Fora do Tempo

Fora do Tempo

Ola gente ! Sou Jenna Colledan . Na coluna Fora do Tempo vou falar sobre Tecnologia, meio ambiente , integração, Clima , entre muitos outros temas . Moro na Suiça há mais de 30 anos. Sou funcionária pública e tenho uma equipe de 28 pessoas. Eu vou falar pra vocês como as coisas se passam aqui na suíça , na Europa , que diferenças se pode observar entre Europa e Brasil . Vamos la ? Conto com vocês para embarcarmos nesta aventura !

As belezas e proveitos do outono europeu

Entre outubro e novembro, o clima europeu oferece alguns dias ensolarados que alegram nossos finais de semana. O verão terminando , para muitas pessoas, o outono é sinal de uma baixa de moral e de uma falta de energia . Porém, para outros, essa estação é o momento ideal para programar aqueles dias românticos ou os passeios prolongados em família, encontrando aqui e ali os champignons, as castanhas e outros tesouros espalhados pelas florestas. Quando a temperatura é um pouco mais fria, a melhor opção é procurar esquentar-se. Os banhos termais são uma solução sempre bem vinda. Mergulhar nas piscinas bem quentinhas e abandonar-se sem vergonha é um prazer todo europeu.

O outono também traz com ele suas frutas e seus legumes saborosos, nos lembrando o prazer de cozinhar. Maçãs, abóboras, champignons ou castanhas tomam conta da nossa cozinha. As sopas ou os doces da estação são saborosos e revigorantes. É possível testar uma nova sopa todas as semanas pois, as possibilidades são quase infinitas. Depois das saladas do verão, é hora da reconciliação com os pratos típicos feitos com amor : Pratos da caça, choucroute, gratins, puré, raclettes et fondues.

A aurora e o por-do-sol são mais bonitos no outono. A luz é mais sutil e os dias tornam-se mais curtos, nos lembrando que devemos aproveitar  cada minuto da vida. No verão, nós temos dias iluminados desde cedo pela manhã, até em torno das 22 horas. No outono a luz começa a desaparecer à partir das 17 horas. É o momento de acender as velas perfumadas com cheiro de canela, baunilha ou maçã.

A natureza veste-se de seus mais deslumbrantes trajes. É uma estação de cores extraordinárias : amarelo, laranja e vermelho, alegrando os dias mais cinzentos de qualquer pessoa. As crianças (e os adultos!) chutam com prazer as folhas mortas que tapetam o chão das ruas e das florestas, trazendo uma tranquilidade e uma emoção toda inocente e especial.

De volta à casa, após uma dura jornada de trabalho, o repouso é de rigor. É a hora do cocconing (recolhimento , aconchego ), das roupas largas e confortáveis, de deitar-se no sofá e tirar da gaveta a mais bonita e fofinha cobertura de lã. Uma xícara de chá e um livro… alcançamos o nirvana.

E no outono, também temos Halloween ! É uma festa que ainda tem muita dificuldade de implantação na Europa. Mas, os eventos privados acolhem muitos adeptos. É a ocasião de relembrar os clássicos filmes de horror, de preparer a fantasia e a maquiagem para o 31 de outubro, procurando nas agendas a balada mais interessante.

Pessoalmente, nascida no começo de novembro na primavera brasileira, eu me tornei uma nativa do outono na Europa. E como eu, o outono é uma ambiguidade. A meteorologia  pode ser caprichosa com certos dias ensolarados e outros chuvosos, os ventos podem ser quentes ou frios e as folhas das arvores explodem de cores para depois cair no chão. É necessário aproveitar cada minuto dessa beleza efêmera. Sem a obrigação de desfrutar ao máximo o calor do curto verão europeu, o outono é a estação da tranquilidade e do relaxamento.

Por Jenna Colledan

AS GRUTAS DO VALLORBE

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Na região de Vallorbe, na Suíça, à 30 minutos de Yverdon-les-Bains e perto da fronteira com a França, o rio Orbe perfurou durante milhões de anos, salas subterrâneas extraordinárias, formando um dos mais belos sítios de grutas da Europa. Porém, somente em 1964 elas foram descobertas e hoje, um terço das estalagmites, estalactites, cavernas e colunas naturais do sitio, podem ser admiradas pelo publico. No interior das grutas, o rio Orbe impressiona pela força das suas águas com um volume de varias dezenas de metros cúbicos por segundo.

Lac de Cristal

A descoberta das grutas do Vallorbe foi um puro acaso. Um grupo de espeleologos tinha por habito  mergulhar no rio Orbe. Um dia, um deles chegou atrasado e todos os outros já tinham saído da água. Um dos integrantes do grupo decidiu voltar e mergulhar com o retardatário. Durante o mergulho, eles saíram da rota comum e descobriram um sitio geológico impressionante, que tornaria-se uma das maiores atrações turísticas da Suíça.

