Fora do Tempo

Fora do Tempo

Ola gente ! Sou Jenna Colledan . Na coluna Fora do Tempo vou falar sobre Tecnologia, meio ambiente , integração, Clima , entre muitos outros temas . Moro na Suiça há mais de 30 anos. Sou funcionária pública e tenho uma equipe de 28 pessoas. Eu vou falar pra vocês como as coisas se passam aqui na suíça , na Europa , que diferenças se pode observar entre Europa e Brasil . Vamos la ? Conto com vocês para embarcarmos nesta aventura !

A classificaçao dos países mais competitivos do planeta

Pelo nono ano consecutivo, a Suíça ficou no primeiro lugar dos países mais competitivos do mundo, segundo o estudo anual do WEF (World Economic Forum). A estabilidade das instituições, a qualidade das infraestruturas, as boas condições de ambiente macroeconômico, a prontidão tecnológica, a formação e educação em geral, a qualidade do sistema de saúde, as empresas de confiança e a inovação, são as principais qualidades que ela possui. Poucos são os pontos negativos, em particular, podemos citar uma burocracia ainda presente, certas condições do mercado de trabalho pouco aberto e a falta de mão-de-obra altamente especializada. Porém, os problemas do mercado interno são quase esquecidos em comparação a potencia das multinacionais.

Em matéria de competitividade, a Suíça tem uma enorme capacidade de inovação. Paradoxalmente a sua pequena grandeza territorial, a Suíça possui um avanço tecnológico surpreendente. Ela acolhe varias organizações de pesquisas cientificas, possui um mercado de trabalho flexível e capaz de atrair talentos do mundo inteiro.

O WEF diz-se preocupado com o sistema financeiro mundial que ainda não saiu do choque de 2007. Essa preocupação vem do fato que a quarta revolução industrial devera ter o apoio financeiro necessário para desenvolver-se. O mercado prevê um novo choque econômico que sera inevitavelmente acompanhado de percas de emprego e os investidores deverão ajudar os trabalhadores a suportar as consequências durante os períodos de transição.

Em regra geral, a economia europeia têm melhorado em inovação porém, a educação tem declinado. O resultado do estudo vem de uma parte de resultados estatísticos e de outra parte, de uma pesquisa de opinião feita entre 200 executivos, gestores e investidores. Na classificação deste estudo, a Suíça é seguida pelos USA e Cingapura. O Portugal ficou no 42° lugar, a China no 27° e o ultimo lugar, ou seja, o 138°, ficou com o Yemem. O Brasil, depois de 6 anos perdendo lugares, passou do 81° ao 80° lugar.

O Brasil, é visto como um dos países com a pior estrutura tributaria do mundo, e um Estado ineficaz. Porém, teve uma melhora de classificação, graças as diversas denuncias de corrupção, que mostram o desejo de mudança de sua estrutura. Para o WEF o Brasil “encerra assim uma longa tendência de queda e dá sinais de recuperação econômica e de competitividade”. O brasileiro é o povo que menos confia nos seus políticos. Neste item, ele aparece na 138° posição.

Por Jenna Colledan

AS GRUTAS DO VALLORBE

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Na região de Vallorbe, na Suíça, à 30 minutos de Yverdon-les-Bains e perto da fronteira com a França, o rio Orbe perfurou durante milhões de anos, salas subterrâneas extraordinárias, formando um dos mais belos sítios de grutas da Europa. Porém, somente em 1964 elas foram descobertas e hoje, um terço das estalagmites, estalactites, cavernas e colunas naturais do sitio, podem ser admiradas pelo publico. No interior das grutas, o rio Orbe impressiona pela força das suas águas com um volume de varias dezenas de metros cúbicos por segundo.

Lac de Cristal

A descoberta das grutas do Vallorbe foi um puro acaso. Um grupo de espeleologos tinha por habito  mergulhar no rio Orbe. Um dia, um deles chegou atrasado e todos os outros já tinham saído da água. Um dos integrantes do grupo decidiu voltar e mergulhar com o retardatário. Durante o mergulho, eles saíram da rota comum e descobriram um sitio geológico impressionante, que tornaria-se uma das maiores atrações turísticas da Suíça.

Durante vários anos, a exploração das grutas continuou com muita discrição. Os espeleologos e cientistas incluídos no projeto, levaram para o interior uma tonelada de material afim de estuda-las detalhadamente. Cada sala descoberta recebia um nome como a Medusa ou o Bisonte, afim que as famílias pudessem chamar o socorro em caso de necessidade. Os exploradores iam cada vez mais longe. O objetivo era de compreender de onde vinha a água. Como todos sabemos, a espeleologia é uma atividade arriscada. Os acidentes não são raros. Portanto, a exploração das grutas do Vallorbe não apresentou dificuldades maiores. A ideia de fazer destas grutas um lugar turístico nasceu rapidamente e em 1974, dez anos depois da descoberta, o público pode enfim, e sem se molhar, penetrar nas galerias.

