Fora do Tempo

Fora do Tempo

Ola gente ! Sou Jenna Colledan . Na coluna Fora do Tempo vou falar sobre Tecnologia, meio ambiente , integração, Clima , entre muitos outros temas . Moro na Suiça há mais de 30 anos. Sou funcionária pública e tenho uma equipe de 28 pessoas. Eu vou falar pra vocês como as coisas se passam aqui na suíça , na Europa , que diferenças se pode observar entre Europa e Brasil . Vamos la ? Conto com vocês para embarcarmos nesta aventura !

O efeito estufa nos Alpes Suíços

Foto: Jenna Colledan

Segundo o Centro Pro-Natura de Aletsch (maior geleira da Europa – 23 km, 128 km a mais de 4.000 m de altitude), entre 1905 e 2005, a temperatura aumentou de 0.74°C em média no mundo.  A geleira de Aletsch na Suiça, inscrita em 2001 no patrimônio mundial da UNESCO, perde anualmente 50 metros de comprimento.

Geleira de Aletsch na Suíça. Foto: Fenicelugano, via pixabay.

No início, a geleira diminuía lentamente porém, há alguns anos, a temperatura intensifica-se constantemente acelerando essa diminuição. Contrariamente ao que pensa o atual presidente dos EUA, os climatólogos afirmam que o homem modifica o clima com a emissão de gases com efeito estufa, principalmente o CO2 e o metano. As consequências são terríveis para o planeta: temperaturas mais elevadas, aumento do nível dos oceanos, ecossistema perturbado colocando em risco a vida de animais e vegetais, etc. Como o homem é a origem do problema, ele deve agir para diminuir esse estrago.

Os alpes Suíços revelam a olho nu os danos já feitos. A diminuição da cobertura nevosa dos alpes tem sido observada há mais de 50 anos e os estudos científicos mostram que as geleiras perderam 1/3 de superfície desde 1950. Os especialistas em climatologia afirmam que a neve vai retirar-se de 150m a cada aumentação de 1°C da Terra. A perda de neve nas montanhas vai acelerar o aquecimento e o solo montanhoso vai absorver cada vez mais os raios solares na sua superfície. A neve vai transformar-se em chuva, o que já vem acontecendo, e poderá provocar quedas de rochas,  muita lama além de causar múltiplos problemas para a agricultura e a pesca. Sem contar que as geleiras representam 70% da água doce do planeta e essa reserva diminui a cada ano que passa.

Foto: Jenna Colledan.

O que um simples cidadão poderia fazer para diminuir o efeito estufa no mundo? É muito difícil mudar o funcionamento de toda uma sociedade. Entre a consumação  de energias fósseis e a desflorestação, muita coisa poderia ainda ser feita no nível político. Porém, o cidadão consciente de sua responsabilidade pessoal, pode encontrar várias maneiras de contribuir a deixar o planeta em bom estado para as gerações futuras.

Dez dicas do que podemos fazer individualmente:

1. Consumir frutas e verduras produzidas localmente

2. Apagar as luzes nos cômodos inocupados

3. Optar pelo papel reciclado

4. Não deixar aparelhos elétricos em ‘stand by’

5. Praticar a Eco-condução

6. Colocar uma tampa nas panelas quando cozinhamos

7. Escolher lâmpadas LED

8. Reciclar objetos

9. Escolher a temperatura mais baixa possível da máquina de lavar roupas

10. Eliminar o gelo do freezer para diminuir a consumo de energia.

A Suíça, consciente de sua responsabilidade social e da importância de frear a emissão dos gases de efeito estufa e conseqüentemente  a diminuição das geleiras, confirmou no dia 07.06.2017, sua posição de empenhar-se em reduzir de 50% até 2030 a emissão desses gases. Um exemplo claro desta determinação, é o fato de que cada lar paga sua taxa de lixo de acordo com o número de ocupantes. Em algumas cidades, coletores de lixo possuem até uma balança para pesar os sacos. Sem contar que o próprio saco de lixo já é taxado, o que induz cada cidadão a refletir no que colocará lá dentro. Quanto mais pesado estiver o saco de lixo, mais caro ele irá custar.

A ideia é essa: Poluir ou não, você escolhe, é sua responsabilidade. E você? Antes que nossas reservas de água doce acabem-se, não acha que é tempo de pensar na sua responsabilidade com o nosso planeta?