Durante vários anos, a exploração das grutas continuou com muita discrição. Os espeleologos e cientistas incluídos no projeto, levaram para o interior uma tonelada de material afim de estuda-las detalhadamente. Cada sala descoberta recebia um nome como a Medusa ou o Bisonte, afim que as famílias pudessem chamar o socorro em caso de necessidade. Os exploradores iam cada vez mais longe. O objetivo era de compreender de onde vinha a água. Como todos sabemos, a espeleologia é uma atividade arriscada. Os acidentes não são raros. Portanto, a exploração das grutas do Vallorbe não apresentou dificuldades maiores. A ideia de fazer destas grutas um lugar turístico nasceu rapidamente e em 1974, dez anos depois da descoberta, o público pode enfim, e sem se molhar, penetrar nas galerias.

As grutas de Vallorbe são constituídas de magnificas paisagens de calcário escultadas pelo rio. Elas são iluminadas de maneira sutil ao longo do passeio. A espetacular “salle da Catédral’ de uma altura de 30 metros é valorizada com uma cenografia de som e luz impressionante. O percurso é muito seguro e apesar de vários degraus, é também bastante acessível. A visita livre das grutas dura mais ou menos uma hora e meia. Elas são abertas de 31 de março a 04 de novembro e a temperatura no interior das grutas é constante o ano todo, ou seja 10 graus.

Em 1992, quatro cúpulas foram especialmente organizadas para a exposição permanente Tesouro das Fadas, com mais de 250 minerais, pedras preciosas e semi-preciosas, foram trazidas, vindas de vários países, muitas provenientes do Brasil.

Por Jenilce Colledan

O efeito estufa nos Alpes Suíços

Foto: Jenna Colledan

Segundo o Centro Pro-Natura de Aletsch (maior geleira da Europa – 23 km, 128 km a mais de 4.000 m de altitude), entre 1905 e 2005, a temperatura aumentou de 0.74°C em média no mundo.  A geleira de Aletsch na Suiça, inscrita em 2001 no patrimônio mundial da UNESCO, perde anualmente 50 metros de comprimento.

Geleira de Aletsch na Suíça. Foto: Fenicelugano, via pixabay.

No início, a geleira diminuía lentamente porém, há alguns anos, a temperatura intensifica-se constantemente acelerando essa diminuição. Contrariamente ao que pensa o atual presidente dos EUA, os climatólogos afirmam que o homem modifica o clima com a emissão de gases com efeito estufa, principalmente o CO2 e o metano. As consequências são terríveis para o planeta: temperaturas mais elevadas, aumento do nível dos oceanos, ecossistema perturbado colocando em risco a vida de animais e vegetais, etc. Como o homem é a origem do problema, ele deve agir para diminuir esse estrago.

Os alpes Suíços revelam a olho nu os danos já feitos. A diminuição da cobertura nevosa dos alpes tem sido observada há mais de 50 anos e os estudos científicos mostram que as geleiras perderam 1/3 de superfície desde 1950. Os especialistas em climatologia afirmam que a neve vai retirar-se de 150m a cada aumentação de 1°C da Terra. A perda de neve nas montanhas vai acelerar o aquecimento e o solo montanhoso vai absorver cada vez mais os raios solares na sua superfície. A neve vai transformar-se em chuva, o que já vem acontecendo, e poderá provocar quedas de rochas,  muita lama além de causar múltiplos problemas para a agricultura e a pesca. Sem contar que as geleiras representam 70% da água doce do planeta e essa reserva diminui a cada ano que passa.

Foto: Jenna Colledan.

O que um simples cidadão poderia fazer para diminuir o efeito estufa no mundo? É muito difícil mudar o funcionamento de toda uma sociedade. Entre a consumação  de energias fósseis e a desflorestação, muita coisa poderia ainda ser feita no nível político. Porém, o cidadão consciente de sua responsabilidade pessoal, pode encontrar várias maneiras de contribuir a deixar o planeta em bom estado para as gerações futuras.