As grutas de Vallorbe são constituídas de magnificas paisagens de calcário escultadas pelo rio. Elas são iluminadas de maneira sutil ao longo do passeio. A espetacular “salle da Catédral’ de uma altura de 30 metros é valorizada com uma cenografia de som e luz impressionante. O percurso é muito seguro e apesar de vários degraus, é também bastante acessível. A visita livre das grutas dura mais ou menos uma hora e meia. Elas são abertas de 31 de março a 04 de novembro e a temperatura no interior das grutas é constante o ano todo, ou seja 10 graus.

Em 1992, quatro cúpulas foram especialmente organizadas para a exposição permanente Tesouro das Fadas, com mais de 250 minerais, pedras preciosas e semi-preciosas, foram trazidas, vindas de vários países, muitas provenientes do Brasil.

Por Jenilce Colledan

O maior salário mínimo do mundo !

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O povo do cantão de Neuchâtel votou. Depois de uma batalha jurídica, o salário minimo foi instaurado e entrou em vigor no dia 04.08.2017. Este é o primeiro dos 26 cantões da Suíça a aceitar legalizar o salário mínimo. Até agora, cada setor profissional instaurava sua própria tabela de salários por meio de convenções coletivas de trabalho (CCT). Com a introdução do salário mínimo neste cantão, um trabalhador que atua 42 horas por semana no seu labor deverá receber a soma de 3.640—francos (3.190 euros) no mínimo ou seja, um salário horário de 20 francos.

Em maio de 2014, o povo suíço votou contra um salário mínimo federal. 76,3% dos votos da população suíça foi contra a introdução de um salário mínimo de 4.000 francos. Poucas profissões não são regidas pelas CCT e o povo suíço não achou importante regulamentar o salário mínimo até agora. As CCTs determinam o direito a férias, a duração do tempo de trabalho semanal, o momento das férias, a obrigação de um seguro de perda e ganho em caso de doença ou acidente, as ausências justificadas, o salário da profissão segundo o tempo e a duração do contrato de trabalho, o salário segundo e a experiência, etc. São acordos feitos entre os patrões, os sindicatos e as associações trabalhistas. O povo do cantão de Neuchâtel, decidiu regulamentar o salário mínimo achando, contrariamente ao que diz o governo da Confederação Helvética, que a imposição desta medida não aumentaria o desemprego (3,2% na Suíça).

Não foi tão fácil chegar lá. A lei foi votada no cantão de Neuchâtel há seis anos, em 2011 e as organizações e entidades patronais lutaram contra esta medida nos tribunais até julho de 2017. Para o Tribunal Federal (TF) que julgou o caso, o salário mínimo é conforme o principio constitucional da liberdade econômica e do direito federal. Algumas exceções estão previstas para os setores da agricultura e da viticultura, assim como para as pessoas em aprendizagem que não serão favorecidas por esta lei. Será principalmente no setor terciário, na hotelaria e na restauração, que os salários deverão aumentar. No que diz respeito a igualdade de tratamento de remuneração entre homens e mulheres, ela está inscrita na Constituição suíça e na lei sobre a igualdade. Se constatadas discriminações salariais, o oficio federal da igualdade é competente para intervir no caso.

Outras iniciativas populares estão pendentes nos cantões do Jura e do Tessin. Nos cantões de Genebra, Vaud e o Valais, o voto popular já rejeitou projetos similares.

No resto do mundo, o elevado salário mínimo de 20 franços/hora (17,54 euros) do cantão de Neuchâtel provoca várias reações. Os jornais trouxeram manchetes como : O maior salário mínimo do mundo é suíço. Na França, a comparação com o salário mínimo françês (9,78 euros/h ou 1’480 euros por 35h/semana) foi inévitável. No Luxemburgo o salário mínimo é de 1’998 euros mensais para 40h/semana de trabalho. Portanto, a Suíça tem um alto nível de vida e apenas 1/9 dos assalariados ganham menos de 3.700 francos mensais. Segundo o Ofício federal da estatística, 1/5 das pessoas vivendo na Suíça não têm meios financeiros suficientes para superar uma despesa financeira extraordinária. E 1/8 da população é exposta a um risco de pobreza elevado. As pessoas que têm privações materiais são de qualquer maneira poucas (4%) com relação a média européia (13,3%). As famílias monoparentais, as pessoas sem formação e os estrangeiros não europeus formam uma grande parte desta população.

