Na terceira noite de Salivag, a grande atração foi o Jornalista Francisco Roberto Cabrini, que comanda o Conexão Repórter no SBT . Roberto Cabrini que já ganhou os principais prêmios nacionais como repórter investigativo veio ministrar a palestra “Os caminhos do Jornalismo investigativo “.

Durante sua palestra Cabrini abordou vários pontos que abrangem e norteiam o Jornalismo. Chamou a atenção para posturas e condutas que devem ser adotadas ou evitadas pelo Jornalista que quer bem exercer sua função.

Falou sobre uma questão muito debatida que é a manipulação da imprensa .” O ato de manipular a imprensa politicamente por exemplo não pertence a este ou aquele partido, mas pertence a uma cultura de um povo , antes de nós falarmos em combater a corrupção e isso é absolutamente vital, a gente precisa promover uma grande revolução da educação. Nós estamos cansados de percorrermos Brasil a fora e dos deparamos com alunos da sexta, oitava serie, que não sabem escrever o próprio nome. Então não adianta mostrar os malefícios provocados pela corrupção se estamos ano após ano produzindo gerações  que não vão conseguir questionar porque é importante combater a corrupção. Não vejo ninguém no Brasil falando o quanto a gente precisa de uma revolução na educação. Eu vejo sim, muita gente entrando para a politica para enriquecer as custas do povo . As pessoas usam o jornalista para manipular , para denegrir ou para elogiar excessivamente um determinado angulo, um determinado grupo, em benefício muitas vezes de finalidades desonestas. O grande desafio é mostrar que é errado pelo mérito da questão e não porque  é praticado por este ou aquele politico , este ou outro grupo .”

Ressaltando que estamos em tempos onde precisamos lutar por um país melhor e que os jornalistas investigativos vivem diante de conceitos que não podem ser negociados.

Deixou claro que nem deveria haver essa denominação jornalismo investigativo, já que na sua essência o jornalismo como regra básica deve ser investigativo. “porém existem tantos exemplos de jornalismo oficial, tendencioso, manipulador e manipulado, raso, que se convencionou chamar de Investigativo ao jornalismo que se aprofunda mais e tenta mostrar os vários lados de uma questão”.

Frisando que uma questão não tem apenas dois lados como se costuma dizer, mas “vários lados e ângulos e todos tem que ser contemplados pelo jornalismo.” Segundo Cabrini é muito fácil se dá voz aos afins, por isso o grande desafio para o Jornalista é abrir espaço para quem pensa diferente dele.

Questionou a imparcialidade na noticia alegando que crescemos segundo valores ,princípios e conceitos que nos são repassados pelos nossos pais , comunidade, lideres religiosos e políticos, então o grande desafio é procurar a face imparcial da notícia mostrando posicionamentos com os quais não concordamos e ele frisa que ” isso é muito difícil.” Ele definiu o que considera uma grande  reportagem. “Aquela que é capaz de promover mudanças positivas  na situação abordada .”

Cabrini abriu espaço para preguntas da platéia e mostrou um pouco de seu trabalho através de documentário exibindo trechos de várias das suas reportagens .

Após a palestra falou com a imprensa sobre todos esses assuntos e sobre o episódio em que foi envolvido em 2008, quando foi alvo de uma emboscada. O jornalista estava fazendo uma matéria que denunciava um esquema de tráfico.

Por Edilene Ramos

 

 

 

 

 

 

 

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