Dez dicas do que podemos fazer individualmente:

1. Consumir frutas e verduras produzidas localmente

2. Apagar as luzes nos cômodos inocupados

3. Optar pelo papel reciclado

4. Não deixar aparelhos elétricos em ‘stand by’

5. Praticar a Eco-condução

6. Colocar uma tampa nas panelas quando cozinhamos

7. Escolher lâmpadas LED

8. Reciclar objetos

9. Escolher a temperatura mais baixa possível da máquina de lavar roupas

10. Eliminar o gelo do freezer para diminuir a consumo de energia.

A Suíça, consciente de sua responsabilidade social e da importância de frear a emissão dos gases de efeito estufa e conseqüentemente  a diminuição das geleiras, confirmou no dia 07.06.2017, sua posição de empenhar-se em reduzir de 50% até 2030 a emissão desses gases. Um exemplo claro desta determinação, é o fato de que cada lar paga sua taxa de lixo de acordo com o número de ocupantes. Em algumas cidades, coletores de lixo possuem até uma balança para pesar os sacos. Sem contar que o próprio saco de lixo já é taxado, o que induz cada cidadão a refletir no que colocará lá dentro. Quanto mais pesado estiver o saco de lixo, mais caro ele irá custar.

A ideia é essa: Poluir ou não, você escolhe, é sua responsabilidade. E você? Antes que nossas reservas de água doce acabem-se, não acha que é tempo de pensar na sua responsabilidade com o nosso planeta?

Por Jenna Colledan

O maior salário mínimo do mundo !

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O povo do cantão de Neuchâtel votou. Depois de uma batalha jurídica, o salário minimo foi instaurado e entrou em vigor no dia 04.08.2017. Este é o primeiro dos 26 cantões da Suíça a aceitar legalizar o salário mínimo. Até agora, cada setor profissional instaurava sua própria tabela de salários por meio de convenções coletivas de trabalho (CCT). Com a introdução do salário mínimo neste cantão, um trabalhador que atua 42 horas por semana no seu labor deverá receber a soma de 3.640—francos (3.190 euros) no mínimo ou seja, um salário horário de 20 francos.

Em maio de 2014, o povo suíço votou contra um salário mínimo federal. 76,3% dos votos da população suíça foi contra a introdução de um salário mínimo de 4.000 francos. Poucas profissões não são regidas pelas CCT e o povo suíço não achou importante regulamentar o salário mínimo até agora. As CCTs determinam o direito a férias, a duração do tempo de trabalho semanal, o momento das férias, a obrigação de um seguro de perda e ganho em caso de doença ou acidente, as ausências justificadas, o salário da profissão segundo o tempo e a duração do contrato de trabalho, o salário segundo e a experiência, etc. São acordos feitos entre os patrões, os sindicatos e as associações trabalhistas. O povo do cantão de Neuchâtel, decidiu regulamentar o salário mínimo achando, contrariamente ao que diz o governo da Confederação Helvética, que a imposição desta medida não aumentaria o desemprego (3,2% na Suíça).

Não foi tão fácil chegar lá. A lei foi votada no cantão de Neuchâtel há seis anos, em 2011 e as organizações e entidades patronais lutaram contra esta medida nos tribunais até julho de 2017. Para o Tribunal Federal (TF) que julgou o caso, o salário mínimo é conforme o principio constitucional da liberdade econômica e do direito federal. Algumas exceções estão previstas para os setores da agricultura e da viticultura, assim como para as pessoas em aprendizagem que não serão favorecidas por esta lei. Será principalmente no setor terciário, na hotelaria e na restauração, que os salários deverão aumentar. No que diz respeito a igualdade de tratamento de remuneração entre homens e mulheres, ela está inscrita na Constituição suíça e na lei sobre a igualdade. Se constatadas discriminações salariais, o oficio federal da igualdade é competente para intervir no caso.

Outras iniciativas populares estão pendentes nos cantões do Jura e do Tessin. Nos cantões de Genebra, Vaud e o Valais, o voto popular já rejeitou projetos similares.

No resto do mundo, o elevado salário mínimo de 20 franços/hora (17,54 euros) do cantão de Neuchâtel provoca várias reações. Os jornais trouxeram manchetes como : O maior salário mínimo do mundo é suíço. Na França, a comparação com o salário mínimo françês (9,78 euros/h ou 1’480 euros por 35h/semana) foi inévitável. No Luxemburgo o salário mínimo é de 1’998 euros mensais para 40h/semana de trabalho. Portanto, a Suíça tem um alto nível de vida e apenas 1/9 dos assalariados ganham menos de 3.700 francos mensais. Segundo o Ofício federal da estatística, 1/5 das pessoas vivendo na Suíça não têm meios financeiros suficientes para superar uma despesa financeira extraordinária. E 1/8 da população é exposta a um risco de pobreza elevado. As pessoas que têm privações materiais são de qualquer maneira poucas (4%) com relação a média européia (13,3%). As famílias monoparentais, as pessoas sem formação e os estrangeiros não europeus formam uma grande parte desta população.

