Fora do Tempo

Fora do Tempo

Ola gente ! Sou Jenna Colledan . Na coluna Fora do Tempo vou falar sobre Tecnologia, meio ambiente , integração, Clima , entre muitos outros temas . Moro na Suiça há mais de 30 anos. Sou funcionária pública e tenho uma equipe de 28 pessoas. Eu vou falar pra vocês como as coisas se passam aqui na suíça , na Europa , que diferenças se pode observar entre Europa e Brasil . Vamos la ? Conto com vocês para embarcarmos nesta aventura !

São João na Europa

No princípio, a festa de São João era celebrada simbolicamente no dia do solstício de verão, durante a noite mais curta do ano na Europa. De origem celta e germânica, nós também sabemos que o solstício de verão era comemorado pelos fenícios e sírios. Na Europa, os participantes acendem fogueiras imensas que eles acreditam ter virtudes purificadoras e benditas para a colheita, a fertilidade e a abundancia.

Apesar das características pagãs, o cristianismo recuperou esta festa para dedicar o dia 24 de junho a comemoração do nascimento do profeta João Batista. Hoje, a festa de São João na Europa, é a ocasião de comemorar em torno de uma fogueira e com fogos de artifício nas cidades do interior, a chegada do verão. Os casais saltam por cima da fogueira para pedir garantia que o amor dure o ano inteiro. As moças solteiras usam coroas de flores na cabeça como símbolo de virgindade. Dança e música fazem parte das festividades.

Em Torino, na Itália, o dia de São João é o dia do padroeiro da cidade e é comemorada com desfiles históricos e fogos de artificio. São João é também o padroeiro da cidade do Porto, em Portugal, e uma grande festa com fogos de artifício é organizada todos os anos e os habitantes se regalam com grelhadas de peixe e sopa de caldo verde.

Em certas regiões francesas, no dia 24 de junho, uma procissão é organizada e desfila pela cidade. Na Córsica, este dia é a ocasião de fazer o primeiro banho de mar do verão.

Salsichas, linguiças, maçãs do amor, são as comidas tradicionalmente presentes nas festas organizadas pelas aldeias .

Por Jenna Colledan

Creux du Van – Um verdadeiro espetáculo da natureza localizado na Suíça.

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foto: pt.depositfhotos.com

Situado a mais de 1.400

foto: pt.depositfhotos.com

Situado a mais de 1.400 m de altitude, o circo rochoso do Creux du Van é um anfiteatro natural localizado na Suíça. O penhasco circular formado de calcário na era glacial, proporciona uma vista espetacular do vale do Val de Travers – berço histórico do absinto, com suas pequenas aldeias dissimuladas entre as florestas. A formação do Creux du Van tem sua origem numa imensa erosão provocada pela separação de uma geleira local da geleira do Rhône. A infiltração de água provocou o deslocamento das pedras de calcário dando a forma circular da maior reserva natural e mais antiga do cantão de Neuchâtel.

foto: :pt.deposifhotos.com
foto: my switzerlan.com

Para fazer o tour do circo, o caminho beira o penhasco seguindo um muro de pedras rochosas certas vezes, há menos de um metro do precipício. Com 1400 metros de extenção e quase 200 metros de altura, ele constitue um síto ambiental muito conhecido nas redondezas e está no meio de uma reserva natural de 15,5 km2. Com uma flora artico-alpina, ele é o paraíso dos íbexes, cervos, jalvalis  e raposas, assim que dos aficionados pela natureza selvagem.

foto: simbania.wordpress.com

A abundancia das espécies primitivas conduziu as autoridades a planificar as zonas de proteção sensivéis afim de proteger a fauna e a flora. Considerado como paísagem de importancia nacional suíça, a agricultura, a silvicultura e o turismo pedestre são regulamentados com a intenção de desenvolver o turismo. O nome ‘Creux du Van’ (rocha vazia/oca) é o mais utilizado pelos internautas para obter informações sobre as posibilidades de caminhadas na região. Diversas medidas foram tomadas para sensibilisar os visitantes à beleza e à fragilidade do sítio, como por exemplo folhetos informativos e plaquetas indicativas dos caminos.

foto: my switzerland.com

De Abril à outubro, os restaurantes de montanha acolhem os visitantes das trilhas, os ciclistas e os automobilistas, oferecendo pratos simples porém, abundantes, compostos de produtos da região.

A beleza do sítio é portanto manchada pelos suicídios ocorridos no local. Os casos são frequentes e fazem as manchetes dos jornais quando acontecem. Neste país onde em um espaço  de 1 ano, 5.2% dos interrogados do estudo realisado pelo Office Fédéral de la Statistique suisseEnquête suisse sur la santé (ESS), dizem sofrer de uma depressão importante, o Creux du Van atrai pela sua grandeza, os indivíduos em busca de atos desesperados.

