Fracassei, fracassei como nunca

Fracassei na coleção de mil fracassos

Jogado melado ao destino de minha infelicidade

Minhas ambições caíram sob a cólera de minha vingança

 

Fracassei fracassei

Não combati o bom combate (Merda)

Envergonhei os lúcidos

Torturei os poetas

Fracassei, minha morte temerá diante da morte

Fracassei por mil fracassos

 

Guerras declaradas em minhas reflexões

Tempestades violentas… Tempestades?

Psicologia de minhas confusões

Estou confuso

Estou louco

Eu estou confuso?

Estou feliz… Triste… Não estou confuso

Estou confuso?

 

Laços corrompidos

Dignidade ferida

Coração despedaçado

Lembranças esquartejadas

Sonhos desestruturados nos mal encarados

Coitados

Fracos

Eu sou fraco

Vocês mais fracos que eu… Eu sou fraco mais que vocês

Confuso de novo?

Confuso de velho?

Apenas confuso por meu fracasso

Calados…

 

Essência violada?

Verdade estuprada?

Ambiente esquecido como num tempo ruim de tua menstruação

Sujo… Imoral

Um ponto pelo vermelho

Um traço pelo azul

Preto, preto, preto

 

E agora… Recorrer a Deus?

Como pedir sem antes agradecer?

Deus existe?

Eu posso ser Deus

Mas não sou Deus… Quem sou?

 

Confuso pela terceira, quarta, quinta vez

E coleciono fracassos

Traços

Pontos

Retas

Semirretas

Círculos

Quadrados

Matemática, física, geografia

Literatura

Teu corpo minha escultura

 

Neste banquete de soberbas

Lhe penetro como um cacto amostrado

Neste lanche de vadios

Somos uma meretriz que fica sem sobremesa

Somos um cálice envenenado

Somos corpos amaldiçoados

Credo…

Ordinários…

Acaso julgam-me pelo que faço ou pelo que sou?

Patrão de mentiras

Empregado de tua falsa verdade

Fracassei

Simplesmente fracassei

Fracassei

Não me lembre (por favor)

– Você fracassou

Não, eu não fracassei

– Fracassou

Fracassei, fracassei como nunca

Por Lucas Nelson

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