O presidente dos EUA – que demorou dois dias para visitar o Texas depois do furacão Harvey e três para ir à Flórida depois do Irma – não anunciou medidas de apoio concretas em suas primeiras declarações e se concentrou em exaltar os esforços de sua administração na assistência às vítimas e nos primeiros passos da reconstrução da infraestrutura devastada do país caribenho.

Colocando o dedo na ferida, Trump chegou a criticar o Governo local pela enorme dívida que arrasta e disse: “Odeio dizer-lhes isso, mas gastamos muito dinheiro em Porto Rico”.
A ilha tem uma dívida de 73 bilhões de dólares (cerca de 230 bilhões de reais) e neste ano declarou bancarrota. Essa era a situação de Porto Rico antes da temporada de furacões. E a chegada do Maria com seus ventos de 250 quilômetros por hora e suas chuvas torrenciais – o maior furacão que atingiu a ilha desde 1929 – levou tudo a níveis insustentáveis, destruindo 100% da rede elétrica, deixando na intempérie mais de 50.000 famílias que viviam em casas precárias que ficaram destruídas, danificando a rede rodoviária, tornando a água potável quase um produto de luxo e paralisando completamente a atividade econômica e industrial; como se em vez de ter passado um ciclone, Porto Rico tivesse sido bombardeado.
Trump reconheceu em suas declarações que Porto Rico está sofrendo “uma verdadeira catástrofe”, mas, ao mesmo tempo, destacou como se fosse um aspecto positivo que o número oficial de mortos não é até o momento tão alto tendo em vista a magnitude do furacão e dos destroços. “Qual é o seu número de mortos?”, perguntou a Rosselló. “Dezesseis”, disse o governador. “Você deve estar orgulhoso”, concluiu o chefe da Casa Branca, que aterrissou em uma base militar da capital, San Juan, com sua esposa Melania Trump. Também se reuniu com Carmen Yulín, a prefeita de San Juan, com a qual manteve uma polêmica no fim de semana passado. Yulín havia criticado o que considera uma reação lenta de Washington à catástrofe de Porto Rico e Trump respondeu no Twitter lamentando sua “pobre liderança” e dizendo que há líderes na ilha que querem receber “tudo pronto”.

O republicano é o primeiro presidente dos Estados Unidos que faz uma visita oficial a Porto Rico no meio de uma emergência. Depois de suas declarações na base militar, foi a um hangar para fazer um voo de helicóptero e ver a devastação da ilha. Trump também deve se reunir por alguns minutos com vítimas do furacão e com o pessoal de resgate antes de deixar Porto Rico, por volta das 17 horas (18 horas em Brasília), pouco mais de cinco horas depois de chegar.

Por Patrícia Cassemiro

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