Por Jenna Colledan

A rota do Absinto

A lenda diz que o absinto foi criado por volta de 1792 pelo médico francês que morava na Suíça, Dr.Pierre Ordinaire, como um remédio milagroso que curava a epilepsia, a gota, os cálculos renais, as cólicas, a enxaqueca e os vermes. Um certo Major Dubied comprou a receita do doutor e começou a comercializar a bebida. O sucesso foi enorme e chegou até a Paris da Belle Epoque, do Moulin Rouge e dos cafés de Montmartre.

O que é certo, é que a cidade de Pontarlier na França, perto da fronteira com a Suiça, teve um desenvolvimento fenomenal desde 1805 quando Henri Louis Pernod, um suiço, implantou sua primeira destilaria.

Essa bebida destilada, feita com iosna, anis, funcho e outras ervas, conheceu um sucesso fenomenal no século XIX.

A crise da viticultura e a aparição das doenças no vinhedo, provocou o aumento do preço do vinho e o absinto tornou-se uma alternativa mais barata para quem desejava consumir bebidas alcoólicas naquela época. Neste período, toda a região de Pontarlier na França e do Val-de-Travers na Suíça, se desenvolveu muito com a produção do absinto e a exportação se estendia por todo o mundo. Porém, no começo do século XX, o consumo de álcool passou a ser um problema de saúde pública. O absinto foi acusado de todos os males da sociedade (Van Gogh cortou sua orelha sob o efeito do absinto) pois, além dos problemas de saúde que ele provocava, também era indicado como o culpado pelo aumento da criminalidade. Apoiados pelo lobby dos produtores de vinho, o absinto foi proibido na Suíça em 1910, nos EUA em 1913 e na França a partir de 1915. La Fée Verte (a fada verde) como é chamado o absinto, começa então o seu declínio e começa um período legendário de clandestinidade e resistência.

Com os experimentos e a evolução das leis nacionais e europeias, o absinto foi reabilitado na França em 2001 e na Suíça em 2005. Os efeitos alucinógenos da bebida nunca foram comprovados e o absinto é considerado atualmente como perfeitamente normal para o consumo.

Quem pretende conhecer mais sobre a história desta bebida, sua produção, proibição e volta a legalidade, deve fazer a ‘Rota do Absinto’ entre Pontarlier e o Val-de-Travers. Ao longo do passeio de quase 50 km, várias destilarias estão instaladas, e as trilhas pedestres e ciclovias levam os visitantes de aldeia em aldeia, contando a história desta bebida amaldiçoada e ao mesmo tempo fascinante. Não se deve perder a visita da Maison du Absinthe em Môtiers que propõe uma exposição permanente e ateliers culinários integrando o absinto. Os destiladores de absinto desta região estão sempre orgulhosos de apresentar suas produções. Várias possibilidades de restaurantes e de hospedagens são possíveis nesta rota. Que seja a pé, de bicicleta ou em transportes púbicos, o visitante tem diversas possibilidades que podem ser combinadas para dinamizar o seu passeio.

Por Jenna Colledan

A beleza e os encantos dos lagos suíços

A Suíça possui cerca de 6% das reservas de água doce da Europa. 4% da superfície do país é recoberta por rios ou lagos. Mais de 1.500 lagos são recenseados nesse pequeno país. Grande parte na região do jura e os outros, principalmente nos pré alpes e na parte setentrional dos Alpes. A maioria dos lagos suíços são formados à partir de antigas geleiras. O lago Léman, na fronteira entre a Suíça e a França – infelizmente também chamado de modo errôneo de lago de Genebra, é o maior lago da Europa ocidental.

Lago Léman

Já o maior lago inteiramente suíço é o lago de Neuchâtel (218km2).

Lago de Neuchâtel

Além dos lagos , a Suíça possui vários rios. Entre eles, dois grandes rios têm suas fontes na Suíça e desembarcam no mar : O Rhin, no mar do Norte e o Rhône no mar mediterrâneo.

Lago de Neuchâtel

Nos grandes lagos como o Léman e o lago de Neuchâtel ou Zurique, a navegação é intensa. Os cruzeiros partem com turistas encantados pela descoberta das regiões e a população local navega de uma costa à outra com facilidade. Os diversos restaurantes implantados na beira dos lagos propõem um cardápio local incluindo peixes da região como por exemplo, os famosos filés de perches, a bondelle, ou a fera.

Já os pequenos lagos ou lagos de montanha são pouco navegados e mais selvagens. Em alguns a navegação ou mesmo o banho é proibido. A descoberta é feita pelas trilhas ao longo das margens, com pequenas embarcações quando é possível, ou através dos esportes aquáticos. Um dos mais surpreendentes é o Lago Azul (Blausee) situado a 2.207m de altitude. A água pode chegar até 20°C no verão. Grrrrr… Ele é acessível com o teleférico de Riederalp-Moosflush e uma pequena caminhada de 15 minutos à partir da estação.

lago Azul

Outro lindo lago é o de Lioson (1.890m) no meio de um circo montanhoso cheio de charme tipicamente suíço.

