Esses dias eu estava dirigindo e um carro, à minha frente, se deslocava bem devagar. Percebi que estava procurando um lugar para estacionar no acostamento da rua. Eu estava ligeiramente apressado, pois tinha que comprar um remédio para a minha filha em uma farmácia mais distante de casa porque só tinha lá o bendito medicamento. Enfim, eu me enervei e, ao finalmente conseguir ultrapassá-lo, eu gritei, e não foi desejando boa tarde!!!

Acontece que eu fui tomado por um sentimento de arrependimento muito grande após esse ato. Como eu queria voltar segundos no tempo e segurar aquele grito impublicável! Fiquei triste e decepcionado comigo mesmo. Tanto que eu tento me controlar. Mesmo que eu me achasse com a razão, é necessário analisar os fatos friamente. Primeiro, o outro motorista estava dirigindo cautelosamente para estacionar o seu veículo, o que é positivo, pois não iria colidir com nenhum outro carro estacionado ao longo do meio fio da rua. Lembre-se que poderia ser o seu carro estacionado ali próximo!!!

Em segundo lugar, ele não tinha como saber que eu estava com aquela pressa. A outra pessoa não é adivinho, vidente, oráculo ou algo parecido. Mesmo que fosse, acredito que não estava no momento ideal de fazer previsões, afinal ele só queria estacionar o carro.

Por fim, o problema era meu de não conseguir me controlar. O problema estava comigo. Além da paciência, me faltou empatia. Empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, olhando os fatos pelo ponto de vista da outra pessoa. Acredito que esse seja um grande mal de nossa sociedade. Nós nos colocamos sempre no centro do mundo. As nossas vontades devem ser sempre satisfeitas, e isso não está correto. Eu não fui empático no trânsito. Arrependo-me de não ter sido empático. Assim, antes de gritar, imagine-se no lugar da outra pessoa recebendo o seu grito. Tenho certeza de que não gostaria de ouvi-lo. Portanto, não grite!!!

Por Emerson Lima

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