Por enquanto, os setores que devem aumentar seus salários estimam que eles terão grandes percas financeiras. Se elas serão suportáveis ou não, o tempo nos dirá afim que autras medidas de apoio a classe patronal possam ser introduzidas. A entrada em vigor do saláro mínimo no cantão de Neuchâtel estimula os patrões a serem mais criativos e organizados, também tentando lutar contra o fenômeno dos ‘working-poors’ ou seja, os trabalhadores que precisam recorrer as ajudas sociais extraordinárias para completar o orçamento.

Por Jenna Colledan

 

Os desafios da Alemanha

O povo alemão votará no dia 24 de setembro afim de eleger um novo chaceler. A favorita, a atual  chanceler Angela Merkel, dada hoje como a mais poderosa mulher do planeta, estará de novo disputando esse cargo. Considerada como um personagem de moderação e decisão em toda a Europa, ela está no poder há 12 anos e opõe-se a todas as tentativas demagógicas no velho continente. Angela Merkel, antiga cientista da Alemanha do leste, faz parte da geração que conseguiu levantar o país depois da queda do muro de Berlim, do nazismo nos anos 30-40 e do comunismo até 1989. Ela é a primeira mulher chanceler da Alemanha e o primeiro político da Alemanha do leste a ser dirigente do país. Desde que ela chegou no poder, a senhora Merkel do partido da união democrat-cristã (CDU) simboliza o compromisso entre o passado e o futuro. A Alemanha cresceu. Portanto, v[arios desafios ainda apresentam-se ao País.

Em primeiro lugar, o desafio histórico. A queda do muro de Berlim em 1989 mudou o rumo da história. Adeus guerra fria. A Alemanha do leste e do oeste reunificaram –se com Helmut Kohl no poder, um europeísta que uniformizou a moeda e aumentou os impostos no oeste para financiar o desenvolvimento do leste, onde um terço da população estava desempregada. A mudança aconteceu com muita dor. A Alemanha teve que entrar numa reforma severa. Em seguinte, com o governo do canceler Gehard Schröder, as medidas drásticas como a diminuição dos subsídios do desemprego, da previdência social e da aposentadoria continuaram a imensa transformação da Alemanha. O país passou a ser a primeira potência européia e pretende continuar a ser a locomotiva que impulsiona todo o continente.

O desafio energético é um outro combate. O país possui ainda minas de cavão e é um dos mais poluentes do mundo. Ele ambiciona investir nas energias renováveis e conseguir em pouco tempo produzir 35% de sua energia por esses meios.

O desafio da imigração. Em 2015, a Alemanha recebeu 890.000 refugiados. 280.000 novos refugiados foram acolhidos neste país em 2016. A diminuição das entradas é sinal que as medidas tomadas pela Alemanha e pela União européia funcionaram. O fluxo migratório pode ser regulamentado e controlado. Porém, o objetivo é de absorver e integrar estes refugiados na economia de um país com uma população cada vez mais idosa.

Contudo, alguns entraves aparecem no que podemos quase qualificar de conto de fadas. A industria alemã de automóveis e o software que distorcia os resultados dos testes de emissão de poluentes, é um deles. O escândalo do diesel, como diz-se na Europa, fragilizou o poder da Alemanha e colocou Angela Merkel em maus lençóis. Seus adversários não perderam a oportunidade de criticá-la. Uma Europa em crise e um mundo instável, contribui para uma resposta aos seus opositores pois, Angela Merkel representa a estabilidade e o crescimento. O partido ‘Alternativa para a Alemanha’ (AfD), criado em 2013 e de extrema-direita, com o slogan dizendo ‘Merkel muss weg’ (Merkel deve partir), realizou nas ultimas eleições um crescimento eleitoral consideravel. Porém, seu principal adversário é Martin Schulz (pardido social democrata – SPD). Durante as férias de Angela Merkel, ele continuou a viajar pelo país com seu ‘Schulz live tour’ afim de recuperar o atraso nas sondagens. Ele acusa sua adversária de arrogância, de querer o aumento dos aluguéis, de não ter a mínima ideia de como assegurar o futuro dos aposentados e de preferir aplicar 2% do PIB na defesa, ao invés de investir no futuro do país.

O fato é que o senho Schulz não inspira a confiança dos alemães e que é tarde demais para redirecionar sua campanha. Isso, apesar que muitos alemães estarem decepcionados pois, Angela Merkel não propõe nada de novo no seu programa político e não deseja mudar nada no próximo mandato.

O país, herdeiro de uma história importante, começou a ver sua população orgulhar-se da sua bandeira nos eventos esportivos. Fato quase desconhecido por eles há algumas décadas. A Alemanha é um dos pilares da Europa, certamente o mais forte. A balança comercial tem um excedente de 250 bilhões de euros e a taxa de desemprego foi dividida por 2 desde que a senhora Merkel chegou ao poder. O gigante europeu que mudou a história, é hoje mais estável do que nunca e “com isso, ela continua humilhando de 7 x 1 !