Por enquanto, os setores que devem aumentar seus salários estimam que eles terão grandes percas financeiras. Se elas serão suportáveis ou não, o tempo nos dirá afim que autras medidas de apoio a classe patronal possam ser introduzidas. A entrada em vigor do saláro mínimo no cantão de Neuchâtel estimula os patrões a serem mais criativos e organizados, também tentando lutar contra o fenômeno dos ‘working-poors’ ou seja, os trabalhadores que precisam recorrer as ajudas sociais extraordinárias para completar o orçamento.

Por Jenna Colledan

 

A rota do Absinto

A lenda diz que o absinto foi criado por volta de 1792 pelo médico francês que morava na Suíça, Dr.Pierre Ordinaire, como um remédio milagroso que curava a epilepsia, a gota, os cálculos renais, as cólicas, a enxaqueca e os vermes. Um certo Major Dubied comprou a receita do doutor e começou a comercializar a bebida. O sucesso foi enorme e chegou até a Paris da Belle Epoque, do Moulin Rouge e dos cafés de Montmartre.

O que é certo, é que a cidade de Pontarlier na França, perto da fronteira com a Suiça, teve um desenvolvimento fenomenal desde 1805 quando Henri Louis Pernod, um suiço, implantou sua primeira destilaria.

Essa bebida destilada, feita com iosna, anis, funcho e outras ervas, conheceu um sucesso fenomenal no século XIX.

A crise da viticultura e a aparição das doenças no vinhedo, provocou o aumento do preço do vinho e o absinto tornou-se uma alternativa mais barata para quem desejava consumir bebidas alcoólicas naquela época. Neste período, toda a região de Pontarlier na França e do Val-de-Travers na Suíça, se desenvolveu muito com a produção do absinto e a exportação se estendia por todo o mundo. Porém, no começo do século XX, o consumo de álcool passou a ser um problema de saúde pública. O absinto foi acusado de todos os males da sociedade (Van Gogh cortou sua orelha sob o efeito do absinto) pois, além dos problemas de saúde que ele provocava, também era indicado como o culpado pelo aumento da criminalidade. Apoiados pelo lobby dos produtores de vinho, o absinto foi proibido na Suíça em 1910, nos EUA em 1913 e na França a partir de 1915. La Fée Verte (a fada verde) como é chamado o absinto, começa então o seu declínio e começa um período legendário de clandestinidade e resistência.

Com os experimentos e a evolução das leis nacionais e europeias, o absinto foi reabilitado na França em 2001 e na Suíça em 2005. Os efeitos alucinógenos da bebida nunca foram comprovados e o absinto é considerado atualmente como perfeitamente normal para o consumo.

Quem pretende conhecer mais sobre a história desta bebida, sua produção, proibição e volta a legalidade, deve fazer a ‘Rota do Absinto’ entre Pontarlier e o Val-de-Travers. Ao longo do passeio de quase 50 km, várias destilarias estão instaladas, e as trilhas pedestres e ciclovias levam os visitantes de aldeia em aldeia, contando a história desta bebida amaldiçoada e ao mesmo tempo fascinante. Não se deve perder a visita da Maison du Absinthe em Môtiers que propõe uma exposição permanente e ateliers culinários integrando o absinto. Os destiladores de absinto desta região estão sempre orgulhosos de apresentar suas produções. Várias possibilidades de restaurantes e de hospedagens são possíveis nesta rota. Que seja a pé, de bicicleta ou em transportes púbicos, o visitante tem diversas possibilidades que podem ser combinadas para dinamizar o seu passeio.

Por Jenna Colledan

Os desafios da Alemanha

O povo alemão votará no dia 24 de setembro afim de eleger um novo chaceler. A favorita, a atual  chanceler Angela Merkel, dada hoje como a mais poderosa mulher do planeta, estará de novo disputando esse cargo. Considerada como um personagem de moderação e decisão em toda a Europa, ela está no poder há 12 anos e opõe-se a todas as tentativas demagógicas no velho continente. Angela Merkel, antiga cientista da Alemanha do leste, faz parte da geração que conseguiu levantar o país depois da queda do muro de Berlim, do nazismo nos anos 30-40 e do comunismo até 1989. Ela é a primeira mulher chanceler da Alemanha e o primeiro político da Alemanha do leste a ser dirigente do país. Desde que ela chegou no poder, a senhora Merkel do partido da união democrat-cristã (CDU) simboliza o compromisso entre o passado e o futuro. A Alemanha cresceu. Portanto, v[arios desafios ainda apresentam-se ao País.

