Um militar do Corpo de Bombeiros do Estado do Piauí, que pediu para não ser identificado, denunciou as péssimas condições em que se encontra a corporação. Segundo a denúncia, o órgão é um dos três que mais arrecadam anualmente, contudo, os recursos não são utilizados para melhorar a estrutura física e de pessoal.

“Só existe duas equipes de combate à incêndio para toda Grande Teresina. E essas equipes só possuem três homens cada, quando tinham que ter cada uma delas, no mínimo seis”, lamentou. Ainda de acordo com ele, só existe uma equipe de salvamento, composta por apenas três homens, quando o ideal seria com seis.

“Temos apenas uma equipe de resgate especializado e  resgate terrestre para atender todo o Estado. A equipe é composta por apenas dois homens, quando no mínimo deveriam ser três”, completou.

A Organização das Nações Unidas (ONU), determina que é necessário, pelo menos um bombeiro para cada grupo de 1 mil habitantes. Com isso, em Teresina, por exemplo, seriam necessários pelo menos 5 mil homens. “Só temos hoje 300 bombeiros, sendo que metade deles irão para reforma daqui há 5 anos. Precisamos de no mínimo 10 vezes o número de cada equipe de socorro para atender a população”, afirmou.

O militar destacou também que a falta de equipamentos dificulta o acesso dos bombeiros aos locais onde se registram as ocorrências. Ele denunciou ainda que os recursos provenientes das vistorias realizadas entram direto na Conta única do Estado e para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA).

“Atendemos muitas ocorrências diariamente, muitos acidentes de trânsito. É um absurdo uma capital como Teresina ter apenas uma equipe de resgate, composta por apenas dois homens, o dia todo. Em São Luís temos pelo menos umas 20 unidades de resgate. Em Fortaleza, temos pelos menos umas 40, só de bombeiros, que é especializado em acidente de trânsito. Metade da equipe não tem equipamento de proteção individual”, denunciou.

O militar lembrou de um episódio triste que ainda abala parte da corporação. Segundo ele, um incêndio ocorrido na zona Sudeste de Teresina, acabou com a morte de duas crianças. Na oportunidade, os dois foram encontrados abraçados. Os militares, devido a distância da sede para o local, não conseguiram chegar em tempo hábil para realizar o salvamento das vítimas. A falta de equipamentos também foi essencial para o insucesso da operação.

“Acontece muito de chegar ao local e a pessoa já está morta porque não dar tempo. Tem uma equipe no Quartel que ainda hoje sofre com isso, pois chegaram em uma ocorrência e duas crianças estavam abraçadas e mortas. Para chegar do Centro ao Dirceu, por exemplo, é 30 minutos. A equipe ainda hoje sofre devido à falta de equipamentos, mas ninguém observa isso”, finalizou.

Por Manoel José

fonte;Parlamento Piauí

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