A Próxima derrota territorial do Estado Islâmico será em Raqqa. Quem assegura são os combatentes das Forças Democráticas Sirias (FDS), que combatem, entre o apoio de USA e a ameaça da Turquia, para expulsar os radicais desta cidade. Raqqa é menor que Mosul. Contudo, deve ser o alvo de um grande combate.
A retomada de Mossul pelas Forças Armadas Iraquianas, com o apoio da coalizão internacional liderada pelos EUA, é um feito e tanto. O Estado Islâmico viu sua maior conquista militar ser dizimada, e o sonho de um califado islâmico foi destruído.

Mas nada disso significa que a maior organização terrorista que o mundo já viu esteja ameaçada. Ao contrário. As chances do grupo se fortalecer ainda mais na vasta área de deserto entre os rios Tigres e Eufrates são enormes. O EI, a partir de agora, perde as características de um proto-Estado que chegou a ter o tamanho da Grã-Bretanha e controlou quase 10 milhões de pessoas, mas pode reforçar a aura do grande protetor dos sunitas oprimidos.

Foi assim que ele nasceu e se fortaleceu. O EI é, antes de tudo, resultado da guerra sectária que tomou conta do Iraque após a queda de Saddam Hussein (1937-2006). Em última análise, é uma revolta sunita contra os abusos, as revanches e a opressão dos governos dos EUA, que viam em todo sunita um potencial apoiador de Saddam, e de Nouri Al Maliki, o político xiita alçado ao poder em Bagdá por Washington.

Por Patrícia Cassemiro

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