O gosto pelo estudo é para poucos, ou por um acaso é preferível olhos vidrados num livro à camisa suada pela dança num show? Nunca entendi muito bem o sentido de horas e horas de concentração, num escritório e em silêncio, pela busca de focar na matéria dificultosa para uma prova no dia seguinte. Contudo, tranquilo eu estava com a caneta ao compasso perfeito de meu raciocínio. Colar uma prova seria envergonhar minha capacidade de aprendizagem. Asseguro, então, a veracidade de algo do senso comum: “A corrupção começa nas pequenas coisas.” Verdade ou não? Já cometeu algum ato corrupto que foi desde furar uma fila até comer goiabas do pé alheio?
Particularmente, é melhor concluir que conhecemos alguém que corrompeu que admitir nossas corrupções. Curiosa esta observação, não acha? Isso me faz colocar como exemplo a inveja; Nunca temos inveja de ninguém, mas todos têm inveja da gente. De todos os pecados, a inveja é o pecado envergonhado e a corrupção, só não é aceita quando não podemos praticar cotidianamente. Equivocado ou não posso estar, porém, se rouba de acordo com o momento e a oportunidade oferecida. Uma goiaba furtada agora, pois duas pela ocasião seria impossível. Fura a fila, hoje, pois o atraso no trabalho está conclamando, furar a fila amanhã significa pressa por algo abstrato, criado para justificar suas infrações.
É curioso, ainda mais, nos impressionar e assegurar em todo discurso: “Sou uma pessoa honesta”, como se isto fosse uma excepcionalidade dada por Deus aos seus escolhidos. Honestidade bem como qualquer outra virtude, deveria- se mostrar como algo comum tal qual o eterno ciclo natural de dia- noite, noite- dia. O filósofo Rousseau ao dizer “o homem nasce bom. A sociedade o corrompe”, me coloca em profunda reflexão aos dias de hoje, tanto pelo fato do homem nascer supostamente bom, como realmente interpretar o que ele quis dizer por “sociedade”. Até onde, portanto, irá nossa bondade? Bondade mesmo para quem ou para o quê? Se considerarmos nossa própria imagem, esperamos realmente que o homem seja bom, mas ele assim o só será quando for conveniente, já que o homem assim como mata um leão por dia, se reinventa em cada instante. Sociedade para Rousseau são leis abusivas, governos opressões e manipuladores. Assim, se nossa única diferença perante os animais for a capacidade de racionalização, saberemos muito bem que toda lei opressora ou todo governo manipulador advém de um homem que assim o quis fazer. Num sentido mais crítico, o homem não mais nascerá bom, nascerá fadado ao pleno envolvimento com o ilícito. O homem nasce preparado para agir conforme o complemento que falta para sociedade, eu diria.
Não estamos indignados com a corrupção do vizinho, estamos revoltados com o fato dele ter proeza em tal ato e nós, não. Não mais mostramos nosso RG quando necessário, apenas ousamos proclamar o tão dito “Sou honesto” para passar adiante na luta contra a indigência. Chegará um tempo que documentação nada mais valerá, e sim unicamente o teste de “verdade ou mentira” para certificar-se que você realmente está sendo honesto. Ganha bônus o indivíduo que melhor souber soletrar essa palavra sem mentalizar ela primeiro. Aos homens, não sobrará nem mesmo fidelidade ao próprio ato corrupto. Entrará em estado de dependência o dito cidadão que não conseguir roubar além do que o próprio além permite. Lamentável? Muito! Realidade? Fatalidade.
Outro grande filósofo, Arthur Schopenhauer, conhecido como o filósofo pessimista, com certeza passaria despercebido nos dias atuais em meio a tantos outros anônimos pessimistas com a política, com os eleitores. Contra tudo. Aliás, tratando-se de pessimismo, quem é mesmo Schopenhauer perto de meu humilde ser? Corromper ou não corromper… Eis a questão. Por onde começar…
Aguarde-me em mais outra análise.

Até mais!

Lucas Nelson

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