TODOS MENTEM:

Ainda que verdadeiro, carrego em mim falsidades de toda uma trajetória de vida. De minha boca, educada pelos desafios da dialética, se é possível manifestar o poder dos sentidos. Tudo o que de minha boca sai, sairá, esta condenada ao tormento da inverdade.

Lábios meus que ousam encontrar-se com estrangeiras, vestem o manto da perfeita invisibilidade. Todas as minhas palavras são protegidas de seu próprio efeito e, severas armas que desencadeiam consequências penosas ao carnal de um coração esperançoso. Toda minha sinceridade, representa o obscuro de minha própria secura para com os infinitos oceanos alheios.

Por certo, todo o meu toque já sem o temível gesto de firmeza, meu pálido rosto já sem expressões coloridas e minha sombra já sem a normalidade do reflexo, descrevem que em mim não se é possível achar conformidade e estabilidade. Ainda que verdadeiro possa consagrar minhas mentiras, nem mesmo eu sei qual o relevante serviço que presto ao meu julgamento, e a minha condenação.

Sozinho, grito silenciosamente e segurando punhais de consciência, sangro em minhas mãos nuas e descartáveis. Visto minha melhor composição em todo fugaz momento de comunicação com os estranhos de meu mundo. Sorrio numa amostra de meus dentes que desejam fervorosamente devorar a saciável podridão de um outro indivíduo. É como se eu não quisesse nada e, ao mesmo momento de minhas incertezas, eu demonstrasse apreço tão unicamente por levianos passatempos que a vida encarregara de me dar, na busca de adestrar meu tédio.

Meu abraço não é mais único. Meu dedos não mais passeiam pelos respeitosos corpos de outrem, e minha vida não mais satisfaz as perspectivas da negatividade. Minha única ambição, contudo, é proclamar palavras de hálito fresco.

RELACIONAMENTO PERFEITO:

Existe algo mais atraente que a própria fidelidade? Sim, existe. Tão certo é contido na vida de amantes o desejo de logo amarem-se como nunca, viverem juntos como se isto bastasse para uma alegação final ao último suspiro, nesta terra tão breve. Corpos andam juntos, estão sintonizados, contudo, ao corpo o desejo, e a mente a notória ambição.

Todo dito amor essencial não está livre de amores contingentes, ainda que julgamos o direto desejo para a indiretamente tentação. Viver em comunhão com o outro, ou a outra, faz-se entender que tão logo sua cumplicidade se espalhará para o pleno gozo de novas e experimentadas relações secundárias. Amar seu companheiro ou companheira, é simplesmente livra-se de um julgamento em cela e viver preso numa fiscalização de cumplicidade e franqueza. Aos amantes do mundo, apenas existam. Aos ditos infiéis das galáxias, aproveitem todos os seus amores idealizados e compartilhados. Nada deve nos bastar… Queiramos tudo.

 ARREPENDER-SE, DE QUÊ?

Todo homem, em seu desejo para si próprio, na mente arquiteta a ambição de uma transcendência. Ao homem carnal, viver é dar sentido ao divino que lhe compensará, mais tarde, quando for sanado e tirado de vez sua identidade na incorporação de uma outra.

Contudo, ao homem carnal, seu livre- arbítrio não existe. Não existe, pois, não se faz dela uma alegria para o bem querer fazer algo programado. Para o carnal, existe apenas a liberdade privada até mesmo do que ele julga como sentido perfeito. Viver sua liberdade, é tornar-se pequeno num grande conjunto de aspirações que cruzam o poder das escolhas ao poder da satisfação. Não se julga uma vida pelo que ela projetou, mas por uma vida que repetidamente experimentou seus prazeres, sem qualquer remorso.

Para uma vida tão breve. Faz-se do intenso a última e única alegação de um pecado atraente e longe de qualquer arrependimento. Se vives… Viverás muito mais quando o seu único arrependimento é não arrepender-se. E uma vez sem arrependimentos, sua carne já podre se reinventará até quando sua repetição atraente lhe permitir.

Se vives… Terás que pelo breve o único intenso, que sem arrependimentos, lhe permitirá dar gozo ao que você julga como prazeroso. Detestável para muitos, mas ao seu gosto o ímpar das sensações.

 AFORISMOS:

Não me torno aquilo que sou. Eu apenas construo o que quero ser. E a oportunidade ideal de ser o que posso ser é, agora, ser capaz de reinventar toda a aparente taxação final do que fizeram de mim e até mesmo do que penso sobre a concordância ou não desse feito.

O Céu é um individual coletivo.

No fundo, a minha ótica de mulher seja a perfeição, enquanto que por sermos todos normais, construímos um hábito pouco comum, o de amar sem regras convencionais.

Por Lucas Nelson

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