O mundo atualmente é composto, de forma geral, por pessoas individualistas, consumistas e sexistas. Ou seja, não que todo mundo seja assim, mas temos essas características muito fortes em nós. Vou explicar cada uma e, assim, veremos com qual nós mais nos enquadramos.

As pessoas individualistas são aquelas que se colocam como prioridade em tudo, passando por cima de todos para terem satisfeitas as suas próprias necessidades. Vemos isso no trânsito, nas filas de banco, no dinheirinho para o guarda para não receber multa, nas fofocas para derrubar um colega de trabalho na disputa por um cargo melhor, na intolerância quanto ao pensamento diferente do outro, na não aceitação da cor ou da preferência sexual do outro, etc.

As pessoas consumistas são aquelas que depositam toda a felicidade no consumo, comprando e mostrando as últimas aquisições, falando da bolsa nova que comprou, ou do carrão ou da lancha novos, das tendências da moda, do cabelereiro, da última viagem para a Disney, para a Europa, etc.

Por fim, as pessoas sexistas são aquelas que se comportam unindo o individualismo com o consumismo, mas em relação aos relacionamentos. É o que chamo de relacionamentos de prateleira. Como funciona? Bom, um indivíduo (a) deseja uma pessoa com certas características, a conquista, a usa e a descarta. E fica tudo bem. Não cria vínculos. É como no supermercado. Eu quero comprar uma bebida. O que tem na prateleira que irá satisfazer a minha vontade hoje? Após escolher, eu adquiro a bebida, eu a consumo, eu a descarto. É a mesma coisa no sexismo, consumismo de sexo para satisfação pessoal rápida e imediata, sem maiores consequências.

Nem as amizades escapam. Conseguimos ver claramente pessoas que usam a outra para uma serventia, se dizem amigos, mas depois de satisfeitas as necessidades, ou seja, após a ajuda daquele amigo, o despreza. Esse é o amigo de prateleira. Um parêntese para reflexão: dos amigos adicionados ao Facebook, quantos deles realmente fariam sacrifícios por nós?

Infelizmente, o comércio de amores e amigos enfraquece a nossa capacidade de lidar com os sentimentos, nossos e dos outros. Daí surgem mágoas e ressentimentos. Daí surge o vazio, pois, no final, não teremos ninguém com quem contar. Então a solução mais fácil estará nas drogas, no álcool e, na pior das hipóteses, no suicídio.

Ah, como é bom ter amigos verdadeiros! Eles são amigos porque são, e não porque se pode ter algum benefício dessa amizade! Eles falam o que queremos e, principalmente, o que não queremos ouvir! Não importa! Eles sempre estarão ao nosso lado, quando mais precisarmos. Não preciso de amigos de prateleira, preciso de amigos de verdade!! Experimente você também!

Por Emerson Lima

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