Me é possível perceber duas formas em que um indivíduo pode adquirir fama. A primeira forma está no êxito de seu trabalho embutido no reconhecimento que recebe de outros indivíduos. A segunda forma, está no conhecimento adquirido e causado, principalmente, por seus opositores. A primeira forma de fama luta para que seu reinvento seja eficaz no combate ao seu possível esquecimento. Assim, o esquecimento seria uma consequência fria da primeira forma de fama.

A segunda forma de fama, ao contrário, não passa pelo anonimato como inicial nascimento e identidade priori da primeira forma, mas luta pela não correspondência do inverso ao que lhe é dado. Ou seja, não se luta para nunca cair no esquecimento, pois indivíduos que usam da segunda forma já vieram do próprio esquecimento. Reconhecimento e conhecimento, ambos os lados, formulam um ciclo necessário.

Para a segunda forma de fama, o esquecimento se divide em dois, a fase inicial que já foi superada quando seus opositores lhe advertiram, e o segundo traço de seu esquecimento, seria o ato de uma superficial amnésia que seus opositores fazem após determinadas atitudes que influenciam na remodelagem de novas ações que o indivíduo da segunda forma de fama utiliza. O indivíduo da primeira forma de fama sempre será reconhecido, pois o conhecimento não será critério de relevância já que o mesmo conhece suas potencialidades para cair ou não em esquecimento. A segunda forma de fama, sempre será vista sob luzes de protestos pelo reconhecimento que outros indivíduos fazem dela por uma amostra positiva ou negativa que se recebe advindo das interpretações. Jacques Lacan afirmava, “Você pode saber o que disse, mas nunca o que outro escutou.”

Judith Butler, supostamente apontada como a criadora da “ideologia de gênero”, se utiliza de uma prévia interpretação do que o referente outro pode filtrar, numa espécie estranha de “adivinhação de efeito”. Sua real intenção consiste na impregnação de seus ideais sob as luzes dos protestos que fazem do mesmo em subsídios que ela própria cria para ocultar seu foco principal. Ela não teme o esquecimento, pois de lá saiu e não mais poderá voltar pela dimensão que tem sua obra entre simpatizantes que compartilham agrados, e por seus adversários que difundem seus pensamentos. Ela somente poderá temer, se possível for, o não peso que seus atos podem ter nos diferentes graus de combatentes e adversários.

O primeiro indivíduo que se utiliza da primeira forma de fama, cai em desgraça pela mesmice que gerará o vazio de seus atos e visibilidades, que seria justamente o esquecimento, aqui tão debatido, caro leitor.

O indivíduo que se utiliza da segunda forma de fama, cai em desgraça, pelo sufocamento que recebe diante do aumento de seus antagonistas. Contudo, diferente dos primeiros adversários, estes, devem ser portadores de uma cegueira plena e de uma surdez cautelosa.

Até mais!

Lucas Nelson

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