Lago de Lioson

Mais acessível, o Lago de Joux é um dos maiores em superfície da cadeia de montanhas do Jura. Ele possui 9 km de comprimento e 1 km de largura. Durante o inverno, ele se transforma numa das maiores pistas de gelo naturais da Europa. No verão é o windsurf que toma conta do lago pois a região é muito ventilada.

Lago de Joux -gelado

Desde 1980 a qualidade da água dos lagos suíços melhorou consideravelmente. A proibição da utilização de fosfato na fabricação de sabão em pó e os progressos feitos na filtragem das águas residuais favoreceu a melhora da taxa de oxigênio nos lagos. Nos estudos feitos entre 2010 e 2015 sobre as espécies de peixes nos lagos pré alpinos, os cientistas encontraram 70 espécies predominantes de peixes. A maioria vivem em águas pouco profundas. Portanto, segundo a associação suíça de pescadores profissionais, hoje, os lagos suíços são muito limpos. Isso provoca a falta de fósforo, um alimento essencial para a sobrevivência de algumas espécies de peixes. Na realidade, as urinas contidas nas águas usadas, são ultrafiltradas. As consequências são catastróficas para certas espécies que já desapareceram das águas lacustres. O estrito plano de limpeza das águas dos lagos drenou o fósforo que não se encontra mais na superfície das águas. A pesca diminuiu nos últimos anos. Afim de reduzir a importância desse resultado, os pescadores profissionais propõe que somente 80% do fósforo das águas residuais sejam eliminados pelas estações de tratamento antes de serem despejadas nos lagos.

Pedalinho no lago

Que seja de barco,windsurf, kitesurf, vela, padle, mergulho autônomo, esqui náutico ou simplesmente com um pedalinho, qualquer pessoa pode partir para a descoberta dos lagos suíços. Para as pessoas que não praticam os esportes aquáticos, um simples calçado adaptado para trilhas, um calção ou maiô de banho, são suficientes para aproveitar do que os lagos e rios suíços podem ofertar – principalmente no verão europeu. As paisagens são deslumbrantes, dignas dos tradicionais calendários pendurados nas cozinhas dos nossos avós!

Por Jenna Colledan

Do cacau ao chocolate suíço

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Os primeiros povos a inventar uma bebida feita com favas de cacau, pimenta, gengibre e mel foram os mayas e os astecas. Essa bebida, chamada xocolatl, era considerada uma poção mágica e sagrada, provocando um sentimento euforizante com características afrodisíacas. Os espanhóis começaram a beber este elixir quando o vinho estava em falta e adicionaram outros ingredientes para que ficasse ao gosto deles. Herman Cortès, levou em 1527, as primeiras favas de cacau para a Espanha junto com a receita de preparo. A bebida espalhou-se rapidamente nos salões chiques da nobreza européia. Durante muito tempo, foi apenas uma bebida. As barras foram criadas na Suíça, quando foi implantada em Corsier-sur-Vevey, uma das primeiras fábricas de chocolates, por François-Louis Cailler em 1819. Em 1826, foi Philippe Suchard que abriu sua fábrica em Serrières (Neuchâtel).

No princípio, o chocolate era fabricado com uma base de pasta de cacau amarga, adicionada de açucar e outros temperos, porém, ainda não conseguia muitos adeptos. Foi Daniel Peter, empreendedor de Vevey que teve a genial idéia em 1875, de misturar a esta pasta o leite condensado fabricado pela Nestlé. Neste exato momento, começou a grande estória do chocolate suíço.

O chocolate é reconfortante e estimula a produção de endorfinas provocando um sentimento de alegria. Os suíços são os maiores consumidores de chocolate do mundo ou seja, 12 kg ao ano/pessoa. Podemos dizer que é uma população chocolate-addict. Parece que isto está escrito na genética deles. Na Suíça, várias atividades são feitas em torno do chocolate:

O spa termal ‘Les Bains de Lavey’ no cantão de Vaud, propõe cuidados especias para a pele, a base de chocolate. Seu corpo fica envolvido numa pasta de cacau durante alguns minutos, sendo depois exfoliado com sal dos Alpes.

A fábrica de chocolates Cailler à Broc, oferece um tour onde o visitante pode conhecer a estória de sucesso do chocolate e tocar, experimentar, sentir a matéria-prima, além de provar durante este tempo, as variedades de chocolates produzidas pela usina.

