A reforma econômica de Francisco ressuscita velhas lutas de poder e alguns receios de uma investigação.Depois de anos de administração obscura, banqueiros mortos, lavagem de dinheiro e corvos sobrevoando o Vaticano, Bento XVI se propôs a tarefa de organizar o labirinto que compõe as contas das mais de 100 entidades independentes. A derrota desta e de outras iniciativas ficou resumida no diário oficial do Vaticano quando Joseph Ratzinger, com 86 anos de idade e um estado razoável de saúde, renunciou inesperadamente, sem motivo aparente: “Um pastor rodeado por lobos”, disse o L’Osservatore Romano. Cinco anos se passaram e Francisco tem dedicado um grande esforço para completar o trabalho de seu antecessor. Há boas notícias: a redução do déficit, novos órgãos de controle, fechamento de contas suspeitas e maior transparência. Porém dois dos três vértices mais importantes da reforma perderam seus líderes e isso desencadeou novas guerras. A cada tanto volta-se a ouvir os mesmos uivos.
As versões coincidiam em uma coisa: ou renunciava naquele dia ou seria processado. Tendo em conta os precedentes, o auditor escolheu o primeiro, ficou em silêncio por mais de três meses até que, no final do verão, o vulcão entrou em erupção com as já conhecidas acusações. Além disso, insinuou que a investigação da qual tinha sido vítima coincidia com o ressurgimento das acusações de abuso de menores feitas contra o Prefeito da Secretaria de Economia, o cardeal George Pell – atualmente em licença para ser processado na Austrália – e com a reforma do sistema de concessão de contratos que os dois planejavam. Uma operação, denunciou, para dificultar as reformas do Papa. A mesma velha canção. Mas por que um homem de 69 anos com um salário de 240.000 euros iria inventar tudo isso?

Por Patrícia Cassemiro

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