Uma casa. Um sofá. Silêncio. Silêncio na casa.

Tão longe como tão perto, seus olhos brilham. Mas percebo que seu brilho ilusório justifica toda uma outra ilusão aparente de felicidade. Olhos, seus olhos que possuem uma camada de células no fundo, no fundo de seu olho. Quieto e adorado desde os primórdios dos primórdios – O criador primeiro o criou.

Num momento de instantes a casa imaginativa, a casa de sonhos vai ficando escura, escura, escura. E aquele gato, aquele pobre gato parece ocupar-se de uma tranquilidade estarrecedora. O gato simplesmente não move sua pata que em milênios reencarnou nas primeiras primaveras. O gato peludo mutila-se pintando seu pelo alvo, engolido pelo escuro de luzes. O gato então mia num socorro ao invisível, o invisível até para o inexistente. O que se pode ver não se vê mais e, seus olhos lutam contra o pouso de um fato. O fato morreu sem esperanças de complementação. O gato mia mais uma vez na chegada de seu dono que estremece sua face beijando o gato com seu pelo em fatias. Os dois irmãos olhavam-se atentamente.

Observo os dois lado a lado. Seus olhos não se cruzam em momento algum, seus olhos cortam e captam outras luzes. Pousa-me uma dor incessante que antecede todo o instinto do mistério. O mistério existencial em que o incerto limita uma previsão de sete vidas. Vida, a vida não existe, pois o gato não quer que exista. O gato deixava laços de gatos dos gatos da gata vizinha. A vizinha muda que não denunciava as traquinagens do gato. O gato apenas sem distinguir cores. Estava lá, olhando friamente a parede cheia de quadros.

Seu dono comungava de carinho. Não. Ele mendigava carinho que o gato não mais podia lhe dar. O gato estava egoísta, frio e terrivelmente calado. Seus dentes caíram, sua boca foi costurada, seus olhos foram arrancados do véu da inocência. O gato não podia mais ver? Eu era o gato? O gato não existia, pois o gato era um gato sem importância. Eu olhava atentamente suas orelhas nervosas e atentas para os sons. Noticiara sua vida- mas o gato não existe e nem faz questão de existir. – Está lá por um acaso abstrato. Um caso de acasos sem teoria, sem explicação. Sem um princípio definido que poderia até explicar minha ignorância. O gato mesmo sem existir escuta. De repente, tudo fica claro mais uma vez. A casa, porém, silenciosa ficou desde o começo da criação do mundo.

O gato pari outros lindos gatos de pelos formosos.

Aqueles outros gatos do gato cego, miam numa orquestra perfeita. Infelizes. Eles miam como morrem. E sua morte multiplica outros gatos, pois a vida não importa multiplicar. A vida é um fardo para o além. A vida é um ponto entre dois outros pontos extremos que captam e deixam-se rasgar pelas afiadas garras do gato. O gato esfola a vida. O gato esfola-se. O sofá vai sendo trocado de lugar. O dono e o gato levantam-se e caminham juntos pela casa silenciosa. Atravessam paredes de carne e abrem a geladeira de sentidos vermelhos, de almas que ali ficaram presas por tempos remotos. O tempo passou e ficou diante do gato e de seu dono. Tempo e vida. Vida e tempo. A vida é o tempo casado com a vontade de viver. O gato lambia-se desafiando as costuras sem qualquer tipo de motivo. O dono chorava, pois eu estou chorando numa irritação em um plágio imperfeito de mim mesmo.

O dono chorava – Pois eu choro também. – O tempo estava com pressa em buscar a vida. A vida realmente existe? O gato estava baleado pelo destino que lhe foi entregue. O gato suspirava ao chegar de uma pontiaguda manifestação do tempo – Eu suspirava. – O gato estava nervoso, pois eu também estava nervoso. Seu dono lhe pegara pelo braço – Eu estava preso. – O gato sem reação descobriu o mistério da vida – Pois eu era a esperança de anciões que buscavam pelo olhar felino algo profundo- A vida suspirou e, de repente, viu-se em bombas atômicas. As novas bombas sem qualquer tipo de poder de morte em massa. A vida matava o gato pouco a pouco. Era o seu fim? Eu cheguei ao fim de meu fim. O dono fechava seus olhos. Eu me prendia de dor, eu estava com um dor por descobrir o mistério da vida. Mas a vida só pela morte pode ser explicada. E o gato explicou de forma única. O gato sabia que ali era o fim de seu reinado. O gato miou como num grito de escravos em clamor da liberdade. E para o gato realmente poder viver,

seus olhos. Eu me prendia de dor, eu estava com um dor por descobrir o mistério da vida. Mas a vida só pela morte pode ser explicada. E o gato explicou de forma única. O gato sabia que ali era o fim de seu reinado. O gato miou como num grito de escravos em clamor da liberdade. E para o gato realmente poder viver,

O gato morreu. E eu… Eu morri.

Por Lucas Nelson

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