A lenda diz que o absinto foi criado por volta de 1792 pelo médico francês que morava na Suíça, Dr.Pierre Ordinaire, como um remédio milagroso que curava a epilepsia, a gota, os cálculos renais, as cólicas, a enxaqueca e os vermes. Um certo Major Dubied comprou a receita do doutor e começou a comercializar a bebida. O sucesso foi enorme e chegou até a Paris da Belle Epoque, do Moulin Rouge e dos cafés de Montmartre.

O que é certo, é que a cidade de Pontarlier na França, perto da fronteira com a Suiça, teve um desenvolvimento fenomenal desde 1805 quando Henri Louis Pernod, um suiço, implantou sua primeira destilaria.

Essa bebida destilada, feita com iosna, anis, funcho e outras ervas, conheceu um sucesso fenomenal no século XIX.

A crise da viticultura e a aparição das doenças no vinhedo, provocou o aumento do preço do vinho e o absinto tornou-se uma alternativa mais barata para quem desejava consumir bebidas alcoólicas naquela época. Neste período, toda a região de Pontarlier na França e do Val-de-Travers na Suíça, se desenvolveu muito com a produção do absinto e a exportação se estendia por todo o mundo. Porém, no começo do século XX, o consumo de álcool passou a ser um problema de saúde pública. O absinto foi acusado de todos os males da sociedade (Van Gogh cortou sua orelha sob o efeito do absinto) pois, além dos problemas de saúde que ele provocava, também era indicado como o culpado pelo aumento da criminalidade. Apoiados pelo lobby dos produtores de vinho, o absinto foi proibido na Suíça em 1910, nos EUA em 1913 e na França a partir de 1915. La Fée Verte (a fada verde) como é chamado o absinto, começa então o seu declínio e começa um período legendário de clandestinidade e resistência.

Com os experimentos e a evolução das leis nacionais e europeias, o absinto foi reabilitado na França em 2001 e na Suíça em 2005. Os efeitos alucinógenos da bebida nunca foram comprovados e o absinto é considerado atualmente como perfeitamente normal para o consumo.

Quem pretende conhecer mais sobre a história desta bebida, sua produção, proibição e volta a legalidade, deve fazer a ‘Rota do Absinto’ entre Pontarlier e o Val-de-Travers. Ao longo do passeio de quase 50 km, várias destilarias estão instaladas, e as trilhas pedestres e ciclovias levam os visitantes de aldeia em aldeia, contando a história desta bebida amaldiçoada e ao mesmo tempo fascinante. Não se deve perder a visita da Maison du Absinthe em Môtiers que propõe uma exposição permanente e ateliers culinários integrando o absinto. Os destiladores de absinto desta região estão sempre orgulhosos de apresentar suas produções. Várias possibilidades de restaurantes e de hospedagens são possíveis nesta rota. Que seja a pé, de bicicleta ou em transportes púbicos, o visitante tem diversas possibilidades que podem ser combinadas para dinamizar o seu passeio.

Por Jenna Colledan

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