 

Por Jenna Colledan

La Chaux-de-Fonds /Le Locle – exemplos do urbanismo relojoeiro suiço

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Em 2009, as cidades vizinhas de La Chaux-de-Fonds e Le Locle, situadas há mais de 1000m de altitude na Suiça, entraram para o patrimônio mundial da UNESCO. Elas são exemplos do urbanismo da industria relojoeira Suíça.

La Chaux-de-Fonds, fundada em 1656, foi destruída por um enorme incêndio em 1794 e reconstruída em quadrados para prevenir a insalubridade e garantir as construções destinadas a industria relojoeira.Após 1970, a cidade perdeu um pouco do seu carisma por causa da crise neste ramo. Porém, ela continua ainda hoje, a ser um polo industrial muito importante com empresas de renome estabelecidas na região tais como Cartier e Tag Hauer.

A cidade de La Chaux-de-Fonds ficou conhecida através do desenvolvimento da industria relojoeira desde o século XIX. Ela abriga o Museu International de Relojoaria com 4300 peças, 2700 relógios e 700 relógios murais. É a cidade natal do arquiteto Le Corbusier, do escritor Blaise Cendrars e do construtor de automóveis Chevrolet. O clima da região é bastante frio no inverno. Praticar esquí  aqui é comum. No verão, trilhas pedestres e bicicleta são as melhores opções de lazer. Um pequeno zoo no meio da cidade com entrada franca – o zoo ‘Bois du petit chateau’, também é bastante frequentado.

Já a cidade Le Locle é o berço da industria relojoeira suiça. Foi no início do século XVIII que o desenvolvimento nesta área começou. Segundo a lenda, Daniel Jeanrichard conseguiu consertar un rélogio vindo da Inglaterra e decidiu fabricar ele mesmo um outro relógio de bolso. Em 1705 ele abriu sua própria oficina de relojoaria dando início a industria relojoeira da região. A cidade conta com várias industrias neste ramo e quase toda a concentração econômica provém deste setor. Le Locle encontra-se perto da aldeia La Brévine – onde as temperaturas podem cair até – 41.8°C e fica na fronteira com a França.

Hoje, a aglomeração de La Chaux-de-Fonds/Le Locle constitue um polo de excelência e um centro econômico de grande importância regional. O território das duas cidades somam 78km2 e é pouco ocupado com apenas 50.000 habitantes. A imigração, que seja suíça ou estrangeira, tornou estas cidades lugares cosmopolitas onde vários grupos culturais vivem lado-a-lado. A arquitetura da região, que valeu o reconhecimento da UNESCO como patrimônio mundial, é particularmente diferente. Tudo foi feito em torno da industria relojoeira e das famílias que habitavam a região no século XIX. As ruas são paralelas, lembrando as grandes cidades americanas e os jardins na parte sul das habitações, fazem parte integrante das características arquitetônicas. Quando Karl Marx analisou a divisão do travail no livro O Capital, ele citou La Chaux-de-Fonds como exemplo de cidade-oficina pois organizada em torno de uma mono-industria.

O reconhecimento da UNESCO como patrimônio mundial, teve duas grandes vantagens para a região : a notoriedade das cidades cresceu e a população compreendeu que a relojoaria fazia parte da ADN deles. A auto-estima dos habitantes aumentou e eles estão mais confiantes no futuro. Eles sabem que nenhuma outra cidade da Europa parece com La Chaux-de-Fonds e Le Locle. Através de uma visita com um guia, você pode descobrir a história destas cidades relojoeiras ligadas ao desenvolvimento do urbanismo e descobrir a época em que os relojoeiros, atrás das janelas no sul dos imóveis, captavam a luz e trabalhavam sem cessar para fabricar mais da metade da produção de relógios do planeta.

Por Jenna Colledan

O castelo de Chillon

A primeira referência ao castelo de Chillon nas escrituras históricas, é de 1150. Porém, vestígios da ocupação do local datam desde à época do bronze. Sob o controle da familia de Savoia à partir do século XIII, o castelo de Chillon á um dos pontos turistícos mais visitados da Suíça. A fortaleza servia de arsenal, de prisão e eventualmente de residencia de verão aos condes de Savoia. Situado às margens do lago Leman, à Veytaux na Suiça, ele mede 110 metros de comprimento e chega até 25 metros de altura. Atualmente, ele pertence ao governo do cantão de Vaud e é classificado como monumento histórico.

