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Vendido como uma inovação e um modelo quase revolucionário, o Consórcio Regional de Saneamento do Sul do Piauí (Coresa) está perto de fechar as portas. Depois de quase 10 anos de criação, o Coresa contabiliza mais problemas que soluções e uma reunião marcada para o próximo dia 26 pode sacramentar o fechamento de uma empreitada que, de fato, não aconteceu.

O Consórcio foi criado em 2007, no embalo da Lei de Consórcios Públicos – Lei Federal 11.107, de abril de 2005 – e foi vendido como um modelo para o Brasil. A euforia era grande, com direito a pose para foto e grande badalação. Ainda hoje pode-se ver no desatualizado site do Coresa matéria de agosto de 2007 com o título “Piauí consolida modelo de Consórcio”.

O texto da matéria é mais eloquente: “O Piauí sai na frente de outros estados brasileiros ao consolidar a proposta de formação de consórcio público que será responsável pela gestão associada de serviços de abastecimento de água e de saneamento na região sul do Estado”. Nada mais distante da realidade.

O Consórcio foi criado com a participação de 30 municípios – todos que ficam ao sul de Floriano, cobrindo uma ampla área do território piauiense. Pelo menos no papel, tinha como parceiros o Ministério das Cidades, a Funasa e a Caixa, além do governo do Estado. Alguns recursos foram liberados, embora as ações realmente relacionadas com abastecimento d’água e saneamento tenham sido feitas pelo Estado, ainda que usando o selo do Coresa.

Tem mais: dos recursos liberados diretamente para o consórcio, teve dinheiro (cerca de R$ 28 milhões) devolvido porque simplesmente não foi aplicado. E certamente não é por falta do que fazer, já que dos municípios da região somente Porto Alegre do Piauí pode se vangloriar de ter toda a população urbana atendida por esgoto. Mas vale destacar: esse esgoto foi anterior ao Coresa.

O que ficou de mais palpável desses 10 anos de Coresa são duas coisas. Primeiro, o prédio do consórcio, em Bom Jesus, hoje disputado por diversas instituições, já que não tem uso mesmo. Segundo, algumas pendências de municípios. Aqui o problema é que o consórcio envolve todos os municípios e também o Estado.

Não, por acaso, vários municípios vinham debandando do consórcio. A maior parte só de boca, já que tanto a entrada quanto a saída exige aprovação de lei municipal. Mas isso não tinha muita importância: como o Coresa faz de conta que existe, os municípios faziam de conta que permaneciam no consorcio, embora já o tivessem deixado.

Na reunião do próximo dia 26 com governo e municípios, deve ser sacramentado o fim do Coresa. Um dos mais interessados nesse desmonte é o próprio governo do Estado. Resta saber o que vem depois. Porque o fim do Coresa não vai significar o fim dos problemas de abastecimento e saneamento básico em todo o sul do Piauí.

Oficialmente, fazem parte do Coresa os seguintes municípios:

Alvorada do Gurgueia Cristalândia Palmeira do Piauí
Antonio Almeida Cristino Castro Parnaguá
Avelino Lopes Gilbués Porto Alegre do Piauí
Barreiras do Piauí Guadalupe Redenção do Gurguéia
Bom Jesus Júlio Borges Riacho Frio
Canavieira Landri Sales Santa Filomena
Colônia do Gurguéia Manoel Emídio Santa Luz do Piauí
Corrente Marcos Parente Sebastião Barros
Curimatá Monte Alegre do Piauí Sebastião Leal
Currais Morro Cabeça no tempo Uruçuí

 

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