De maio a outubro, o trem do chocolate sai de Montreux até a região de Gruyères para um passeio que combina gouloseimas e paisagens gradiosas.

No inverno, de dezembro a abril, as trilhas pedestres das regiões do cantão do Jura e dos Três Lagos, oferecem um passeio entre enigmas e jogos de pistas finalizado com uma experimentação de fondue de chocolate.

O ateliê ChocoemotionS à Neuchâtel, instalado no antigo refeitório da fábrica Suchard à Serrières, propõe atividades em francês, inglês, alemão e italiano em torno do tema ‘Chocolate’. Catherine Vallana Margueron, anfitriã do lugar, recebe seus visitantes com muita cordialidade e profissionalismo, contando a história do chocolate desde a sua origem até os nossos dias. São ateliês que mexem com todos os nossos sentidos de maneira surpreendente. A mistura entre pães de chocolate e foie gras, vinhos da região e pepitas de chocolate, entre outros, é uma experiencia inesquecível para qualquer pessoa. Você pode fazer seu próprio chocolate suíço na Suíça!

Nem tudo é tão doce no mercado do cacau de hoje. Mais de 5 milhões de pequenos produtores cultivam o cacau no mundo em condições difíceis. Na Costa do Marfim, as famílas não chegam a ganhar 2 dólares por dia/pessoa e denúncias de trabalho infantil foram feitas. Aí no Brasil, 5° maior produtor do mundo, que exporta 90% da sua produção, a cultura do cacau perdeu sua relevância, porém continua a ser muito importante para a preservação da mata atlântica.

Por Jenna Colledan

A classificaçao dos países mais competitivos do planeta

Pelo nono ano consecutivo, a Suíça ficou no primeiro lugar dos países mais competitivos do mundo, segundo o estudo anual do WEF (World Economic Forum). A estabilidade das instituições, a qualidade das infraestruturas, as boas condições de ambiente macroeconômico, a prontidão tecnológica, a formação e educação em geral, a qualidade do sistema de saúde, as empresas de confiança e a inovação, são as principais qualidades que ela possui. Poucos são os pontos negativos, em particular, podemos citar uma burocracia ainda presente, certas condições do mercado de trabalho pouco aberto e a falta de mão-de-obra altamente especializada. Porém, os problemas do mercado interno são quase esquecidos em comparação a potencia das multinacionais.

Em matéria de competitividade, a Suíça tem uma enorme capacidade de inovação. Paradoxalmente a sua pequena grandeza territorial, a Suíça possui um avanço tecnológico surpreendente. Ela acolhe varias organizações de pesquisas cientificas, possui um mercado de trabalho flexível e capaz de atrair talentos do mundo inteiro.

O WEF diz-se preocupado com o sistema financeiro mundial que ainda não saiu do choque de 2007. Essa preocupação vem do fato que a quarta revolução industrial devera ter o apoio financeiro necessário para desenvolver-se. O mercado prevê um novo choque econômico que sera inevitavelmente acompanhado de percas de emprego e os investidores deverão ajudar os trabalhadores a suportar as consequências durante os períodos de transição.

Em regra geral, a economia europeia têm melhorado em inovação porém, a educação tem declinado. O resultado do estudo vem de uma parte de resultados estatísticos e de outra parte, de uma pesquisa de opinião feita entre 200 executivos, gestores e investidores. Na classificação deste estudo, a Suíça é seguida pelos USA e Cingapura. O Portugal ficou no 42° lugar, a China no 27° e o ultimo lugar, ou seja, o 138°, ficou com o Yemem. O Brasil, depois de 6 anos perdendo lugares, passou do 81° ao 80° lugar.

O Brasil, é visto como um dos países com a pior estrutura tributaria do mundo, e um Estado ineficaz. Porém, teve uma melhora de classificação, graças as diversas denuncias de corrupção, que mostram o desejo de mudança de sua estrutura. Para o WEF o Brasil “encerra assim uma longa tendência de queda e dá sinais de recuperação econômica e de competitividade”. O brasileiro é o povo que menos confia nos seus políticos. Neste item, ele aparece na 138° posição.

