O filósofo francês, Jean- Paul Sartre certa vez declarou: “O homem deve ser inventado a cada dia”, e ele tinha total razão. Esta coluna, muito bem escrita e preferida por mim, será a responsável por explicitar tudo o que fui, sou e serei. Um verdadeiro depoimento que muito me alegra em compartilhar aos que me leem ou que nas conversas do cotidiano sempre me procuram para perguntar de onde vem este amor que tenho pela filosofia, por livros e por conversas que agregam valores fundamentais em doses únicas de aprendizado e intelectualidade.

É com o maior orgulho que ouso dizer, sem receio de julgamento, que apenas tenho dezessete anos. Porém, fortemente firme em minhas convicções. Existiu um Lucas de até dezesseis anos atrás e um Lucas que neste ano, nesta data, mostrou para si o que realmente quer. Inventei-me num momento oportuno, quando, numa sala de aula, abri um livro de filosofia e descobri que respirava em ares de curiosidade. Aquele velho Lucas que até então mostrava-se satisfeito com aparentemente tudo, estava, agora, categoricamente influenciado pelo profundo, o complexo, o incompreendido e até descartado.

Como o filósofo Sêneca já tinha dito, “Omnia Mea Mecum Porto – Todos os bens carrego comigo”. Sim, carrego comigo o dia em que um grande professor de Filosofia, o nobre Victor Leal que muito me despertou nesta caminhada, acreditou em meu potencial e deu-me a chance de, numa sala para vinte e cinco alunos, expor o período helenístico, de onde tenho profunda simpatia pelo filósofo cínico “Diógenes de Sínope”. Depois deste momento, um dia de Terça, nunca mais fui o mesmo. Não mais queria sair de uma sala de aula, não queria mais parar de falar sobre Filosofia. Este professor que menciono seu nome com grande estima, foi o precursor de tudo o que estou fazendo até agora, do que em constância me construo. Victor Leal, meu mestre como gosto de lhe chamar, fez o além do impecável… Deu- me asas para voar sem medo de cair, pois agora eram os filósofos que estavam do meu lado.

Eu queria mais, eu quero mais. Certa vez, estudando por conta própria os filósofos e seus pensamentos, parei diante de uma série de filósofos que procuraram definir o que era a filosofia. Kant definia a filosofia, por exemplo, “como o conhecimento que a razão adquire de si mesma para saber o que pode conhecer e o que pode fazer, tendo como finalidade a felicidade humana”. Merleau- Ponty escreveu que a Filosofia é “um despertar para ver e mudar nosso mundo”. Platão, que não poderíamos deixar de fora, falava da Filosofia como “um saber verdadeiro que deve ser usado em benefício dos seres humanos”. Mas como faço questão de dar respaldo, quero ainda muito mais. Ambicionei construir uma definição para a Filosofia, algo que eu me identificasse por completo. Formulei, sentado e em pleno silêncio na biblioteca da escola, os seguintes dizeres: A Filosofia é a ilusão clara que nos remete ao melhor nada de nossa existência. Aos curiosos, esperem por minha próxima coluna e minha explicação sobre esta assertiva.

Arrisquei dar aulas, afinal, me foi confiado esta missão e eu sabia que os filósofos estavam do meu lado, auxiliando-me quantas vezes fosse necessário. Já era possuidor do apoio de familiares, amigos próximos e fui recebendo vários elogios de “alunos” quando, tentava transformar minhas aulas em verdadeiros espetáculos. Tudo o que fiz e continuo fazendo, faço com o maior amor, pois eu sou o meu trabalho vivo. Recomendo: Tudo o que fizerem, façam com amor, pois do ato se mostra sua essência. Desde já, é plena e sincera minha alegria em saber que estou transformando, até onde posso, o conceito de aula de Filosofia. Escutei de uma garota a seguinte recompensa por uma aula dada: “Lucas, pela primeira vez assisti uma aula de Filosofia”. Existe algo melhor que valorizar tal causa que você ama incondicionalmente? Se existir, desconheço!

Ao longo destes últimos tempos, fui conhecendo pessoas que me libertaram da ignorância. Não posso esquecer da grande e querida professora de Filosofia e Argumentação, Danny Barradas…

Um exemplo singelo de ser humano e que muito me ajudou com seu exemplo de vida, suas frases favoritas e sua admiração pelo nosso amigo Shakespeare. Quando ouvi de sua boca os dizeres do poeta Virgílio, no poema “Bucólicas”: “Cada um é atraído pelo que lhe agrada”, algo forte tocou-me. Não era mais minha pessoa que estava ali, reinventei-me numa escala de progresso nada visto por mim em exemplos de outras pessoas. Danny com certeza foi importante neste início de minha carreira, e será importante sempre ao lado de amantes da Filosofia. Jamais posso me esquecer do professor Ikaro, que lecionou uma aula perfeita de Filosofia, onde com os olhos vidrados e não contive meu apreço por sua metodologia… Precisava parabeniza-lo de todas as formas possíveis. Sua simpatia e eloquência foram e são fundamentais para fazer jus em qualquer dedicatória que ousar ter seu nome pelo meio. Estes professores Contribuíram para ainda mais ousar na sala de aula, dar o melhor de mim aos meus amigos/alunos, ter um espaço de liberdade e comunicação com eles.

Vivo o presente, espero pelo futuro sem grandes preocupações e anseios. Vivo a minha filosofia e procuro melhorar e modelar esta paixão ainda mais.

Valeu a pena?

Está valendo, e valerá enquanto eu estiver vivendo. Estou dando o melhor de mim, estou valorizando o nome e o conteúdo da Filosofia. Isso me basta! Por qual motivo? Pois eu sou a Filosofia agora.

E felizmente compartilho com muitos deste universo, desta busca, deste amor pela Filosofia…Confiram o depoimento do professor Ikaro.

Até mais!

Lucas Nelson

 

Responder