Os primeiros povos a inventar uma bebida feita com favas de cacau, pimenta, gengibre e mel foram os mayas e os astecas. Essa bebida, chamada xocolatl, era considerada uma poção mágica e sagrada, provocando um sentimento euforizante com características afrodisíacas. Os espanhóis começaram a beber este elixir quando o vinho estava em falta e adicionaram outros ingredientes para que ficasse ao gosto deles. Herman Cortès, levou em 1527, as primeiras favas de cacau para a Espanha junto com a receita de preparo. A bebida espalhou-se rapidamente nos salões chiques da nobreza européia. Durante muito tempo, foi apenas uma bebida. As barras foram criadas na Suíça, quando foi implantada em Corsier-sur-Vevey, uma das primeiras fábricas de chocolates, por François-Louis Cailler em 1819. Em 1826, foi Philippe Suchard que abriu sua fábrica em Serrières (Neuchâtel).

No princípio, o chocolate era fabricado com uma base de pasta de cacau amarga, adicionada de açucar e outros temperos, porém, ainda não conseguia muitos adeptos. Foi Daniel Peter, empreendedor de Vevey que teve a genial idéia em 1875, de misturar a esta pasta o leite condensado fabricado pela Nestlé. Neste exato momento, começou a grande estória do chocolate suíço.

O chocolate é reconfortante e estimula a produção de endorfinas provocando um sentimento de alegria. Os suíços são os maiores consumidores de chocolate do mundo ou seja, 12 kg ao ano/pessoa. Podemos dizer que é uma população chocolate-addict. Parece que isto está escrito na genética deles. Na Suíça, várias atividades são feitas em torno do chocolate:

O spa termal ‘Les Bains de Lavey’ no cantão de Vaud, propõe cuidados especias para a pele, a base de chocolate. Seu corpo fica envolvido numa pasta de cacau durante alguns minutos, sendo depois exfoliado com sal dos Alpes.

A fábrica de chocolates Cailler à Broc, oferece um tour onde o visitante pode conhecer a estória de sucesso do chocolate e tocar, experimentar, sentir a matéria-prima, além de provar durante este tempo, as variedades de chocolates produzidas pela usina.

De maio a outubro, o trem do chocolate sai de Montreux até a região de Gruyères para um passeio que combina gouloseimas e paisagens gradiosas.

No inverno, de dezembro a abril, as trilhas pedestres das regiões do cantão do Jura e dos Três Lagos, oferecem um passeio entre enigmas e jogos de pistas finalizado com uma experimentação de fondue de chocolate.

O ateliê ChocoemotionS à Neuchâtel, instalado no antigo refeitório da fábrica Suchard à Serrières, propõe atividades em francês, inglês, alemão e italiano em torno do tema ‘Chocolate’. Catherine Vallana Margueron, anfitriã do lugar, recebe seus visitantes com muita cordialidade e profissionalismo, contando a história do chocolate desde a sua origem até os nossos dias. São ateliês que mexem com todos os nossos sentidos de maneira surpreendente. A mistura entre pães de chocolate e foie gras, vinhos da região e pepitas de chocolate, entre outros, é uma experiencia inesquecível para qualquer pessoa. Você pode fazer seu próprio chocolate suíço na Suíça!

Nem tudo é tão doce no mercado do cacau de hoje. Mais de 5 milhões de pequenos produtores cultivam o cacau no mundo em condições difíceis. Na Costa do Marfim, as famílas não chegam a ganhar 2 dólares por dia/pessoa e denúncias de trabalho infantil foram feitas. Aí no Brasil, 5° maior produtor do mundo, que exporta 90% da sua produção, a cultura do cacau perdeu sua relevância, porém continua a ser muito importante para a preservação da mata atlântica.

Por Jenna Colledan

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