Por Jenna Colledan

Os desafios da Alemanha

O povo alemão votará no dia 24 de setembro afim de eleger um novo chaceler. A favorita, a atual  chanceler Angela Merkel, dada hoje como a mais poderosa mulher do planeta, estará de novo disputando esse cargo. Considerada como um personagem de moderação e decisão em toda a Europa, ela está no poder há 12 anos e opõe-se a todas as tentativas demagógicas no velho continente. Angela Merkel, antiga cientista da Alemanha do leste, faz parte da geração que conseguiu levantar o país depois da queda do muro de Berlim, do nazismo nos anos 30-40 e do comunismo até 1989. Ela é a primeira mulher chanceler da Alemanha e o primeiro político da Alemanha do leste a ser dirigente do país. Desde que ela chegou no poder, a senhora Merkel do partido da união democrat-cristã (CDU) simboliza o compromisso entre o passado e o futuro. A Alemanha cresceu. Portanto, v[arios desafios ainda apresentam-se ao País.

Em primeiro lugar, o desafio histórico. A queda do muro de Berlim em 1989 mudou o rumo da história. Adeus guerra fria. A Alemanha do leste e do oeste reunificaram –se com Helmut Kohl no poder, um europeísta que uniformizou a moeda e aumentou os impostos no oeste para financiar o desenvolvimento do leste, onde um terço da população estava desempregada. A mudança aconteceu com muita dor. A Alemanha teve que entrar numa reforma severa. Em seguinte, com o governo do canceler Gehard Schröder, as medidas drásticas como a diminuição dos subsídios do desemprego, da previdência social e da aposentadoria continuaram a imensa transformação da Alemanha. O país passou a ser a primeira potência européia e pretende continuar a ser a locomotiva que impulsiona todo o continente.

O desafio energético é um outro combate. O país possui ainda minas de cavão e é um dos mais poluentes do mundo. Ele ambiciona investir nas energias renováveis e conseguir em pouco tempo produzir 35% de sua energia por esses meios.

O desafio da imigração. Em 2015, a Alemanha recebeu 890.000 refugiados. 280.000 novos refugiados foram acolhidos neste país em 2016. A diminuição das entradas é sinal que as medidas tomadas pela Alemanha e pela União européia funcionaram. O fluxo migratório pode ser regulamentado e controlado. Porém, o objetivo é de absorver e integrar estes refugiados na economia de um país com uma população cada vez mais idosa.

Contudo, alguns entraves aparecem no que podemos quase qualificar de conto de fadas. A industria alemã de automóveis e o software que distorcia os resultados dos testes de emissão de poluentes, é um deles. O escândalo do diesel, como diz-se na Europa, fragilizou o poder da Alemanha e colocou Angela Merkel em maus lençóis. Seus adversários não perderam a oportunidade de criticá-la. Uma Europa em crise e um mundo instável, contribui para uma resposta aos seus opositores pois, Angela Merkel representa a estabilidade e o crescimento. O partido ‘Alternativa para a Alemanha’ (AfD), criado em 2013 e de extrema-direita, com o slogan dizendo ‘Merkel muss weg’ (Merkel deve partir), realizou nas ultimas eleições um crescimento eleitoral consideravel. Porém, seu principal adversário é Martin Schulz (pardido social democrata – SPD). Durante as férias de Angela Merkel, ele continuou a viajar pelo país com seu ‘Schulz live tour’ afim de recuperar o atraso nas sondagens. Ele acusa sua adversária de arrogância, de querer o aumento dos aluguéis, de não ter a mínima ideia de como assegurar o futuro dos aposentados e de preferir aplicar 2% do PIB na defesa, ao invés de investir no futuro do país.

O fato é que o senho Schulz não inspira a confiança dos alemães e que é tarde demais para redirecionar sua campanha. Isso, apesar que muitos alemães estarem decepcionados pois, Angela Merkel não propõe nada de novo no seu programa político e não deseja mudar nada no próximo mandato.

O país, herdeiro de uma história importante, começou a ver sua população orgulhar-se da sua bandeira nos eventos esportivos. Fato quase desconhecido por eles há algumas décadas. A Alemanha é um dos pilares da Europa, certamente o mais forte. A balança comercial tem um excedente de 250 bilhões de euros e a taxa de desemprego foi dividida por 2 desde que a senhora Merkel chegou ao poder. O gigante europeu que mudou a história, é hoje mais estável do que nunca e “com isso, ela continua humilhando de 7 x 1 !

 

Por Jenna Colledan

O maior salário mínimo do mundo !

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O povo do cantão de Neuchâtel votou. Depois de uma batalha jurídica, o salário minimo foi instaurado e entrou em vigor no dia 04.08.2017. Este é o primeiro dos 26 cantões da Suíça a aceitar legalizar o salário mínimo. Até agora, cada setor profissional instaurava sua própria tabela de salários por meio de convenções coletivas de trabalho (CCT). Com a introdução do salário mínimo neste cantão, um trabalhador que atua 42 horas por semana no seu labor deverá receber a soma de 3.640—francos (3.190 euros) no mínimo ou seja, um salário horário de 20 francos.