Em primeiro lugar, o desafio histórico. A queda do muro de Berlim em 1989 mudou o rumo da história. Adeus guerra fria. A Alemanha do leste e do oeste reunificaram –se com Helmut Kohl no poder, um europeísta que uniformizou a moeda e aumentou os impostos no oeste para financiar o desenvolvimento do leste, onde um terço da população estava desempregada. A mudança aconteceu com muita dor. A Alemanha teve que entrar numa reforma severa. Em seguinte, com o governo do canceler Gehard Schröder, as medidas drásticas como a diminuição dos subsídios do desemprego, da previdência social e da aposentadoria continuaram a imensa transformação da Alemanha. O país passou a ser a primeira potência européia e pretende continuar a ser a locomotiva que impulsiona todo o continente.

O desafio energético é um outro combate. O país possui ainda minas de cavão e é um dos mais poluentes do mundo. Ele ambiciona investir nas energias renováveis e conseguir em pouco tempo produzir 35% de sua energia por esses meios.

O desafio da imigração. Em 2015, a Alemanha recebeu 890.000 refugiados. 280.000 novos refugiados foram acolhidos neste país em 2016. A diminuição das entradas é sinal que as medidas tomadas pela Alemanha e pela União européia funcionaram. O fluxo migratório pode ser regulamentado e controlado. Porém, o objetivo é de absorver e integrar estes refugiados na economia de um país com uma população cada vez mais idosa.

Contudo, alguns entraves aparecem no que podemos quase qualificar de conto de fadas. A industria alemã de automóveis e o software que distorcia os resultados dos testes de emissão de poluentes, é um deles. O escândalo do diesel, como diz-se na Europa, fragilizou o poder da Alemanha e colocou Angela Merkel em maus lençóis. Seus adversários não perderam a oportunidade de criticá-la. Uma Europa em crise e um mundo instável, contribui para uma resposta aos seus opositores pois, Angela Merkel representa a estabilidade e o crescimento. O partido ‘Alternativa para a Alemanha’ (AfD), criado em 2013 e de extrema-direita, com o slogan dizendo ‘Merkel muss weg’ (Merkel deve partir), realizou nas ultimas eleições um crescimento eleitoral consideravel. Porém, seu principal adversário é Martin Schulz (pardido social democrata – SPD). Durante as férias de Angela Merkel, ele continuou a viajar pelo país com seu ‘Schulz live tour’ afim de recuperar o atraso nas sondagens. Ele acusa sua adversária de arrogância, de querer o aumento dos aluguéis, de não ter a mínima ideia de como assegurar o futuro dos aposentados e de preferir aplicar 2% do PIB na defesa, ao invés de investir no futuro do país.

O fato é que o senho Schulz não inspira a confiança dos alemães e que é tarde demais para redirecionar sua campanha. Isso, apesar que muitos alemães estarem decepcionados pois, Angela Merkel não propõe nada de novo no seu programa político e não deseja mudar nada no próximo mandato.

O país, herdeiro de uma história importante, começou a ver sua população orgulhar-se da sua bandeira nos eventos esportivos. Fato quase desconhecido por eles há algumas décadas. A Alemanha é um dos pilares da Europa, certamente o mais forte. A balança comercial tem um excedente de 250 bilhões de euros e a taxa de desemprego foi dividida por 2 desde que a senhora Merkel chegou ao poder. O gigante europeu que mudou a história, é hoje mais estável do que nunca e “com isso, ela continua humilhando de 7 x 1 !

 

Por Jenna Colledan

A beleza e os encantos dos lagos suíços

A Suíça possui cerca de 6% das reservas de água doce da Europa. 4% da superfície do país é recoberta por rios ou lagos. Mais de 1.500 lagos são recenseados nesse pequeno país. Grande parte na região do jura e os outros, principalmente nos pré alpes e na parte setentrional dos Alpes. A maioria dos lagos suíços são formados à partir de antigas geleiras. O lago Léman, na fronteira entre a Suíça e a França – infelizmente também chamado de modo errôneo de lago de Genebra, é o maior lago da Europa ocidental.

Lago Léman

Já o maior lago inteiramente suíço é o lago de Neuchâtel (218km2).

Lago de Neuchâtel

Além dos lagos , a Suíça possui vários rios. Entre eles, dois grandes rios têm suas fontes na Suíça e desembarcam no mar : O Rhin, no mar do Norte e o Rhône no mar mediterrâneo.

Lago de Neuchâtel

Nos grandes lagos como o Léman e o lago de Neuchâtel ou Zurique, a navegação é intensa. Os cruzeiros partem com turistas encantados pela descoberta das regiões e a população local navega de uma costa à outra com facilidade. Os diversos restaurantes implantados na beira dos lagos propõem um cardápio local incluindo peixes da região como por exemplo, os famosos filés de perches, a bondelle, ou a fera.

