Nesta segunda semana vamos falar um pouco sobre Cultura. O que é a Cultura, o que é a Arte, o que é o Cinema… Especificamente sobre o Cinema na nossa cidade; O Cine Spark.

Cultura é aquele complexo que inclui conhecimento, Arte, Crença, a Lei, a Moral, os Costumes, Normas, Símbolos, os Hábitos de um povo ou o ser humano. Cada país tem sua Cultura que reflete na música e nos costumes.

Arte é uma das maneiras do ser humano expressar seus sentimentos e emoções, através da pintura, escultura, cinema, teatro, dança, música, arquitetura.

Já falamos o que é Arte e o que é Cultura. Agora vamos dar destaque para a Cultura do Cinema na nossa região e conhecer um pouco da sua história.

No mundo inteiro o cinema é chamado de Sétima Arte. O cinema foi inventado no final do século 19 pelos irmãos Auguste e Louis Lumière e, logo os críticos passaram a considera-lo um tipo mais recente de arte. No século 20, Riccioto Canudo, intelectual italiano radicado na França, escreveu o Manifesto das Sete Artes. Nele, Canudo define o cinema como a Sétima Arte por ser a arte plástica, ou seja, em movimento, aquela que consegue congregar todas as outras. A Música, a Dança, a Pintura, Escultura, Arquitetura e a Poesia e a Sétima que é o Cinema. “O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonhos.” Dizia o Diretor de cinema Orson Welles.

O cinema nos permite não apenas conhecer nosso contexto sociocultural, mas também mostra-lo ao mundo. Todos os cinéfilos acima dos quarenta anos se lembram do Cine Spark, localizado no calçadão da Praça Felix Pacheco. O prédio ainda está lá, mas de cinema nada restou, apenas lembranças. Lembrançasdo quanto era divertido os finais de semana. As matinês, as sessões aos sábados, os casais de namorados e o destino dos jovens naquelas tardes de domingo.

Cine Spark na década de 1960 / Arquivo Pessoal de José Rodney Leal Brito

Infelizmente, o Cine Spark mal completou a maioridade… Encerrou suas atividades no ano de 1982. Dele restou somente o prédio, hoje ocupada até recentemente por uma igreja, como acontece geralmente com os cinemas pelo Brasil afora. Mas o prédio continua a representar o símbolo de um tempo de esplendor da Sétima Arte.

O Cine Spark iniciou suas atividades no dia 26 de Agosto de 1964, quando provocou o surgimento de vários grupos artísticos, da qual falaremos mais adiante. Rememorar é voltar ao passado; Vamos então rememorar brevemente o cinema na nossa cidade, é bom, é saudável, é criativo, é cultural. A lembrança é como um filme, mostrando a Praça Felix Pacheco, as pessoas nos bancos e os jovens passeando de um lado para outro. As crianças brincando… Os meninos com suas revistas e as conversas sobre o último filme exibido… Alguém na paquera e as mocinhas cochichando aqui e ali. Um casal de jovens na sorveteria Ideal e os olhares das meninas… Era maravilhoso!

Com certeza isso “mexe” com aqueles que viveram os tempos áureos do cinema, onde predominava a luz dos lanterninhas e de sedução na hora de começar uma sessão. O

casal de namorados no escurinho do cinema; As paqueras; O primeiro beijo no cinema; o charme das domingueiras; Os encontros casuais e os desencontros…

A cultura cinematográfica em Picos foi riquíssima no passado. Nem hoje, em pleno século XXI temos tantas salas de exibição como tivemos no passado. Cinco salas de cinema.

Vamos lá. O primeiro cinema a funcionar em Picos foi o Cine Odeon, fundado em 1934, há 84 anos pelo senhor Lousinho Monteiro O Cine Odeon funcionava na esquina da praça Felix Pacheco e funcionou até o ano de 1942.

Depois o Cine Ideal e o Cine Guarany, ambos funcionava em prédios localizados na Praça Felix Pacheco, este último, fundado em 1954, tinha 120 lugares, funcionava dois dias na semana. Sua proprietária, a senhora Maria do Socorro de Deus Moreno.

Por pouco tempo funcionou ainda o Cine Jordânia, que era localizada na Rua Coelho Rodrigues, o que vale dizer que em Picos existiam cinco salas de cinema.

O Cine Spark foi a maior atração cultural das décadas de sessenta e setenta e parte dos anos oitenta do século passado. Tinha exibição de filmes todas as noites e costumava variar a quantidade de sessões, dependendo da qualidade dos filmes e a expectativa do público, visto que os filmes mais comentados costumavam ser repassados em outras sessões.

O Cine Spark pertencia ao grupo “Bezerra & Santos Ltda”. Uma tela panorâmica chamada de Cinemascope, boa acústica, ambiente ventilado e o espaço com cadeiras confortáveis para 700 pessoas.

O Cine Spark trouxe novas formas de diversão, lazer,sociabilidade e entretenimento cultural, provocando, de certa forma, mudanças no comportamento dos jovens da época. Outros eventos, além da exibição de filmes, o cinema abrigava apresentações de peças de teatro, shows musicais das bandas: “Os Rebeldes”, “Os Leões” e “Cleber e Sua Gente” e outros grupos musicais que influenciaram uma geração e com isso, possibilitou à juventude picoense daquele tempo, transformações comportamentais, nas maneiras de agir, de falar, vestir-se e até no corte do cabelo. As apresentações de shows de calouros, e artistas locais era o que mais provocava e fazia a casa cheia, sempre aos domingos a tarde.

No início da década de 1980, o Cine Spark foi aos poucos perdendo força, encerrando as suas atividades em 1982, deixando saudades. Mas o cinema em Picos apenas se conteve, por um tempo, porque o que ficou na alma, foram as lembranças de um tempo áureo, de esplendor da Arte, Cultura e Cinema e ajudou a na construção da história da nossa cidade e, enquanto existir o prédio, estará sempre presente na memória dos picoenses que conviveram a época de ouro que foi o Cinema em nossa cidade.

Por Douglas Nunes

 

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