A luz trouxe um pouco de calma aos moradores, mas também deixou ver com maior clareza a magnitude dos danos do Harvey, um “dos piores desastres na história do Texas”, nas palavras da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA).

As cifras são ainda bem provisórias, quando nem sequer o nível da água começou a baixar significativamente. Nesta quarta-feira 30.000 pessoas continuavam fora de suas casas em 320 abrigos dentro e fora da cidade. As autoridades haviam confirmado até esta quarta 31 mortes relacionadas com a tempestade.
Durante a noite, Houston se converteu em uma cidade fantasma. O prefeito decretou toque de recolher entre a meia-noite e as 5 da manhã diante das informações de que estavam ocorrendo saques nas casas abandonadas às pressas. Houve casos, informaram, de pessoas que se fizeram passar por agentes da polícia exigindo que os moradores saíssem para depois roubarem as casas. “Não vamos tolerar que pessoas explorem outras no ponto mais baixos de suas vidas”, disse o chefe de polícia da cidade, Art Acevedo. Pelo menos 14 pessoas foram presas por saques.

Cerca de 30% do condado de Harris, onde residem 4,5 milhões de pessoas, está debaixo d’água. As casas afetadas pela tempestade continuam inundadas, enquanto as barragens de Barker e Addicks, que na terça-feira transbordaram pela primeira vez em sua história, continuam liberando água de modo controlado.

Na terça, a área de Houston bateu o recorde de chuvas nos Estados Unidos por duas vezes. Cedar Bayou, nos arredores, acumulou 1.317 milímetros de chuva. É mais do que o que cai na cidade de Nova York em um ano inteiro.

Por Patrícia Cassemiro

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