Me parece que quando somos jovens, tudo é um imenso mundo de sonhos ilimitados que, apenas por um toque, poderá se tornar realidade. Sim, um dia virará. Contudo, quando adulto já somos e, ao final de uma xícara de café, percebemos que a realidade que tanto construímos com lágrimas de orgulho vai desmoronando. É como se mais real fosse um destino apocalíptico do que um arrebatamento em terras aparadas. Tudo é realmente imprevisível. Afinal, eu sou um conjunto de complexidades que se reinventam há cada dia, em cada instante.

As vezes paro para pensar se seria possível alguém tirar sua própria vida pelo simples fato de tudo parecer bom, harmônico, tranquilo e estável. Loucura minha, não é mesmo? Tudo bem, pode ser uma dose de loucura mesmo, mas nada é totalmente impossível que não fosse provável dobrar a língua para a palavra “nunca”. Concordam senhores? Mas quais seriam estes tais senhores? Esqueça, tudo é fruto de minha mente, criaturas não identificadas de meu mundo ainda nem descoberto pelo seu criador, eu. Se minha pessoa pudesse brincar de ser Deus por um dia, que estrago na brincadeira poderia ser cometido por mim. Eu só quero mesmo saber até onde minha realidade permite voltar a ser sonho. Eu construí um mundo doente.

Morrem por causa das faltas, por causa do simples dantesco e eu queria apenas saber se é possível morrer quando tudo parecer perfeito. Na verdade, um questionamento leva sempre para outras dúvidas, incertezas na verdade. E se eu fosse imortal, como seria a experiência de alguém que sempre experimentará a mesmice? Particularmente falando, carrego em mim um cálice cheio de vinho ao seu objetivo que seria o derramamento. Um verdadeiro desperdício. Mas o que realmente é verdade neste mundinho tão insano? Será que não posso ser mentira tentando acreditar que a verdade é melhor pra mim, pois é justamente o oposto que sou? E se eu fosse a verdade, será que realmente eu gostaria?

Calma, muita calma.

Calma em quê?”

Quieto, não ouse sequer transformar meus neurônios em torradas baratas. Não valerá a pena.

O que realmente vale a pena para você?”

Para mim? E para você?

Eu sou você”.

Mas por qual motivo os homens procuram seguir sua consciência, avaliar sua intuição e não conseguem dialogar com sua própria alma?

Consciência? Consciência? Onde está você? É, resta-me apenas o silêncio mesmo do que deveria mais me ajudar. Estranho não é mesmo, saber que somos existentes em busca de algum significado. Mas tudo que eu queria era realmente mudar minha realidade para um belo sonho. Era realmente tudo o que eu queria e, não tenho outra saída que não seja escrever para desabafar todo um suposto conflito que tenho comigo mesmo e com o mundo. Dois mundos. Este que vivo e outro que ouso criar. Vou colocando tijolos sem planejamento e telhas sem estrutura.

Já que não tenho outra escapatória, é o jeito brincar de ser criatura. Eu poderia querer ser Deus mesmo, mas é complicado ter poderes além de sua ambição efêmera.

“Eu prometo ser um sonhador imprevisível e adepto das interrogações nesta trilha chamada vida.”

“Então você quer ficar mesmo na condição de criatura?”

Ah, então você resolveu aparecer…

Sempre estive aqui”

Então me responda apenas uma coisa e me deixe seguir com outras dúvidas, tudo bem?

Tudo bem”.

Por qual motivo minha mente nunca descansa?

Se ela descansasse, você morreria sendo Deus.”

Por Lucas Nelson 

 

 

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