do padrão deveria ficar o pensamento manipulativo maniqueísta. “Tudo é uno” disse Parmênides. Necessita-se de sermões para o adestramento, é, assim, aconselhável a oportuna procura do cosmo em si. “Conhece-te a ti mesmo e conhecerá o universo dos deuses”, proclamou Sócrates. Com efeito, não passamos de pequenas engrenagens, movidas a instintos e acasos. Racionalmente inconsciente e bem mais, bem mais animal e selvagem do que pensamos. Tudo se repete, pela intensidade que ao si, diferem-se na constância dos fluxos, adequando-se apenas ao contexto histórico e as preferências individuais de cada existência pela ousadia da essência. Num comparativo que seria nomear como cadeia alimentar, nada produzimos, apenas consumimos. É dado o homem a superioridade proferida pela razão entre outros animais para o hemisfério norteador da evolução, contudo, necessitamos do cosmo, em sua pura abrangência, para a sobrevivência dos ocasos. Tudo o que está escrito na tábula de nossa existência foi escrita à sangue, a vida, a matéria composta que sugamos e exploramos no intuito de prolongar nossa fina e refinada camada de ar. Demônios, seríamos nós por nossa própria perdição do que a angústia de nossas escolhas seriam capazes de consumar. A transcendência, a evolução, é unicamente o reparo de nossas falhas para razões suficientes de nosso eterno embate aos conceitos já adquiridos de humildade e serenidade, porém, não praticados. Apenas mais uma minúscula fração num pequeno ponto e pálido azul de nossa consciência.

Assim sendo, parece sagaz a luta de certezas com aquisições de ousadia ao nosso existencial em eterna construção. Assassinos? Apenas sabemos que, entre todas as oportunidades, nada sabemos.

Por Lucas Nelson e Bianca Rodrigues

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