Todo homem é um porco engravatado. Explicarei pela essência de minhas palavras ao longo desta minha coluna.

Muitos são os debates sobre o real sentido e valor da liberdade. Contudo, cabe-me numa fórmula pessoal, demonstrar o que possivelmente seria a tão ambicionada liberdade.

Pelo efeito desta ambição, a liberdade são variadas vontades que o homem têm em iludir-se na sua própria prisão. Ao criar planos advindos de sua capacidade sonhadora e reflexiva, todo indivíduo por uma nova perspectiva do que ele ousou fazer, implicará nas diferentes formas que o homem tentará definir em suas inúmeras vontades. Ou seja, a liberdade é o estímulo que o homem desenvolve em sempre criar ambições a partir de um novo desejo sobre o ato prático que ele executou anteriormente. Todo este estímulo produzirá uma série de embates sobre o que o homem fez e gostou, e sobre o que ele gostou com base no que fez em sonho do que poderia ter feito melhor.

Porém, assim como os porcos que estão na lista dos animais que mais facilmente sobreviveriam em condições extremas, não só por causa de sua inteligência, mas por sua dieta (muito) variada. Os porcos podem comer praticamente qualquer coisa. Eles não hesitariam em canibalizar uns aos outros pelas tais condições extremas. Adequando, ou melhor, explicando o que quis dizer com “Todo homem é um porco engravatado”, busco num resumo definidor, concluir a infeliz verdade de que, por querermos sempre a busca melhorativa dos nossos atos, acabamos por extrapolar nossa definição de liberdade na invasão do modo de vivência do outro, no interesse sedento em concretizar o que tão doentiamente almejamos. Assim como os porcos, não hesitamos em exteriorizar nossa ganância pelo ato de “subir em cima dos outros”, exterminar os outros consumindo seus sonhos, seus projetos também. A liberdade dos porcos é tão somente um título que dei aos homens que, apesar de estarem bem vestidos, são capazes de criar condições “extremas” para tirar de campo, da pior forma, outro indivíduo do páreo. Quando, bastaria apenas, o aperfeiçoamento de suas qualidades para que seu espaço fosse conquistado.

Temos variadas vontades, que já mencionei, e sempre ao fazermos algo, temos o superficial e temeroso pensamento do “eu poderia ter feito melhor”. Pela sua sede em melhorar-se de forma equivocada, acaba-se, então querendo invadir o exterior dado ao outro com base em seus fundamentos. Aqui deixo um pequeno conto que resumo em tom existencial o que até então vinha explicando. Talvez seja a minha coluna de maior dificuldade em entender. Faço propositalmente na busca de um profundo estado de estudo sobre o que escrevo e, sobre o que, com base nisso, colocarão em prática. Degustem:

Lembro-me de acordar numa casa em total silêncio. Na verdade, apenas lembro que numa casa eu estava. Talvez surdo eu fosse já que por silêncio ou não, era impossível escutar algo e, apenas como num desfilar em ensaio, caminhei vagarosamente pelo corredor principal da dita casa.

Seus cômodos diversificavam entre a penumbra e um claro atraente, bem como suspeito. Algumas portas trancafiadas, porém, estava com meus olhos tão aguçados que, por um minuto até, pensei ser um gato que traduzia em tempo real o que estava em sua volta. Caminhei mais um pouco quando num instante de instantes, deparo-me com um espelho que, instalado estava no centro do que podemos nomear como a sala principal.

Não tão engraçado, mas curioso, eu me via em diferentes formatos e conseguia observar os movimentos mais que visíveis de meu coração. Como se o impossível agora fosse palavra distante do que estava acontecendo, me foi dada a capacidade de segurar meu próprio coração no passear que minha mão direita fazia por dentro de mim. Cada órgão, cada espaço. Eu estava tocando e percebendo que, repentinamente, olhos meus encontravam-se costurados ao mesmo tempo que minha audição estava altamente desenvolvida.

A casa acompanhava minhas emoções em pequenos tremores que sintetizavam minha essência que agora eu estava louco para quem sabe, vasculhar. O espaço, os aromas no equilíbrio de odores, vestígios e ruídos que minha mente fazia numa aflição que somente se igualava ao parto. “Penso”, retruquei com dificuldade para pronunciar tais palavras e, ao que parece, qualquer outra que eu poderia arriscar depois dela. Minhas pernas estavam rígidas para mãos tão amolengadas. Tudo agora estava escuro e estranhamente frio. Meu Deus. Não. Deus não estava ali, apesar de sentir forte poder naquele espelho.

Ouvia o barulho das rachaduras na parede e tentava tocar o espelho já personificado por uma força enigmática. Sempre recuava de acordo com minhas vãs tentativas de lhe tocar.

estava já adoecido pelo brusco movimento que eu estava fazendo na ousadia de segurar minha essência. Queria eu me embriagar de minha própria saliva, tragar meus ossos e vomitar o verbo preso em minha língua. Não estava conseguindo.

“Vamos lá”, ressaltei a importância do que estava acontecendo para mim mesmo. Num tempo inesperado de fatos já acontecidos, a casa estava se desmoronando na medida que eu já estava tocando em minha essência. Arranquei de minha alma e tudo veio ao chão que perfurava as entranhas do mundo.

Flutuei com meu pecado.

Até mais!

Lucas Nelson

 

 

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