Em 2009, as cidades vizinhas de La Chaux-de-Fonds e Le Locle, situadas há mais de 1000m de altitude na Suiça, entraram para o patrimônio mundial da UNESCO. Elas são exemplos do urbanismo da industria relojoeira Suíça.

La Chaux-de-Fonds, fundada em 1656, foi destruída por um enorme incêndio em 1794 e reconstruída em quadrados para prevenir a insalubridade e garantir as construções destinadas a industria relojoeira.Após 1970, a cidade perdeu um pouco do seu carisma por causa da crise neste ramo. Porém, ela continua ainda hoje, a ser um polo industrial muito importante com empresas de renome estabelecidas na região tais como Cartier e Tag Hauer.

A cidade de La Chaux-de-Fonds ficou conhecida através do desenvolvimento da industria relojoeira desde o século XIX. Ela abriga o Museu International de Relojoaria com 4300 peças, 2700 relógios e 700 relógios murais. É a cidade natal do arquiteto Le Corbusier, do escritor Blaise Cendrars e do construtor de automóveis Chevrolet. O clima da região é bastante frio no inverno. Praticar esquí  aqui é comum. No verão, trilhas pedestres e bicicleta são as melhores opções de lazer. Um pequeno zoo no meio da cidade com entrada franca – o zoo ‘Bois du petit chateau’, também é bastante frequentado.

Já a cidade Le Locle é o berço da industria relojoeira suiça. Foi no início do século XVIII que o desenvolvimento nesta área começou. Segundo a lenda, Daniel Jeanrichard conseguiu consertar un rélogio vindo da Inglaterra e decidiu fabricar ele mesmo um outro relógio de bolso. Em 1705 ele abriu sua própria oficina de relojoaria dando início a industria relojoeira da região. A cidade conta com várias industrias neste ramo e quase toda a concentração econômica provém deste setor. Le Locle encontra-se perto da aldeia La Brévine – onde as temperaturas podem cair até – 41.8°C e fica na fronteira com a França.

Hoje, a aglomeração de La Chaux-de-Fonds/Le Locle constitue um polo de excelência e um centro econômico de grande importância regional. O território das duas cidades somam 78km2 e é pouco ocupado com apenas 50.000 habitantes. A imigração, que seja suíça ou estrangeira, tornou estas cidades lugares cosmopolitas onde vários grupos culturais vivem lado-a-lado. A arquitetura da região, que valeu o reconhecimento da UNESCO como patrimônio mundial, é particularmente diferente. Tudo foi feito em torno da industria relojoeira e das famílias que habitavam a região no século XIX. As ruas são paralelas, lembrando as grandes cidades americanas e os jardins na parte sul das habitações, fazem parte integrante das características arquitetônicas. Quando Karl Marx analisou a divisão do travail no livro O Capital, ele citou La Chaux-de-Fonds como exemplo de cidade-oficina pois organizada em torno de uma mono-industria.

O reconhecimento da UNESCO como patrimônio mundial, teve duas grandes vantagens para a região : a notoriedade das cidades cresceu e a população compreendeu que a relojoaria fazia parte da ADN deles. A auto-estima dos habitantes aumentou e eles estão mais confiantes no futuro. Eles sabem que nenhuma outra cidade da Europa parece com La Chaux-de-Fonds e Le Locle. Através de uma visita com um guia, você pode descobrir a história destas cidades relojoeiras ligadas ao desenvolvimento do urbanismo e descobrir a época em que os relojoeiros, atrás das janelas no sul dos imóveis, captavam a luz e trabalhavam sem cessar para fabricar mais da metade da produção de relógios do planeta.

Por Jenna Colledan

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