Já os pequenos lagos ou lagos de montanha são pouco navegados e mais selvagens. Em alguns a navegação ou mesmo o banho é proibido. A descoberta é feita pelas trilhas ao longo das margens, com pequenas embarcações quando é possível, ou através dos esportes aquáticos. Um dos mais surpreendentes é o Lago Azul (Blausee) situado a 2.207m de altitude. A água pode chegar até 20°C no verão. Grrrrr… Ele é acessível com o teleférico de Riederalp-Moosflush e uma pequena caminhada de 15 minutos à partir da estação.

lago Azul

Outro lindo lago é o de Lioson (1.890m) no meio de um circo montanhoso cheio de charme tipicamente suíço.

Lago de Lioson

Mais acessível, o Lago de Joux é um dos maiores em superfície da cadeia de montanhas do Jura. Ele possui 9 km de comprimento e 1 km de largura. Durante o inverno, ele se transforma numa das maiores pistas de gelo naturais da Europa. No verão é o windsurf que toma conta do lago pois a região é muito ventilada.

Lago de Joux -gelado

Desde 1980 a qualidade da água dos lagos suíços melhorou consideravelmente. A proibição da utilização de fosfato na fabricação de sabão em pó e os progressos feitos na filtragem das águas residuais favoreceu a melhora da taxa de oxigênio nos lagos. Nos estudos feitos entre 2010 e 2015 sobre as espécies de peixes nos lagos pré alpinos, os cientistas encontraram 70 espécies predominantes de peixes. A maioria vivem em águas pouco profundas. Portanto, segundo a associação suíça de pescadores profissionais, hoje, os lagos suíços são muito limpos. Isso provoca a falta de fósforo, um alimento essencial para a sobrevivência de algumas espécies de peixes. Na realidade, as urinas contidas nas águas usadas, são ultrafiltradas. As consequências são catastróficas para certas espécies que já desapareceram das águas lacustres. O estrito plano de limpeza das águas dos lagos drenou o fósforo que não se encontra mais na superfície das águas. A pesca diminuiu nos últimos anos. Afim de reduzir a importância desse resultado, os pescadores profissionais propõe que somente 80% do fósforo das águas residuais sejam eliminados pelas estações de tratamento antes de serem despejadas nos lagos.

Pedalinho no lago

Que seja de barco,windsurf, kitesurf, vela, padle, mergulho autônomo, esqui náutico ou simplesmente com um pedalinho, qualquer pessoa pode partir para a descoberta dos lagos suíços. Para as pessoas que não praticam os esportes aquáticos, um simples calçado adaptado para trilhas, um calção ou maiô de banho, são suficientes para aproveitar do que os lagos e rios suíços podem ofertar – principalmente no verão europeu. As paisagens são deslumbrantes, dignas dos tradicionais calendários pendurados nas cozinhas dos nossos avós!

Por Jenna Colledan

Sicília : Entre belezas e problemas

Situada entre os mares mediterrâneo, Ionian et Tyrrhenian, a Sicília possui 5 milhões de habitantes, o equivalente à 10% da população italiana. Ela foi invadida por normandos, gregos, árabes, cartagineses, espanhóis, etc. e cada um desses povos proporcionou um importante desenvolvimento comercial na história da ilha. Com tantas misturas de raças, os habitantes consideram-se primeiramente sicilianos e depois, italianos. O clima mediterrâneo favorece os verões quentes e um inverno ameno. A gastronomia é uma das mais incríveis da Itália. Pouca carne mas, muitos tipos de peixes e frutos do mar, além de verduras e frutas, principalmente limões e laranjas.E os vinhos são de ótima qualidade.

A Sicília é constituída de nove províncias: Palermo(a capital), Catania, Agrigento, Siracusa, Caltanissetta, Messina, Ragusa, Enna e a turística e espetacular Taormina. Esta pequena cidade do leste da Sicília é situada a 200m de altitude e tem uma linda vista para um mar azul intenso. Ela é sem dúvida, com seu teatro greco-romano e suas ruas íngremes, um dos mais belos cenários da Europa.

Nas redondezas de Taormina, nós podemos encontrar o mais alto vulcão da Europa, o Etna. Ele possui 3.300m de altitude e uma superfície de 1.250km2 . É um dos vulcões mais ativos do mundo. O solo em torno do Etna é extremamente rico e favorável a agricultura, aos vinhedos e as hortas. A Itália possui vários vulcões como o Stramboli ou o Vésuvio, porém o Etna, com erupções majoritariamente efusivas (durante a erupção a lava corre lentamente das crateras – 5km/dia), não representa um grande perigo para a população, mesmo se a vigília é permanente. A última erupção foi em fevereiro 2017 quando uma equipe de filmagem da BBC estava no local e uma dezena de pessoas ficaram feridas. Em 2002, uma grande profusão de lava expelida pelo Etna, provocou a destruição de uma estação de esqui.