O lugar escolhido para a construção do castelo foi bastante estratégico, fechando a passagem das margens do lago Leman e permitindo  chegar rapidamente na Itália com possibilidade de acesso ao norte da Alemanha e da França. Durante vários séculos, a rota em direção à Itália era controlada militarmente e um pedagio era exigido.

A estrutura do castelo de Chillon tem 25 edifícios e vários subterrâneos onde foram estocados durante muitos anos materiais e vinhos. Para melhorar a estética interior, os cômodos e os salões foram decorados com pinturas por volta dos anos 1300.

Após a ocupação pela família de Savoia, o castelo foi dispudado pelos habitantes do cantão de Berna, pois,conquistado pelos habitantes do cantão do Vaud , perdeu desde 1802, sua utilidade como fortaleza. No fim do século XIX, um projeto de restauração exemplar começa a desenvolver-se com muito rigor, utilizando os métodos de recriação de monumentos com princípios arqueológicos e históricos.

Desde o fim do século XVIII, o castelo é citado por vários escritores romanticos. Jean-Jacques Rousseau, Vitor Hugo, Alexandre Dumas , Lord Byron, entre outros, inspiram-se no castelo de Chillon para enriquecer suas criações. O pintor français Gustavo Courbet (1819-1877), representou várias vezes o castelo em suas obras durante seu exílio na Suíça. Pouco à pouco, Chillon tornou-se conhecido mundialmente . Em 1939, o castelo já recebia 100.000 visitantes. A proximidade da cidade de Montreux, muito frequentada pelos turistas, é um dos fatores deste grande sucesso. Hoje, mais de 300.000 entradas são registradas anualmente. As inúmeras restaurações permitem ao castelo  manter-se em excelente estado e  testemunhar de forma sublime o período feudal.

Entre abril e outubro, na sala ‘Châtelain’, são propostas degustações do vinho do castelo, o ‘Clos de Chillon’ e o público pode também descobrir os costumes da região. O lugar promove a cultura com exposições, concertos, mercados medievais, etc.

Chillon é sem dúvida um dos castelos mais fascinantes da Europa. Uma arquitetura de tirar o fôlego e um sítio excepcional entre o lago e montanha.

Por Jenna Colledan

Sicília : Entre belezas e problemas

Situada entre os mares mediterrâneo, Ionian et Tyrrhenian, a Sicília possui 5 milhões de habitantes, o equivalente à 10% da população italiana. Ela foi invadida por normandos, gregos, árabes, cartagineses, espanhóis, etc. e cada um desses povos proporcionou um importante desenvolvimento comercial na história da ilha. Com tantas misturas de raças, os habitantes consideram-se primeiramente sicilianos e depois, italianos. O clima mediterrâneo favorece os verões quentes e um inverno ameno. A gastronomia é uma das mais incríveis da Itália. Pouca carne mas, muitos tipos de peixes e frutos do mar, além de verduras e frutas, principalmente limões e laranjas.E os vinhos são de ótima qualidade.

A Sicília é constituída de nove províncias: Palermo(a capital), Catania, Agrigento, Siracusa, Caltanissetta, Messina, Ragusa, Enna e a turística e espetacular Taormina. Esta pequena cidade do leste da Sicília é situada a 200m de altitude e tem uma linda vista para um mar azul intenso. Ela é sem dúvida, com seu teatro greco-romano e suas ruas íngremes, um dos mais belos cenários da Europa.

Nas redondezas de Taormina, nós podemos encontrar o mais alto vulcão da Europa, o Etna. Ele possui 3.300m de altitude e uma superfície de 1.250km2 . É um dos vulcões mais ativos do mundo. O solo em torno do Etna é extremamente rico e favorável a agricultura, aos vinhedos e as hortas. A Itália possui vários vulcões como o Stramboli ou o Vésuvio, porém o Etna, com erupções majoritariamente efusivas (durante a erupção a lava corre lentamente das crateras – 5km/dia), não representa um grande perigo para a população, mesmo se a vigília é permanente. A última erupção foi em fevereiro 2017 quando uma equipe de filmagem da BBC estava no local e uma dezena de pessoas ficaram feridas. Em 2002, uma grande profusão de lava expelida pelo Etna, provocou a destruição de uma estação de esqui.

A lava que corre do Etna, depois de fria, proporciona uma paisagem lunar ao local. Quando uma erupção acontece, vários metais provenientes do vulcão são despejados em torno das crateras. Em alguns lugares, perto das crateras, a concentração de ferro é tão grande, que a terra fica muito vermelha. Com o passar dos anos, a vegetação começa a brotar e recobrir os rios de lava. Nas praias, não encontramos areia fina mas, a formação de pedrinhas redondas de lava cinzenta e escura.