Em maio de 2014, o povo suíço votou contra um salário mínimo federal. 76,3% dos votos da população suíça foi contra a introdução de um salário mínimo de 4.000 francos. Poucas profissões não são regidas pelas CCT e o povo suíço não achou importante regulamentar o salário mínimo até agora. As CCTs determinam o direito a férias, a duração do tempo de trabalho semanal, o momento das férias, a obrigação de um seguro de perda e ganho em caso de doença ou acidente, as ausências justificadas, o salário da profissão segundo o tempo e a duração do contrato de trabalho, o salário segundo e a experiência, etc. São acordos feitos entre os patrões, os sindicatos e as associações trabalhistas. O povo do cantão de Neuchâtel, decidiu regulamentar o salário mínimo achando, contrariamente ao que diz o governo da Confederação Helvética, que a imposição desta medida não aumentaria o desemprego (3,2% na Suíça).

Não foi tão fácil chegar lá. A lei foi votada no cantão de Neuchâtel há seis anos, em 2011 e as organizações e entidades patronais lutaram contra esta medida nos tribunais até julho de 2017. Para o Tribunal Federal (TF) que julgou o caso, o salário mínimo é conforme o principio constitucional da liberdade econômica e do direito federal. Algumas exceções estão previstas para os setores da agricultura e da viticultura, assim como para as pessoas em aprendizagem que não serão favorecidas por esta lei. Será principalmente no setor terciário, na hotelaria e na restauração, que os salários deverão aumentar. No que diz respeito a igualdade de tratamento de remuneração entre homens e mulheres, ela está inscrita na Constituição suíça e na lei sobre a igualdade. Se constatadas discriminações salariais, o oficio federal da igualdade é competente para intervir no caso.

Outras iniciativas populares estão pendentes nos cantões do Jura e do Tessin. Nos cantões de Genebra, Vaud e o Valais, o voto popular já rejeitou projetos similares.

No resto do mundo, o elevado salário mínimo de 20 franços/hora (17,54 euros) do cantão de Neuchâtel provoca várias reações. Os jornais trouxeram manchetes como : O maior salário mínimo do mundo é suíço. Na França, a comparação com o salário mínimo françês (9,78 euros/h ou 1’480 euros por 35h/semana) foi inévitável. No Luxemburgo o salário mínimo é de 1’998 euros mensais para 40h/semana de trabalho. Portanto, a Suíça tem um alto nível de vida e apenas 1/9 dos assalariados ganham menos de 3.700 francos mensais. Segundo o Ofício federal da estatística, 1/5 das pessoas vivendo na Suíça não têm meios financeiros suficientes para superar uma despesa financeira extraordinária. E 1/8 da população é exposta a um risco de pobreza elevado. As pessoas que têm privações materiais são de qualquer maneira poucas (4%) com relação a média européia (13,3%). As famílias monoparentais, as pessoas sem formação e os estrangeiros não europeus formam uma grande parte desta população.

Por enquanto, os setores que devem aumentar seus salários estimam que eles terão grandes percas financeiras. Se elas serão suportáveis ou não, o tempo nos dirá afim que autras medidas de apoio a classe patronal possam ser introduzidas. A entrada em vigor do saláro mínimo no cantão de Neuchâtel estimula os patrões a serem mais criativos e organizados, também tentando lutar contra o fenômeno dos ‘working-poors’ ou seja, os trabalhadores que precisam recorrer as ajudas sociais extraordinárias para completar o orçamento.

Por Jenna Colledan

 

AS GRUTAS DO VALLORBE

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Na região de Vallorbe, na Suíça, à 30 minutos de Yverdon-les-Bains e perto da fronteira com a França, o rio Orbe perfurou durante milhões de anos, salas subterrâneas extraordinárias, formando um dos mais belos sítios de grutas da Europa. Porém, somente em 1964 elas foram descobertas e hoje, um terço das estalagmites, estalactites, cavernas e colunas naturais do sitio, podem ser admiradas pelo publico. No interior das grutas, o rio Orbe impressiona pela força das suas águas com um volume de varias dezenas de metros cúbicos por segundo.

Lac de Cristal

A descoberta das grutas do Vallorbe foi um puro acaso. Um grupo de espeleologos tinha por habito  mergulhar no rio Orbe. Um dia, um deles chegou atrasado e todos os outros já tinham saído da água. Um dos integrantes do grupo decidiu voltar e mergulhar com o retardatário. Durante o mergulho, eles saíram da rota comum e descobriram um sitio geológico impressionante, que tornaria-se uma das maiores atrações turísticas da Suíça.