A lava que corre do Etna, depois de fria, proporciona uma paisagem lunar ao local. Quando uma erupção acontece, vários metais provenientes do vulcão são despejados em torno das crateras. Em alguns lugares, perto das crateras, a concentração de ferro é tão grande, que a terra fica muito vermelha. Com o passar dos anos, a vegetação começa a brotar e recobrir os rios de lava. Nas praias, não encontramos areia fina mas, a formação de pedrinhas redondas de lava cinzenta e escura.

É também o caso das 7 ilhas Eólias (Vulcano, Lipari, Panarea, Filicudi, Alicudi, Salina e Stromboli) no mar Ionian. As águas são de um azul paradisíaco e as praias pretas como carvão. Na ilha de Stramboli, podemos admirar seu vulção explosivo, que a mais ou menos cada 15 minutos nos encanta com uma explosão de lava e bombas vulcânicas. Um espetáculo fascinante da natureza.

Vindo a ilha da Sicília é quase obrigatório uma visita aos desfiladeiros de Alcântara, são gargantas incrivelmente belas que se formaram após a erupção de um vulcão pequeno, localizada ao norte do Rio Etna. As lavas foram escorrendo até o mar, formando com o tempo, paredes altas de basalto, criando verdadeiros cânions, com gargantas de preto e paredes que refletem a luz, dando ao lugar um charme quase mágico.

Porém, não é a beleza natural que atira nas costas da Sicília os milhares de imigrantes vindos da África. Essas pessoas  fugindo da guerra ou em busca de uma melhor situação econômica, tentam entrar na Europa pelo mar com embarcações precárias, causando muitas mortes por afogamento. A Itália sofre com o aumento dessa população e sente-se pouco apoiada pela União Européia. Identificar os verdadeiros refugiados e expulsar os ‘refugiados econômicos’ é agora uma prioridade para os italianos. O recente acordo com a Líbia (país de onde vêm 90% das pessoas atravessando o mar mediterrâneo) prevê o aumento dos meios navais e o treinamento da guarda costeira libanesa. Faz também parte do plano, o resgate dos imigrantes no mar pelos libaneses pois, se um barco da união européia recolhe os imigrantes, eles não podem ser devolvidos de onde vêm. É também previsto de favorecer as condições de vida nos campos de acolhimento na Líbia.

A urgência de solucionar este problema é vital pois nesta região da Itália onde 26,4% da população é considerada como pobre (ganham menos de € 990.88 para um lar de 2 pessoas) e pouco industrializada, a economia não conseguirá absorver o fluxo incessante de refugiados.

Apesar dos problemas sócio-políticos com os quais a região sofre, a Sicília é sedutora, seus habitantes acolhedores e sorridentes, e a natureza , de modo estranho, particular, é extremamente generosa.

Por Jenna Colledan

Do cacau ao chocolate suíço

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Os primeiros povos a inventar uma bebida feita com favas de cacau, pimenta, gengibre e mel foram os mayas e os astecas. Essa bebida, chamada xocolatl, era considerada uma poção mágica e sagrada, provocando um sentimento euforizante com características afrodisíacas. Os espanhóis começaram a beber este elixir quando o vinho estava em falta e adicionaram outros ingredientes para que ficasse ao gosto deles. Herman Cortès, levou em 1527, as primeiras favas de cacau para a Espanha junto com a receita de preparo. A bebida espalhou-se rapidamente nos salões chiques da nobreza européia. Durante muito tempo, foi apenas uma bebida. As barras foram criadas na Suíça, quando foi implantada em Corsier-sur-Vevey, uma das primeiras fábricas de chocolates, por François-Louis Cailler em 1819. Em 1826, foi Philippe Suchard que abriu sua fábrica em Serrières (Neuchâtel).

No princípio, o chocolate era fabricado com uma base de pasta de cacau amarga, adicionada de açucar e outros temperos, porém, ainda não conseguia muitos adeptos. Foi Daniel Peter, empreendedor de Vevey que teve a genial idéia em 1875, de misturar a esta pasta o leite condensado fabricado pela Nestlé. Neste exato momento, começou a grande estória do chocolate suíço.

O chocolate é reconfortante e estimula a produção de endorfinas provocando um sentimento de alegria. Os suíços são os maiores consumidores de chocolate do mundo ou seja, 12 kg ao ano/pessoa. Podemos dizer que é uma população chocolate-addict. Parece que isto está escrito na genética deles. Na Suíça, várias atividades são feitas em torno do chocolate:

O spa termal ‘Les Bains de Lavey’ no cantão de Vaud, propõe cuidados especias para a pele, a base de chocolate. Seu corpo fica envolvido numa pasta de cacau durante alguns minutos, sendo depois exfoliado com sal dos Alpes.

