Não mais estamos num simples período de eleições, tudo agora volta-se para o divertimento entre cidadãos que, com seu título de eleitor, deleitam-se numa arquibancada. Vislumbram seus candidatos, verdadeiros guerreiros que golpeiam-se verbalmente como lanças afiadas em certeiro alvo. A plateia vai ao delírio, marcado por embates que ultrapassam o senso de empatia e, até mesmo, a importância da vida.     Antes, voltemos nossa atenção para o maior símbolo do império romano, seu enorme anfiteatro, mais conhecido como Coliseu. Sua construção foi iniciada no ano 72 d. C, por ordem do imperador Flávio Vespasiano. A morte era o trunfo de um divertimento insano, a luta que só tinha fim no exato momento que o sangue era observado como simulação de uma estranha piscina. O coliseu, nome pelo qual ficou conhecido, apareceria segundo especulações de historiadores, centenas de anos depois, talvez no século 11. Este Coliseu, agora, ressurge em sua magnífica forma nas rodas de amigos, nos bares em finais de semana. O Coliseu, em sua contemporaneidade, é fragmentada em pequenos locais diferentes com o mesmo espetáculo horrendo.

Coloquemos de um lado os candidatos de um espectro político progressista. De outro lado, defensores de uma bandeira conservadora, diante de uma enorme plateia de ignorantes e famintos por confusões em diálogos rebeldes. Estes mesmos candidatos se enfrentam mediante seus apoiadores. Ao contrário do Coliseu histórico onde homens lutavam contra feras – leões, principalmente –   este novo Coliseu, com seus guerreiros escandalosos, treinam suas feras em jargões e invocações. Os que gritam “mito”, agora, veem-se armados para executarem os que proclamam “pai dos pobres”. Este Coliseu, ao contrário do passado, não é motivado por recompensas ligadas ao fato de continuar vivendo, este espetáculo é motivado ao prazer de fazer-se sofrer e evidenciar sua idiotice, até então, escondida. Este Coliseu passa por reformulações. Ninguém vive. A plateia é, ao mesmo tempo, cobaias de guerra sem treinamento, protegem seus guerreiros. Guerreiros estes que, após uma vã luta – o que não é em vão para os mesmos-, nada ganhará em troca.

Analisando todas as consciências destes candidatos, observa-se o ambicioso projeto não de popularidade, afinal, o bárbaro ou o guerreiro sedento de brutalidade, nunca terá em mente ser o preferido. O guerreiro político mostrará interesse pela preferência de seus apoiadores e, deixando claro, preferência nem sempre é popularidade que é focado em alguma plena consequência. A preferência por algo é motivada pelo almejar em ganhar algo para si, e não para os outros. O nosso Coliseu, como mostro nesta coluna, é o palco perfeito das hipocrisias como ferramentas de luta. Numa luta, espera-se confortáveis vestes para o embate. Neste caso, é implícito o despir de qualquer virtude, com o nu da perversidade do homem que diverte outros indivíduos.

Este nosso Coliseu poderia ser considerado como uma droga viciante e delirante, quanto mais se participa neste espetáculo, mais o desejo de continuar nele e ser protagonista permanece. Numa linguagem mais fácil de exemplos, oferto a seguinte reflexão: Se a político é conhecida como ambiente de corruptos, ou seja, se teria uma péssima popularidade, por qual motivo ainda querem ficar neste mesmo ambiente? Por qual motivo preferem? Entender a política e seus políticos, é inicialmente entender a sórdida diferença entre o desejo pela popularidade e outro pela saciedade da preferência em algo que determinado indivíduo quer. Neste Coliseu dos mais variados guerreiros, todos perdem achando que ganharam. Este Coliseu, ao contrário do histórico, é estipulado sua destruição por completo, ainda que ele tenha resistido mediante quem o defende sem qualquer retorno mínimo de dignidade.

Por Lucas Nelson

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