O Governo de Barcelona pediu à população que ficasse em casa, mas muitos decidiram sair para tentar ajudar os feridos ou doar sangue. Os hospitais tiveram de informar que já dispunham de plasma suficiente para atender os feridos. À noite, o conselheiro de Interior, Joaquim Forn, não descartou a possibilidade de que a cifra de feridos possa aumentar nem tampouco a de mortos, pois muitos deles estavam hospitalizados em estado grave.

A incerteza e o pânico se apoderaram do centro da cidade. Centenas de pessoas ficaram confinadas até o começo da noite em estabelecimentos de La Rambla. O cordão de isolamento, para facilitar o atendimento às vítimas e o rastreamento dos autores do atentado, foi sendo ampliado.

Duas horas depois do atropelamento, os Mossos d’Esquadra confirmaram que se tratara de um atentado e ativaram o dispositivo antiterrorista. A polícia ativou dois dispositivos especiais – Gàbia, ou seja Jaula, e Cronos – para localizar o autor do atentado, embora sem êxito até a noite.

A polícia deteve duas pessoas. A primeira delas foi presa na localidade de Ripoli (Girona). Uma patrulha de segurança da comunidade identificou e deteve o marroquino Driss Oukabir, explicou o chefe dos Mossos.

Oukabir, acrescentam fontes policiais, chegou a Barcelona procedente do Marrocos no domingo, 13 de agosto. Foi a pessoa que alugou, em Santa Perpètua de Mogoda – um município próximo a Barcelona –, a van que investiu contra dezenas de pessoas. As mesmas fontes acrescentam que, no interior da van Fiat, se achava um passaporte espanhol.

O segundo detido por seu vínculo com os atentados foi capturado em Alcanar (Tarragona). Trata-se de um homem nascido em Melilla e cuja identidade não foi confirmada na quinta-feira. Está vinculado, supostamente, com uma explosão ocorrida na noite de quarta-feira em uma casa dessa localidade. Uma pessoa morreu e outras sete ficaram feridas por um acúmulo de gás. A edificação acabou desmoronando por completo. Trapero revelou nesta quinta-feira que os Mossos “conectam claramente” o ataque de Barcelona com o incidente de Alcanar. A polícia catalã, de fato, trabalha com a hipótese de que os terroristas poderiam estar preparando ali um artefato explosivo.

Os Mossos não acharam inicialmente nenhum vínculo do ocorrido em Alcanar com o terrorismo, e o relacionaram ao tráfico de drogas, esclareceu Trapero. No interior da casa, que estava ocupada fazia alguns meses, foram encontrados vinte botijões de gás butano e propano.

Trapero afastou a ideia de que esteja vinculado ao ataque um estranho incidente ocorrido também na quinta-feira em Barcelona. Um condutor não parou num controle dos Mossos na avenida Diagonal e atropelou uma sargento, que sofreu uma ruptura do fêmur. Seu colega “repeliu a agressão” e disparou contra o motorista, de nacionalidade espanhola, que faleceu. Os Mossos enviaram os Tedax (técnicos em desativar artefatos explosivos) para inspecionar o veículo.

A confusão na área provocou durante horas o rumor de que um terrorista se havia entrincheirado em um bar próximo ao lugar do incidente. A informação foi desmentida de modo oficial pelos Mossos. Com o objetivo de se resguardarem, alguns estabelecimentos em La Rambla e em suas proximidades baixaram as portas com gente no interior.

O presidente do Governo (primeiro-ministro), Mariano Rajoy, falou por telefone com o presidente da Generalitat da Catalunha, Carles Puigdemont, e com os líderes dos partidos da oposição depois do atropelamento. Um gabinete de crise, composto pelas autoridades autonômicas, a delegação do Governo, os Mossos d’Esquadra, a Guarda Civil e o Corpo Nacional de Polícia, se reúne em Barcelona para estudar a situação. O Departamento de Estado dos EUA enviou um alerta aos cidadãos estadunidenses instando-os a evitar a área. Rajoy e a vice-presidenta, Soraya Sáenz de Santamaría, viajaram à noite para Barcelona. No final da noite, o presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, emitiu uma mensagem de unidade contra o terrorismo. Acompanhado por seu vice-presidente, Oriol Junqueras, e pela prefeita de Barcelona, Ada Colau, Puigdemont condenou os fatos e agradeceu a colaboração das forças de segurança. “Aqui não há divisão que valha a pena”, disse.

E hoje mesmo após todo o terror e toda dor ,agora a população faz um Minuto de silencio aqui na praça Catalunya. Milhares de pessoas foram até là

Por Patricia Cassemiro

 

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