A fábrica de chocolates Cailler à Broc, oferece um tour onde o visitante pode conhecer a estória de sucesso do chocolate e tocar, experimentar, sentir a matéria-prima, além de provar durante este tempo, as variedades de chocolates produzidas pela usina.

De maio a outubro, o trem do chocolate sai de Montreux até a região de Gruyères para um passeio que combina gouloseimas e paisagens gradiosas.

No inverno, de dezembro a abril, as trilhas pedestres das regiões do cantão do Jura e dos Três Lagos, oferecem um passeio entre enigmas e jogos de pistas finalizado com uma experimentação de fondue de chocolate.

O ateliê ChocoemotionS à Neuchâtel, instalado no antigo refeitório da fábrica Suchard à Serrières, propõe atividades em francês, inglês, alemão e italiano em torno do tema ‘Chocolate’. Catherine Vallana Margueron, anfitriã do lugar, recebe seus visitantes com muita cordialidade e profissionalismo, contando a história do chocolate desde a sua origem até os nossos dias. São ateliês que mexem com todos os nossos sentidos de maneira surpreendente. A mistura entre pães de chocolate e foie gras, vinhos da região e pepitas de chocolate, entre outros, é uma experiencia inesquecível para qualquer pessoa. Você pode fazer seu próprio chocolate suíço na Suíça!

Nem tudo é tão doce no mercado do cacau de hoje. Mais de 5 milhões de pequenos produtores cultivam o cacau no mundo em condições difíceis. Na Costa do Marfim, as famílas não chegam a ganhar 2 dólares por dia/pessoa e denúncias de trabalho infantil foram feitas. Aí no Brasil, 5° maior produtor do mundo, que exporta 90% da sua produção, a cultura do cacau perdeu sua relevância, porém continua a ser muito importante para a preservação da mata atlântica.

Por Jenna Colledan

La Chaux-de-Fonds /Le Locle – exemplos do urbanismo relojoeiro suiço

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Em 2009, as cidades vizinhas de La Chaux-de-Fonds e Le Locle, situadas há mais de 1000m de altitude na Suiça, entraram para o patrimônio mundial da UNESCO. Elas são exemplos do urbanismo da industria relojoeira Suíça.

La Chaux-de-Fonds, fundada em 1656, foi destruída por um enorme incêndio em 1794 e reconstruída em quadrados para prevenir a insalubridade e garantir as construções destinadas a industria relojoeira.Após 1970, a cidade perdeu um pouco do seu carisma por causa da crise neste ramo. Porém, ela continua ainda hoje, a ser um polo industrial muito importante com empresas de renome estabelecidas na região tais como Cartier e Tag Hauer.

A cidade de La Chaux-de-Fonds ficou conhecida através do desenvolvimento da industria relojoeira desde o século XIX. Ela abriga o Museu International de Relojoaria com 4300 peças, 2700 relógios e 700 relógios murais. É a cidade natal do arquiteto Le Corbusier, do escritor Blaise Cendrars e do construtor de automóveis Chevrolet. O clima da região é bastante frio no inverno. Praticar esquí  aqui é comum. No verão, trilhas pedestres e bicicleta são as melhores opções de lazer. Um pequeno zoo no meio da cidade com entrada franca – o zoo ‘Bois du petit chateau’, também é bastante frequentado.

Já a cidade Le Locle é o berço da industria relojoeira suiça. Foi no início do século XVIII que o desenvolvimento nesta área começou. Segundo a lenda, Daniel Jeanrichard conseguiu consertar un rélogio vindo da Inglaterra e decidiu fabricar ele mesmo um outro relógio de bolso. Em 1705 ele abriu sua própria oficina de relojoaria dando início a industria relojoeira da região. A cidade conta com várias industrias neste ramo e quase toda a concentração econômica provém deste setor. Le Locle encontra-se perto da aldeia La Brévine – onde as temperaturas podem cair até – 41.8°C e fica na fronteira com a França.

Hoje, a aglomeração de La Chaux-de-Fonds/Le Locle constitue um polo de excelência e um centro econômico de grande importância regional. O território das duas cidades somam 78km2 e é pouco ocupado com apenas 50.000 habitantes. A imigração, que seja suíça ou estrangeira, tornou estas cidades lugares cosmopolitas onde vários grupos culturais vivem lado-a-lado. A arquitetura da região, que valeu o reconhecimento da UNESCO como patrimônio mundial, é particularmente diferente. Tudo foi feito em torno da industria relojoeira e das famílias que habitavam a região no século XIX. As ruas são paralelas, lembrando as grandes cidades americanas e os jardins na parte sul das habitações, fazem parte integrante das características arquitetônicas. Quando Karl Marx analisou a divisão do travail no livro O Capital, ele citou La Chaux-de-Fonds como exemplo de cidade-oficina pois organizada em torno de uma mono-industria.

