A escalada verbal entre Estados Unidos e Coreia do Norte subiu na terça-feira. O presidente, Donald Trump, respondeu às últimas ameaças do regime de Pyongyang com uma declaração violenta e alarmante: “Será melhor que a Coreia do Norte pare de ameaçar os Estados Unidos”, disse ele a repórteres de Bedminster, Nova Jersey, ou “vai se encontrar com uma fúria e um fogo jamais visto no mundo”. Trump é sempre excessivo, febril, na política interna e na externa, só que agora seu interlocutor é Kim Jong-un e o assunto tratado, as armas nucleares. Trump, até agora tinha usado um tom acima do de Barack Obama contra o regime, às vezes desafiador, como quando se gabava do poder de seu exército e advertiu a Kim Jong-un que ele estava “procurando problemas”. Mas na terça-feira agarrou o lança-chamas ao sugerir a possibilidade de uma ação militar contra o regime norte-coreano. “Ele esteve fazendo muitas ameaças, mais do que o normal”, disse referindo-se ao líder norte-coreano e “se encontrará com fogo e fúria e, francamente, um poder de uma magnitude que nunca foi visto antes neste mundo”, enfatizou.
A escalada verbal ocorre como resultado das duras sanções econômicas que o Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs contra o regime norte-coreano, com a bênção da China, graças à pressão de Washington. A penalização vai cortar em 1 bilhão de dólares as receitas por exportações do já isolado país. Um editorial do jornal estatal norte-coreano Rodong Sinmun, publicado no domingo, mas escrito antes dessa resolução da ONU, ligava o alarme ao prometer transformar os Estados Unidos “em um mar de fogo inimaginável” caso as sanções fossem aprovadas e Washington optasse pela via militar.
A troca de ameaças preocupa os aliados dos EUA. O novo Governo Trump questionou várias vezes a política de “paciência estratégica” com a Coreia que foi uma característica da era Obama, levando em conta a proliferação de testes balísticos que o hermético país empreendeu no último ano. As sanções da ONU ocorreram depois que Pyongyang anunciou em 4 de julho que tinha testado com sucesso um míssil balístico intercontinental e no dia 28 do mesmo mês lançou outro míssil que atingiu águas japonesas.

Por Patrícia Cassemiro

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