Durante vários anos, a exploração das grutas continuou com muita discrição. Os espeleologos e cientistas incluídos no projeto, levaram para o interior uma tonelada de material afim de estuda-las detalhadamente. Cada sala descoberta recebia um nome como a Medusa ou o Bisonte, afim que as famílias pudessem chamar o socorro em caso de necessidade. Os exploradores iam cada vez mais longe. O objetivo era de compreender de onde vinha a água. Como todos sabemos, a espeleologia é uma atividade arriscada. Os acidentes não são raros. Portanto, a exploração das grutas do Vallorbe não apresentou dificuldades maiores. A ideia de fazer destas grutas um lugar turístico nasceu rapidamente e em 1974, dez anos depois da descoberta, o público pode enfim, e sem se molhar, penetrar nas galerias.

As grutas de Vallorbe são constituídas de magnificas paisagens de calcário escultadas pelo rio. Elas são iluminadas de maneira sutil ao longo do passeio. A espetacular “salle da Catédral’ de uma altura de 30 metros é valorizada com uma cenografia de som e luz impressionante. O percurso é muito seguro e apesar de vários degraus, é também bastante acessível. A visita livre das grutas dura mais ou menos uma hora e meia. Elas são abertas de 31 de março a 04 de novembro e a temperatura no interior das grutas é constante o ano todo, ou seja 10 graus.

Em 1992, quatro cúpulas foram especialmente organizadas para a exposição permanente Tesouro das Fadas, com mais de 250 minerais, pedras preciosas e semi-preciosas, foram trazidas, vindas de vários países, muitas provenientes do Brasil.

Por Jenilce Colledan

Creux du Van – Um verdadeiro espetáculo da natureza localizado na Suíça.

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foto: pt.depositfhotos.com

Situado a mais de 1.400

foto: pt.depositfhotos.com

Situado a mais de 1.400 m de altitude, o circo rochoso do Creux du Van é um anfiteatro natural localizado na Suíça. O penhasco circular formado de calcário na era glacial, proporciona uma vista espetacular do vale do Val de Travers – berço histórico do absinto, com suas pequenas aldeias dissimuladas entre as florestas. A formação do Creux du Van tem sua origem numa imensa erosão provocada pela separação de uma geleira local da geleira do Rhône. A infiltração de água provocou o deslocamento das pedras de calcário dando a forma circular da maior reserva natural e mais antiga do cantão de Neuchâtel.

foto: :pt.deposifhotos.com
foto: my switzerlan.com

Para fazer o tour do circo, o caminho beira o penhasco seguindo um muro de pedras rochosas certas vezes, há menos de um metro do precipício. Com 1400 metros de extenção e quase 200 metros de altura, ele constitue um síto ambiental muito conhecido nas redondezas e está no meio de uma reserva natural de 15,5 km2. Com uma flora artico-alpina, ele é o paraíso dos íbexes, cervos, jalvalis  e raposas, assim que dos aficionados pela natureza selvagem.

foto: simbania.wordpress.com

A abundancia das espécies primitivas conduziu as autoridades a planificar as zonas de proteção sensivéis afim de proteger a fauna e a flora. Considerado como paísagem de importancia nacional suíça, a agricultura, a silvicultura e o turismo pedestre são regulamentados com a intenção de desenvolver o turismo. O nome ‘Creux du Van’ (rocha vazia/oca) é o mais utilizado pelos internautas para obter informações sobre as posibilidades de caminhadas na região. Diversas medidas foram tomadas para sensibilisar os visitantes à beleza e à fragilidade do sítio, como por exemplo folhetos informativos e plaquetas indicativas dos caminos.

foto: my switzerland.com

De Abril à outubro, os restaurantes de montanha acolhem os visitantes das trilhas, os ciclistas e os automobilistas, oferecendo pratos simples porém, abundantes, compostos de produtos da região.

A beleza do sítio é portanto manchada pelos suicídios ocorridos no local. Os casos são frequentes e fazem as manchetes dos jornais quando acontecem. Neste país onde em um espaço  de 1 ano, 5.2% dos interrogados do estudo realisado pelo Office Fédéral de la Statistique suisseEnquête suisse sur la santé (ESS), dizem sofrer de uma depressão importante, o Creux du Van atrai pela sua grandeza, os indivíduos em busca de atos desesperados.