É também o caso das 7 ilhas Eólias (Vulcano, Lipari, Panarea, Filicudi, Alicudi, Salina e Stromboli) no mar Ionian. As águas são de um azul paradisíaco e as praias pretas como carvão. Na ilha de Stramboli, podemos admirar seu vulção explosivo, que a mais ou menos cada 15 minutos nos encanta com uma explosão de lava e bombas vulcânicas. Um espetáculo fascinante da natureza.

Vindo a ilha da Sicília é quase obrigatório uma visita aos desfiladeiros de Alcântara, são gargantas incrivelmente belas que se formaram após a erupção de um vulcão pequeno, localizada ao norte do Rio Etna. As lavas foram escorrendo até o mar, formando com o tempo, paredes altas de basalto, criando verdadeiros cânions, com gargantas de preto e paredes que refletem a luz, dando ao lugar um charme quase mágico.

Porém, não é a beleza natural que atira nas costas da Sicília os milhares de imigrantes vindos da África. Essas pessoas  fugindo da guerra ou em busca de uma melhor situação econômica, tentam entrar na Europa pelo mar com embarcações precárias, causando muitas mortes por afogamento. A Itália sofre com o aumento dessa população e sente-se pouco apoiada pela União Européia. Identificar os verdadeiros refugiados e expulsar os ‘refugiados econômicos’ é agora uma prioridade para os italianos. O recente acordo com a Líbia (país de onde vêm 90% das pessoas atravessando o mar mediterrâneo) prevê o aumento dos meios navais e o treinamento da guarda costeira libanesa. Faz também parte do plano, o resgate dos imigrantes no mar pelos libaneses pois, se um barco da união européia recolhe os imigrantes, eles não podem ser devolvidos de onde vêm. É também previsto de favorecer as condições de vida nos campos de acolhimento na Líbia.

A urgência de solucionar este problema é vital pois nesta região da Itália onde 26,4% da população é considerada como pobre (ganham menos de € 990.88 para um lar de 2 pessoas) e pouco industrializada, a economia não conseguirá absorver o fluxo incessante de refugiados.

Apesar dos problemas sócio-políticos com os quais a região sofre, a Sicília é sedutora, seus habitantes acolhedores e sorridentes, e a natureza , de modo estranho, particular, é extremamente generosa.

Por Jenna Colledan

Creux du Van – Um verdadeiro espetáculo da natureza localizado na Suíça.

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foto: pt.depositfhotos.com

Situado a mais de 1.400

foto: pt.depositfhotos.com

Situado a mais de 1.400 m de altitude, o circo rochoso do Creux du Van é um anfiteatro natural localizado na Suíça. O penhasco circular formado de calcário na era glacial, proporciona uma vista espetacular do vale do Val de Travers – berço histórico do absinto, com suas pequenas aldeias dissimuladas entre as florestas. A formação do Creux du Van tem sua origem numa imensa erosão provocada pela separação de uma geleira local da geleira do Rhône. A infiltração de água provocou o deslocamento das pedras de calcário dando a forma circular da maior reserva natural e mais antiga do cantão de Neuchâtel.

foto: :pt.deposifhotos.com
foto: my switzerlan.com

Para fazer o tour do circo, o caminho beira o penhasco seguindo um muro de pedras rochosas certas vezes, há menos de um metro do precipício. Com 1400 metros de extenção e quase 200 metros de altura, ele constitue um síto ambiental muito conhecido nas redondezas e está no meio de uma reserva natural de 15,5 km2. Com uma flora artico-alpina, ele é o paraíso dos íbexes, cervos, jalvalis  e raposas, assim que dos aficionados pela natureza selvagem.

foto: simbania.wordpress.com

A abundancia das espécies primitivas conduziu as autoridades a planificar as zonas de proteção sensivéis afim de proteger a fauna e a flora. Considerado como paísagem de importancia nacional suíça, a agricultura, a silvicultura e o turismo pedestre são regulamentados com a intenção de desenvolver o turismo. O nome ‘Creux du Van’ (rocha vazia/oca) é o mais utilizado pelos internautas para obter informações sobre as posibilidades de caminhadas na região. Diversas medidas foram tomadas para sensibilisar os visitantes à beleza e à fragilidade do sítio, como por exemplo folhetos informativos e plaquetas indicativas dos caminos.

foto: my switzerland.com

De Abril à outubro, os restaurantes de montanha acolhem os visitantes das trilhas, os ciclistas e os automobilistas, oferecendo pratos simples porém, abundantes, compostos de produtos da região.

A beleza do sítio é portanto manchada pelos suicídios ocorridos no local. Os casos são frequentes e fazem as manchetes dos jornais quando acontecem. Neste país onde em um espaço  de 1 ano, 5.2% dos interrogados do estudo realisado pelo Office Fédéral de la Statistique suisseEnquête suisse sur la santé (ESS), dizem sofrer de uma depressão importante, o Creux du Van atrai pela sua grandeza, os indivíduos em busca de atos desesperados.