O reconhecimento da UNESCO como patrimônio mundial, teve duas grandes vantagens para a região : a notoriedade das cidades cresceu e a população compreendeu que a relojoaria fazia parte da ADN deles. A auto-estima dos habitantes aumentou e eles estão mais confiantes no futuro. Eles sabem que nenhuma outra cidade da Europa parece com La Chaux-de-Fonds e Le Locle. Através de uma visita com um guia, você pode descobrir a história destas cidades relojoeiras ligadas ao desenvolvimento do urbanismo e descobrir a época em que os relojoeiros, atrás das janelas no sul dos imóveis, captavam a luz e trabalhavam sem cessar para fabricar mais da metade da produção de relógios do planeta.

Por Jenna Colledan

Veneza, patrimônio mundial da humanidade

Veneza, patrimônio mundial da humanidade desde 1987, acolhe 25 milhões de visitantes por ano. A cidade suporta vários problemas como o acostamento dos navios de cruzeiro, as grandes marés que alagam a região todos os invernos e a incivilidade dos turistas. Por exemplo, sentar e comer na Praça San Marco – salão da Europa, como dizia Bonaparte, é proibido. Uma brigada de guardiões gira em torno da praça fazendo em média 800 intervenções por dia afim de que os visitantes respeitem as regras estabelecidas.

Em Veneza, nada é simples. Nos canais, vêem-se embarcações que transportam mercadorias, bombeiros, noivos, viajantes, mortos. A logística de uma cidade submergida é baseada na complementaridade dos transportes, aéreo, rodoviário, ferroviário e marítimo. Desde a época do comércio do sal, das especiarias e temperos até o ouro, os venezianos são comerciantes. Eles sempre aproveitaram o acesso ao mar e  tudo que provém dele. Veneza sempre foi submergida pelas inundações porém, a frequência intensificou-se desde a metade do século XX. Para proteger o patrimônio das enchentes da acqua alta, as autoridades colocaram em ação o controvertido projeto MOSE (Módulo Sperimentale Eletromeccanico) que são placas móveis destinadas a neutralizar a invasão da água do mar na lagoa de Veneza. Por enquanto, esse é o único meio técnico encontrado para proteger os solos e mármores milenares da cidade construída sobre palafitas, que já custou bilhões de euros e deverá ficar pronto no final de 2018.

O encanto de Veneza como a cidade do amor e da beleza é mantido cautelosamente pelos negociantes de cruzeiros como uma destinação propícia aos sonhos sem possibilidade de esquivar. Os hotéis, tanto os 5 estrelas favorecendo a vinda de clientes das classes altas, quanto as habitações com aluguéis de custos menores estão, exceto no auge do inverno, sempre completos. Não é somente nas semanas da Mostra di Venezia e da Biennale que os habitantes disputam de maneira desagradável as passagens pelas ruelas e canais da cidade com os turistas. Toda essa atração torna Veneza vítima do seu próprio sucesso.

No centro histórico encontram-se 55 mil habitantes contra 100 mil há 40 anos. O município, que deve participar com 40% dos gastos para a renovação dos palácios e edifícios, sofre com a perca das receitas fiscais. A cidade perde mil residentes a cada ano. Os habitantes de Veneza tentam alertar as autoridades do êxodo da população fazendo manifestações e pedem que elas ajam para que a cidade não se transforme em um museu a céu aberto. Os venezianos não são contra o turismo. Eles militam para que um equilíbrio possa ser achado entre as duas partes e que um consenso seja encontrado.

A população denuncia que as autoridades abandonaram há muito tempo a ideia de trazer novos habitantes e de criar novos empregos que não sejam na área turística. Que as características sociais da cidade não existem mais. Já as autoridades locais, recusam estes argumentos e dizem que estão conscientes dos problemas fundamentais da população e iniciaram um processo de democracia participativa para examinar as proposições populares afim de que Veneza conserve sua alma e seus residentes. A cidade, vivendo do turismo, deve encontrar um equilíbrio para favorecer a instalação de famílias e criar novos empregos.

Controlar o número de visitantes é uma urgência segundo a UNESCO que ameaçou colocar Veneza na lista dos patrimônios em perigo. Fechar as portas da cidade não será possível segundo as autoridades locais mas, regulamentar as chegadas de maneira a repartir o número de visitantes durante todo o ano estará na pauta das prioridades futuras.

por Jenna Colledan

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