Culturalmente, na Suíça, apesar da grande dor que isso representa, o suicídio é considerado como um direito e que cada desejo de finalizar com a vida, deve ser respeitado sem julgamento moral. As organisações como Exit ou Dignitas que acompanham as pessoas até o suicidio assistido,  consideram este ato como o derradeiro dos direitos humanos. Mas, este trabalho é feito com muita precaução, tentando geralmente achar um outro caminho para o paciente. A determinação e a vontade de não continuar a viver sofrendo é predominante. É muito diferente do que podemos pensar no nosso Brasil. Entretanto, é também uma questão que traz muitos debates na Suíça pelas influencias múltiplas dos valores, crença, religião e das apreenções.

Você deve visitar o Circo do Creux du Van – principalmente se está de bem com a vida. A partir de lá, várias outras trilhas podem ser seguidas e a exploração é quase infinita.  A grandiosidade do local nos mostra como nosso planeta é belo, ela permite uma introspecção e revela como somos pequenos e paradoxalmente importantes no meio deste imenso universo.

Por Jenna Colledan

 

La Chaux-de-Fonds /Le Locle – exemplos do urbanismo relojoeiro suiço

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Em 2009, as cidades vizinhas de La Chaux-de-Fonds e Le Locle, situadas há mais de 1000m de altitude na Suiça, entraram para o patrimônio mundial da UNESCO. Elas são exemplos do urbanismo da industria relojoeira Suíça.

La Chaux-de-Fonds, fundada em 1656, foi destruída por um enorme incêndio em 1794 e reconstruída em quadrados para prevenir a insalubridade e garantir as construções destinadas a industria relojoeira.Após 1970, a cidade perdeu um pouco do seu carisma por causa da crise neste ramo. Porém, ela continua ainda hoje, a ser um polo industrial muito importante com empresas de renome estabelecidas na região tais como Cartier e Tag Hauer.

A cidade de La Chaux-de-Fonds ficou conhecida através do desenvolvimento da industria relojoeira desde o século XIX. Ela abriga o Museu International de Relojoaria com 4300 peças, 2700 relógios e 700 relógios murais. É a cidade natal do arquiteto Le Corbusier, do escritor Blaise Cendrars e do construtor de automóveis Chevrolet. O clima da região é bastante frio no inverno. Praticar esquí  aqui é comum. No verão, trilhas pedestres e bicicleta são as melhores opções de lazer. Um pequeno zoo no meio da cidade com entrada franca – o zoo ‘Bois du petit chateau’, também é bastante frequentado.

Já a cidade Le Locle é o berço da industria relojoeira suiça. Foi no início do século XVIII que o desenvolvimento nesta área começou. Segundo a lenda, Daniel Jeanrichard conseguiu consertar un rélogio vindo da Inglaterra e decidiu fabricar ele mesmo um outro relógio de bolso. Em 1705 ele abriu sua própria oficina de relojoaria dando início a industria relojoeira da região. A cidade conta com várias industrias neste ramo e quase toda a concentração econômica provém deste setor. Le Locle encontra-se perto da aldeia La Brévine – onde as temperaturas podem cair até – 41.8°C e fica na fronteira com a França.

Hoje, a aglomeração de La Chaux-de-Fonds/Le Locle constitue um polo de excelência e um centro econômico de grande importância regional. O território das duas cidades somam 78km2 e é pouco ocupado com apenas 50.000 habitantes. A imigração, que seja suíça ou estrangeira, tornou estas cidades lugares cosmopolitas onde vários grupos culturais vivem lado-a-lado. A arquitetura da região, que valeu o reconhecimento da UNESCO como patrimônio mundial, é particularmente diferente. Tudo foi feito em torno da industria relojoeira e das famílias que habitavam a região no século XIX. As ruas são paralelas, lembrando as grandes cidades americanas e os jardins na parte sul das habitações, fazem parte integrante das características arquitetônicas. Quando Karl Marx analisou a divisão do travail no livro O Capital, ele citou La Chaux-de-Fonds como exemplo de cidade-oficina pois organizada em torno de uma mono-industria.

O reconhecimento da UNESCO como patrimônio mundial, teve duas grandes vantagens para a região : a notoriedade das cidades cresceu e a população compreendeu que a relojoaria fazia parte da ADN deles. A auto-estima dos habitantes aumentou e eles estão mais confiantes no futuro. Eles sabem que nenhuma outra cidade da Europa parece com La Chaux-de-Fonds e Le Locle. Através de uma visita com um guia, você pode descobrir a história destas cidades relojoeiras ligadas ao desenvolvimento do urbanismo e descobrir a época em que os relojoeiros, atrás das janelas no sul dos imóveis, captavam a luz e trabalhavam sem cessar para fabricar mais da metade da produção de relógios do planeta.

Por Jenna Colledan

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