Depois de longos períodos de hibernação, locados em suas tocas frias de gabinetes, eles finalmente apareceram, ou melhor, reapareceram. E muitos surgem com a melhor de suas “intenções” camufladas de promessas, carregadas de apelos e emoções em busca do eleitor e muitos conseguem o seu intento.

Tudo acontece de quatro em quatro anos, são os meses de fevereiro que ganha um dia a mais de 28 para 29 dias, de quatro em quatro anos; São também as eleições de quatro em quatro anos e, de carona os políticos bissextos. Eles aparecem em nossas ruas, bairros, na televisão, no rádio, no seu celular, na zona rural e até nas igrejas em busca de votos. Não se envergonham de peregrinar pelas ruas sujas e sem calçamento de quatro em quatro anos. Surpreendentemente até nas feiras livres das cidades, sob o sol causticante… Nos bairros andam de casa em casa, apertam a mão do cidadão de quatro em quatro anos, segura crianças nos braços para agradar seus pais de quatro em quatro anos, passam por cima da água corrente dos esgotos a céu aberto e lixo acumulado, disfarçando o incômodo, e sempre, de quatro em quatro anos… Depois desse período desaparecem por completo. Ninguém viu ninguém vê! Quem são eles? São os omissos da sociedade, só querem seu voto, essa é a verdade. Não posso dizer que todos façam isso, mas uma boa maioria sim.

A julgar por essas palavras, o leitor se sentirá admirado com a minha revolta. Mas não é nada disso, não é revolta. É indignação!

Todos sabem o resultado… Vemos e ouvimos na mídia as notícias vergonhosas de nossos políticos enraizados até o pescoço na corrupção, na indecência, nos assaltos ao patrimônio público.

Jogaram o país com fraturas expostas numa crise sem precedentes, onde treze milhões de desempregados (eu disse 13 Milhões) sobrevivem ao deus dará. Não é brincadeira! Nas promessas do último pleito, àqueles que diziam tirar do poder as sanguessugas, se transformaram nos piores corruptos da história do Mundo. Os últimos acontecimentos mostram isso. São notícias de políticos denunciados aqui, outros pegos com milhões em malas e em caixas de papelão, outros com dólares na cueca, cinturões de dólares na cintura e bancos estrangeiros recheados de dólares…

O povo está cansado de “palavras ao vento”. É preciso soluções. O Brasil precisa de candidatos comprometidos com o Brasil, comprometidos com a família brasileira.

Mas pergunto: E como descobrir o político honesto e verdadeiro; Como descobrir se esse ou aquele candidato é ou não corrupto? Infelizmente não dá pra saber, pois quem vê cara não vê tripas, ou melhor, coração. A não ser conhecendo a fundo o passado daquele determinado político, o histórico da sua vida, sua conduta, seus exemplos…

Mas continua sendo pela via eleitoral a melhor saída para os problemas do país. No entanto, é preciso um pouco mais de amadurecimento do eleitor. Primeiramente que tenha consciência de que o escolhido seja ficha limpa, seja idôneo e honrado, tenha ética, seja transparente, trabalhador e honesto e que inspire confiança.

A eleição ou reeleição freqüente de políticos comprovadamente corruptos evidencia o quanto o eleitor é responsável pela situação atual. O eleitor tem que buscar isso, ler, conhecer, analisar e se firmar no propósito de jamais dar seu voto a quem lhe ofereça vantagens.

Verificar depois se o candidato eleito está prestando contas do seu mandato e respeitando a opinião pública.

Temos outra opção a de não comparecer e registrar o voto. Mas é aí que mora o perigo. Ajudaremos a eleger um ficha suja. A nossa situação tende a piorar.

Aos que dizem: “Roubou, mas fez” é dar o título e “licença para roubar” e assim as bandas pobres continuarão a passar a mão no dinheiro público, pois receberam “o direito adquirido” através do voto.

A descrença no político cresceu tanto nos últimos anos que se o voto não fosse obrigatório, poucos eleitores se apresentariam para votar. Em muitos países o voto é facultativo. Significa que o direito ao voto é exercido de acordo com a vontade do eleitor. Se não quiser votar e participar das eleições o eleitor não será penalizado por isso. Já no Brasil, a força da justiça o obriga a sair de sua casa para justificar o voto. Isso não é ser livre, não é ter liberdade.

Outra prova de que vivemos num país nada liberal é a que chamamos de “foro privilegiado” Ora, só essa palavra: “privilégio” já estimula a corrupção, por se sentem superiores onde a Lei e a Justiça não os alcança, estão com a faca e o queijo na mão. Sinônimos de “privilegiado”: Aforado, Apadrinhado, Beneficiado, Favorecido, Protegido, Preferido…

Se um simples e humilde brasileiro sem curso superior rouba um frango ou um queijo é logo preso e condenado. Já um político (qualquer que seja, privilegiado) rouba milhões de reais e se tiver curso superior, então, a Justiça pensará duas vezes antes de ajuizá-lo e prender. E se o prender, a cela será individual, com tv, frigobar, queijo suíço, cama de colchão, visitas e por aí…

Esse texto não é nada poético, mas acrescento aqui a molde de exemplos, o soneto “O Pobre” inspiração do poeta Alberto de Deus Nunes nos anos sessenta do século passado:

Ser pobre no Brasil é ser ninguém;

É ser trambolho que se evita e se afasta;

Lei que o protege logo se desgasta,

Na má vontade dos que tudo tem.

Até lhe dão a pecha duma casta

Humana inferior e vil, a quem

Falta a cultura, falta todo o bem

Por força de uma sina assaz madrasta.

Por qualquer erro o pobre é logo preso,

Cumpre sentenças longas, sofre o peso

De uma justiça oriental de xátria.

Porém, o pobre é povo, é maioria e,

Se algum dia houver democracia,

Teremos nela a salvação da Pátria!

Dissimulado é o ladrão, aquele chamado do Colarinho Branco de alta posição e status, que se comporta como cidadão respeitável, mas no íntimo, se revela e mostra suas garras de lobo vestido de ovelha, é o mesmo encoberto pela batina e dá um “ar” de respeitabilidade.

São lobos em pele humana e a batina, como uma auréola da salvação. Adoram serem chamados de Homem de Deus, mas que na verdade, são lobos vorazes e assim consegue enganar a muitos.

Iguais aos fariseus da antiguidade, sob a alusão de ajudar a comunidade abandonavam as promessas feitas ao Pai Celestial e se entregam ao seu Juízo Final.

Nicodemos quando procurou Jesus, foi dissimulado, tanto que foi à noite para não ser visto, mas era de seu desejo aprender algo, pois sabia-o Mestre. Ele pelo menos sentiu vergonha de procurar Jesus, por isso foi na calada da noite. Jesus, porém, na sua infinita bondade, deu-lhe os ensinamentos de uma nova vida e a necessidade da Retidão.

“Guardai-vos dos escribas que gostam de circular de toga, de ser saudados nas praças, e de ocupar os primeiros lugares nos banquetes, mas devoram as casas das viúvas e simulam fazer longas preces. Esses receberão condenação mais severa”. – Disse o Mestre.

As palavras de Jesus não ficaram naquele século. Ainda hoje persistem os fariseus modernos que fazem política disfarçada com suas togas que impressionam. Por isso, olho vivo, não vote em político bissexto e ficha suja.

Por Douglas Nunes

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