Culturalmente, na Suíça, apesar da grande dor que isso representa, o suicídio é considerado como um direito e que cada desejo de finalizar com a vida, deve ser respeitado sem julgamento moral. As organisações como Exit ou Dignitas que acompanham as pessoas até o suicidio assistido,  consideram este ato como o derradeiro dos direitos humanos. Mas, este trabalho é feito com muita precaução, tentando geralmente achar um outro caminho para o paciente. A determinação e a vontade de não continuar a viver sofrendo é predominante. É muito diferente do que podemos pensar no nosso Brasil. Entretanto, é também uma questão que traz muitos debates na Suíça pelas influencias múltiplas dos valores, crença, religião e das apreenções.

Você deve visitar o Circo do Creux du Van – principalmente se está de bem com a vida. A partir de lá, várias outras trilhas podem ser seguidas e a exploração é quase infinita.  A grandiosidade do local nos mostra como nosso planeta é belo, ela permite uma introspecção e revela como somos pequenos e paradoxalmente importantes no meio deste imenso universo.

Por Jenna Colledan

 

O efeito estufa nos Alpes Suíços

Foto: Jenna Colledan

Segundo o Centro Pro-Natura de Aletsch (maior geleira da Europa – 23 km, 128 km a mais de 4.000 m de altitude), entre 1905 e 2005, a temperatura aumentou de 0.74°C em média no mundo.  A geleira de Aletsch na Suiça, inscrita em 2001 no patrimônio mundial da UNESCO, perde anualmente 50 metros de comprimento.

Geleira de Aletsch na Suíça. Foto: Fenicelugano, via pixabay.

No início, a geleira diminuía lentamente porém, há alguns anos, a temperatura intensifica-se constantemente acelerando essa diminuição. Contrariamente ao que pensa o atual presidente dos EUA, os climatólogos afirmam que o homem modifica o clima com a emissão de gases com efeito estufa, principalmente o CO2 e o metano. As consequências são terríveis para o planeta: temperaturas mais elevadas, aumento do nível dos oceanos, ecossistema perturbado colocando em risco a vida de animais e vegetais, etc. Como o homem é a origem do problema, ele deve agir para diminuir esse estrago.

Os alpes Suíços revelam a olho nu os danos já feitos. A diminuição da cobertura nevosa dos alpes tem sido observada há mais de 50 anos e os estudos científicos mostram que as geleiras perderam 1/3 de superfície desde 1950. Os especialistas em climatologia afirmam que a neve vai retirar-se de 150m a cada aumentação de 1°C da Terra. A perda de neve nas montanhas vai acelerar o aquecimento e o solo montanhoso vai absorver cada vez mais os raios solares na sua superfície. A neve vai transformar-se em chuva, o que já vem acontecendo, e poderá provocar quedas de rochas,  muita lama além de causar múltiplos problemas para a agricultura e a pesca. Sem contar que as geleiras representam 70% da água doce do planeta e essa reserva diminui a cada ano que passa.

Foto: Jenna Colledan.

O que um simples cidadão poderia fazer para diminuir o efeito estufa no mundo? É muito difícil mudar o funcionamento de toda uma sociedade. Entre a consumação  de energias fósseis e a desflorestação, muita coisa poderia ainda ser feita no nível político. Porém, o cidadão consciente de sua responsabilidade pessoal, pode encontrar várias maneiras de contribuir a deixar o planeta em bom estado para as gerações futuras.

Dez dicas do que podemos fazer individualmente:

1. Consumir frutas e verduras produzidas localmente

2. Apagar as luzes nos cômodos inocupados

3. Optar pelo papel reciclado

4. Não deixar aparelhos elétricos em ‘stand by’

5. Praticar a Eco-condução

6. Colocar uma tampa nas panelas quando cozinhamos

7. Escolher lâmpadas LED

8. Reciclar objetos

9. Escolher a temperatura mais baixa possível da máquina de lavar roupas

10. Eliminar o gelo do freezer para diminuir a consumo de energia.

A Suíça, consciente de sua responsabilidade social e da importância de frear a emissão dos gases de efeito estufa e conseqüentemente  a diminuição das geleiras, confirmou no dia 07.06.2017, sua posição de empenhar-se em reduzir de 50% até 2030 a emissão desses gases. Um exemplo claro desta determinação, é o fato de que cada lar paga sua taxa de lixo de acordo com o número de ocupantes. Em algumas cidades, coletores de lixo possuem até uma balança para pesar os sacos. Sem contar que o próprio saco de lixo já é taxado, o que induz cada cidadão a refletir no que colocará lá dentro. Quanto mais pesado estiver o saco de lixo, mais caro ele irá custar.

A ideia é essa: Poluir ou não, você escolhe, é sua responsabilidade. E você? Antes que nossas reservas de água doce acabem-se, não acha que é tempo de pensar na sua responsabilidade com o nosso planeta?

Por Jenna Colledan

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