filósofo Albert Camus

Visto num ponto comum, é colocado o intelectual como um ser que desempenha a importante função de produzir pensamentos, adotar um satisfatório senso crítico que, permite clarear a mente dos outros existentes para o que acontece em sua época, bem como avaliar episódios passados para, como muitos creem, entender o que nos cerca. O intelectual é, antes de tudo, alguém engajado, pois assim deveria ser. O intelectual é a bússola para os viajantes que, perdidos ou não, querem apenas ter a sensação de glorificar sua missão chegando ao destino final, honrando seu objetivo.

Todavia, parece-me oportuno frisar a devida observação de que o intelectual é um ser ambicioso, não para si, mas pelo o outro. O intelectual, quando engajado com suas convicções, apenas ousa criar rede para que, prendendo o peixe, faça-o aprender a manusear facas para cortais as tais redes e até mesmo esquartejar quem os prendeu, ou seja, o intelectual. Sinto que minhas palavras são fortes, sinto ainda que o entendimento para tal assertiva que faço não tenha ficado claro, como assim almejo. Quero apenas resumir o seguinte ponto numa única frase: O intelectual é alguém que será apunhalado por quem mais ama, e morrerá com um sorriso esplendoroso. Talvez pelo simples motivo que o engajamento de um intelectual seja a individualidade de quem os cerca para construir sua totalidade, ou seja, sua imortalidade. Ainda mais por outro fato, o fardo dos mestres que tão somente sabem que serão superados pelos seus seguidores.

Certa vez ao me perguntarem qual deveria ser o primeiro livro do Nietzsche, filósofo alemão, à ser lido, respondi pessoalmente com um obra em questão. Minutos depois apareceu-me esta mesma pessoa carregando uma mensagem de uma outra pessoa que carregava em suas palavras outra obra, também conhecida por mim, mas que ficava na terceira linha de minha preferência em questão. Passou-me então a irônica atitude deste ser que ao terminar suas palavras, concluiu que elas vinham de uma recomendação conhecida e validada por um dito intelectual, com certeza mais influente e conhecido que este que vos fala, falara sobre a importância de minha boca permanecer calada para não chocar com a recomendação do intelectual conhecido e, manifestado pelo compartilhamento desta outra pessoa. Aqui trago um questionamento, perturbador ao meu ver quando encara-se com preocupação os rumos da nobreza do engajamento. Pode um dito intelectual querer ter sua totalidade não ultrapassada? Não fico satisfeito em levantar um único questionamento, trago, então, outra pergunta: Pode alguém não ter ambição suficiente para fazer história entre aqueles que já se dão por encerrados?

Queres ser um intelectual? Pois muito bem, vista-se, beba água e pelas ruas saia divulgando pensamentos, mas principalmente, construindo pessoas que lhe ouvem, despertando nelas a ambição de lhe ultrapassarem, de refutarem o que aprenderam. Não só cabe ao intelectual expandir horizontes, mas também dar poder ao seu seguidor, afim de construírem uma nova terra, um novo éden, o que estes seguidores farão com tal poder, só estes mesmos sabem. Entretanto, sua parte foi concluída com sucesso.

O intelectual fala para as massas no sentido de provocar e chocar senso crítico já falado por mim, porém só para a mínima parcela ambiciosa, é que o intelectual constrói sua bomba relógio. Rebelde porque deve partir de quem ouve o interesse em traduzir o que se fala, complacente, pois, uma vez que decifram, agora será ensinado ao modo de produzir novas falas e deixar mais incógnito o que o intelectual proclamou. Prestem atenção a si mesmos, vejam-se neste exato momento e percebam a avalição que estão fazendo para si mesmos. O EU agora manifesta-se com mais evidência, o EU agora quer falar, quer ser ouvido, mesmo que não seja entendido, mas quer que prestem atenção. O EU quer não somente sentir, mas ser sentido. O EU quer ousar saber mais do que aqueles considerados sábios, o EU quer produzir e não meramente reproduzir conceitos prontos. Querem ser autônomos, independentes, livres. Porém, antes da liberdade deve-se o poder da ambição, antes da ambição, o EU apenas é.

Jean-Paul Sartre, filósofo francês existencialista, certa vez disse na sua conferência “O existencialismo é um Humanismo” que virou livro para alegria de muitos: “Eu sou obrigado a escolher uma atitude e, de qualquer modo, sou responsável por uma escolha que, ao me engajar, engaja também a humanidade inteira”. Trazer o EU para o mundo, é construir lacunas para o NÓS que, será retirado partes eloquentes ao seu modo de vivência, sem plágio, sem cópias, apenas doces inspirações. Através dos seus atos, ensine uma pessoa a correr, ensine pela ambição que ela pode correr mais do que qualquer atleta e, que esta mesma pessoa ensinará outras pessoas a lhe superarem. O homem é caneta e seu próprio corretivo. É este o papel do intelectual, é este o papel de quem quer ser intelectual. Não trago uma boa nova para o enfretamento das questões sociais, trago a mensagem de ambição individualizada, aparentemente, mas coletiva para a credibilidade de minhas palavras. Não cabe guiar as massas, nem mesmo movimentar poder as massas, mas fazerem as massas ambicionarem. O principal papel do intelectual não é um engajamento político ou social, é antes de tudo um engajamento de construção de poder, e não união. É antes de tudo um engajamento rebelde, um engajamento não totalmente de mentes abertas, mas de mentes desconstruídas de antigos valores que carregavam. Quer vencer? Aprenda a não somente perder, mas como juntar suas ambições com a realidade que está movendo sua personalidade. Quer parar de chorar? Aprenda a não somente sorrir, mas como cair em lágrimas e saber mudar o objetivo delas. Quer ser um intelectual? Aprenda a estar preparado para sua morte. Melhor, ou até mesmo pior para alguns, aprenda a preparar um assassino para sua morte. Nunca ensine alguém a saber, ensine alguém a ter ambição em querer saber mais do que aquele que sabe e repassa o que sabe. Ensine pessoas a serem apunhaladas sorrindo, quando estas mesmas pessoas ensinarem outras. O fardo de um mestre é ser superado pelo seu discípulo, o fardo de um intelectual é cair em decadência mediante a construção de outro intelectual. Mas trago um otimismo, é na sua decadência que encontra a imortalidade. Eu estou esperançoso por saber que alguém um dia provocará minha queda, para lograr meu êxito em minha eternidade.

Por Lucas Nélson 

 

 

 

 

 

 

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