E neste mundo contemporâneo, uma grande e peculiar pergunta nos impacta: O que é ou quem são as pessoas úteis no mundo? Ao responder tal questionamento, por obra do automático surge outra, quem são as pessoas inúteis ou será que sou inútil? Pois muito bem, vamos tratar da utilidade dos inúteis nestes tempos modernos. Muito paradoxal, não é mesmo?

Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, propôs um novo significado para o que rotineiramente criticamos como algo ou alguém inútil. Para o autor da obra “O mundo como vontade e representação”, útil é algo em que seu valor está inserido ao fator externo, por exemplo, a cama lhe é útil, pois lhe fornece um bom momento de descanso, o lápis é útil na tarefa de registrar palavras e desenhos que você quer projetar. Então, meus caros leitores, é perceptível que o valor de utilidade sempre estará ligado ao fator externo das coisas.

E o que seria algo inútil?

Na análise de Schopenhauer, a palavra inútil teria como definição o valor inserido internamente. Portanto, ao pensarmos muito sobre esta assertiva, veremos que a felicidade, como exemplo que estou lhe dando, é inútil. Pois não se vive a verdadeira felicidade para os outros, mas para você próprio. Schopenhauer quer lhe dizer, e eu estou lhe repassando, que o verdadeiro valor sempre estará em si mesmo. Com efeito, a partir de hoje, não queria ser somente útil ou não ache ruim quando alguém lhe chamar de inútil, já que neste conceito, você nada mais, nada menos está vivendo para si e evoluindo para si mesmo, e não para os outros. A vida que você deve viver, com efeito, deverá ser perfeitamente inútil, por que ela vale por ela mesma e você aproveita na sua individualidade como grande experiência e prazer.

Jean- Paul Sartre.

Pegando este gancho de “viver para si mesmo e aproveitar as experiências para si mesmo”, recorro para o pensamento de outro filósofo do século XX, o francês Jean- Paul Sartre. Para ele, em sua absoluta afirmação: “Nada é tão bem construído para si que não seja servido ao mundo.” Entre outras palavras, tudo o que, por vontade própria você vive e constrói num perfeito agrado, este modelo de vivência poderá servir de inspiração para outras pessoas. Veja bem, estou falando do ato de inspirar e não plagiar a vivência do outro.

Assim, quando você, na visão de Schopenhauer, torna-se um ser inútil que é vivendo para si mesmo, acabará por ser útil, depois, como forma de bom modelo de existência.  A corrente filosófica existencialista, na qual tenho profundo apreço e assumo como identidade, coloca nossa condição humana em total liberdade para construir nosso perfil e, em hipótese alguma, acreditar que os outros podem nos limitar ou nos taxar por algo. Como disse certa vez Sartre, “O inferno são os outros”, ou seja, não podemos colocar a culpa nos outros pelo que deixamos de ser ou fazer, não podemos deixar de ser inúteis para tentar procurar a utilidade nas pessoas pelo mundo. Somos os únicos responsáveis e executores de nossos planos.

Tão somente, espero que, a partir de hoje, possamos projetar nossos desejos para nós mesmos, vivendo numa perfeita inutilidade aos olhos dos comuns e que, seja tão compensativo ao ponto de sermos, consequentemente, úteis para quem quer que seja.

Até mais!

Por Lucas Nelson

 

 

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