Culturalmente, na Suíça, apesar da grande dor que isso representa, o suicídio é considerado como um direito e que cada desejo de finalizar com a vida, deve ser respeitado sem julgamento moral. As organisações como Exit ou Dignitas que acompanham as pessoas até o suicidio assistido,  consideram este ato como o derradeiro dos direitos humanos. Mas, este trabalho é feito com muita precaução, tentando geralmente achar um outro caminho para o paciente. A determinação e a vontade de não continuar a viver sofrendo é predominante. É muito diferente do que podemos pensar no nosso Brasil. Entretanto, é também uma questão que traz muitos debates na Suíça pelas influencias múltiplas dos valores, crença, religião e das apreenções.

Você deve visitar o Circo do Creux du Van – principalmente se está de bem com a vida. A partir de lá, várias outras trilhas podem ser seguidas e a exploração é quase infinita.  A grandiosidade do local nos mostra como nosso planeta é belo, ela permite uma introspecção e revela como somos pequenos e paradoxalmente importantes no meio deste imenso universo.

Por Jenna Colledan

 

A magia dos mercados Europeus

(Subject: Nápole)

Ainda em tempo e no espírito de final de Ano vou mostrar um pouca da magia desta época na Europa .

Uma das melhores maneiras de descobrir o espírito natalício europeu é visitando os mercados de Natal. É uma verdadeira tradição na Europa. Nestes mercados encontramos castanhas grelhadas, decorações, idéias de presentes, vinho quente e chá de canela. Segue aqui uma seleção dos mais respaldados :

Montreux

No mercado de Natal de Montreux, na Suiça, nós podemos zigzaguear entre os stands ao ritmo das canções natalinas e admirar da beira do lago Leman as iluminações e imagens projetadas na fachada do Hôtel Montreux Palace.

Óbidos

Na cidade de Óbidos, em Portugal, encontramos a festa mais querida dos portugueses. Apesar da raridade da neve, o ambiente de natal é bem recriado com renas, árvores de natal e Papai Noel. O preço da entrada na ‘Vila Natal’ varia entre 5 e 7 euros de acordo com o período de visita.

Estocolmo

Em Estocolmo, na Suécia, a praça central chamada Gamla Stan, abriga 40 barraquinhas iluminadas nas tardes de dezembro pois a noite começa a cair desde as 15h00 e a cidade fica completamente mergulhada na escuridão em apenas uma hora. Uma das tradições mais esperadas do ano para os suecos é o dia de Santa Lucia de Siracusa, comemorado em 13 de dezembro. Várias procissões de velas são acompanhadas de coros infantis. A lenda diz que quando Santa Lucia descia as catacumbas para levar refeições aos cristãos, ela usava uma coroa de velas na cabeça que iluminava seu caminho e deixava suas mãos livres par transportar a comida.

Estrasburgo

Na França, encontra-se um dos mercados mais populares da Europa : O de Estraburgo, com mais de dois milhões de visitantes. Inicialmente o mercado limitava-se a zona em torno da Catedral mas atualmente, ele estende-se a 11 bairros. Impossível de sair de lá sem provar a Flammekueche – uma espécie de pizza alemã de nata, toucinho e cebola.

Nápoles

Na Itália, en Nápoles, por causa do clima ameno da região, nunca encontra-se neve ou o frio dos países nórdicos. Porém, os italianos capricham nas decorações de natal e o presépio de Nápoles é uma das atrações mais procuradas da região. A tradição local é a personalização dos personagens do presépio, com figuras de pizzaiolos, de animais exóticos e outras caricaturas de personalidades célebres.

Antuerpia

Na Belgica, o mercado de Antuérpia propõe iguarias do mundo inteiro. A feira de natal liga entre elas as principais praças da cidade. Além das idéias de presente, as batatas fritas, chocolates belgas e cervejas fazem muito sucesso.

Salzburgo

O romântico mercado de Salzburgo na Áustria, fica ao pé de um importante castelo medieval e em frente de uma magnifica igreja. Nas suas barraquinhas encontramos absolutamente de tudo! O setor alimentício é muito perfumado de amêndoas grelhadas e de maçãs cozidas que estimulam nosso paladar e convidam seus visitantes a uma verdadeira descoberta gastronômica .

Visitar um mercado de natal é uma aventura cheia de emoções neste período do ano. Todos os sentidos são estimulados pela mágica e a beleza do natal. É um lugar encantado, propício aos encontros e a partilha de bons sentimentos e de generosidade.

por Jenna Colledan

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