Lucas Nelson, escritor da Coluna, depois de uma pausa, retoma suas atividades nos levado a uma reflexão política. O ato de jogar o eleitor contra a parede, ao dizer que o mesmo “não sabe de nada” , é uma assertiva que com certeza, provocará indagações. Exatamente o que o Nelson quer.

O Brasil viverá, neste ano de 2018, grandes acontecimentos que merecem uma profunda observação. Invoco esta observação mediante as palavras do escritor jesuíta espanhol, Baltasar Gracián, quando salienta: “O princípio de corrigir-se é o conhecer-se”. Pois muito bem, a participação do Brasil em uma copa do mundo, chance de adoçar o que já se encontra amargo desde o inacreditável 7 x 1 contra a Alemanha, e os preparativos para as eleições que prometem eufóricos debates. No mais, o que está acontecendo com um Brasil que vive de bola numa época como esta ( e mesmo não sabendo o que seria a política pensada por Platão, Aristóteles, discutida por Voegelin e tantos outros) adota políticos como animais de estimação e, agora, encontra-se na sua maior porcentagem populacional quieta?

Não me cabe aqui discutir previsíveis placares numa partida de futebol. Meu debate vai além de políticos, quero discutir a política e, por isso, destaco como foco de minha coluna o motivo do brasileiro silenciar-se para tudo o que vê, tudo o que deveria escolher. Mesmo com protestos e gritos de guerra, com pouca gente ou não numa avenida como a Paulista, é intrigante que o barulho provoca silêncio, um vácuo, um nada.

Não me adianta escrever o que todos escrevem sobre o poder do voto, de uma voz ativa. Ouso colocar em voga o poder do silêncio, da observação que o brasileiro faz em relação aos políticos candidatos para um regime presidencialista que se encontra defasado. O Brasil, hoje, está dividido em pequenos grupos com preferências políticas diversificadas. Uns pedem a volta da Monarquia, uma monarquia parlamentarista. Outros, mesmo envergonhados, preferem o defasado presidencialismo e uma solução para esta falta de moralidade. Um terceiro grupo é despreocupado de tudo, os neutros sobre qualquer coisa que lhe cerca, “irei votar nulo, nenhum me representa”, dizem. Entretanto, todos estes grupos podem, mediante o ato de conhecer-se, estabelecerem a fidelidade das palavras do filósofo Maquiavel quando fala, “A política deve se mostrar como ela realmente é, e não como deveria ser”. A política destituída de corrupção, de desigualdades, mostra-se um mero sonho maravilhoso num território que prevalece a salada de desejos políticos. A ágora, local público para as discussões sobre a pólis da Grécia antiga, renova-se, na contemporaneidade, nos bares e rodas de conversa entre amigos que não sabem muito bem o que seria uma réplica e tréplica no debate, mas necessitam outorgar seu tempo para falar da política com referências a perfis públicos nesta área. “Voto em Bolsonaro”, dirá um grupo que estará em grande ira ao se deparar com eleitores do Lula, ou Ciro. Atualmente, no Brasil, a principal problemática não está em votar no menos pior, mas qual mais preparado eleitor, estará pronto para estabelecer um diálogo político saudável com o adversário.

Corrigir-se é reconhecer-se. Mas reconhecer o que exatamente? As péssimas escolhas que fez durante eleições passadas? O ato de reconhecer que não se deve defender político corrupto? Não, o questionamento é mais profundo e, faz-se necessário até uma dialética socrática para isso. Reconhecer-se, seria, exatamente, deixar a ficha cair sobre simplesmente você não saber de nada, nunca ousar ser nada. O silêncio de não mais querer votar, ou ainda que vote, mas de não cobrar direitos e cumprir deveres consiste no que Edmund Burke proclamou: “Para o triunfo do mal, basta apenas que os bons não façam nada”. O mal está no nosso silêncio que, ao mesmo tempo, seria um triunfo que usa-se com sobriedade ou revolta.

Não basta somente analisar candidatos de um regime de governo que tenha preferência ou não, mas conduzir-se para um estudo aprofundado sobre você mesmo no pleno gozo da imparcialidade. Ou como posso nomear, um silêncio cavalheiro, que é capaz de ofertar a cadeira para uma dama, mas deixando claro que a propriedade do território é dele. Corrigir-se como fala Baltasar, é reconhecer sua falta de imparcialidade, no mesmo período que luta para manter uma neutralidade em sair do lugar quanto ao fato de experimentar da observação do lado estranho, do grupo adversário.

Educai os que ainda não nasceram, pois os que aqui já estão vivem sob a mira do desnorteio. Alguém ganhará a copa do mundo, e provavelmente não será o Brasil. Assim como alguém será o novo presidente do Brasil. Todavia, o ideal de democracia sempre será um ideal, nunca uma realidade. Erguerá novos protestos com o mesmo grito no vácuo. Por fim, a imoralidade do Brasileiro, no aspecto político, é sua superficialidade contagiosa.

por Lucas Nélson

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