Servidor diz à PF que repassava parte do salário a Iracema Portella

Servidor diz à PF que repassava parte do salário a Iracema Portella

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O servidor comissionado da Câmara dos Deputados, Rogério Oldacir Rodrigues Cavalheiro, declarou para a Polícia Federal que repassava parte do seu salário, mensalmente, para a deputada federal Iracema Portella (PP), no ano de 2017. O vencimento liquido dele era no valor de cerca de R$ 11.700. Ele ficava apenas com 4 mil reais. O restante era entregue no gabinete da deputada federal piauiense.

Rogério Oldacir, em seu depoimento aos agentes federais, informou que fazia as entregas de parte do salário para um assessor da gabinete da deputada Iracema Portella de nome Afonso.

Parte da declaração feita pelo servidor do gabinete da deputada federal Iracema Portella revelando o repasse de parte do salário

A Polícia Federal conseguiu essas informações durante a busca e apreensão na residência do senador e esposo da deputada Iracema Portella, Ciro Nogueira, durante a operação Metanoia, um desdobramento da Lava Jato, em abril passado.

O caso foi divulgado, nesta terça-feira (26), pelo site G1.

Acompanhe a reportagem do G1 abaixo:

Servidor da Câmara do DF diz à Polícia Federal que repassava parte do salário a deputada do Piauí

Acordo teria sido feito com deputada Iracema Portella, em 2017; G1 tenta contato com a parlamentar. Comissionado atua no gabinete de Cristiano Araújo, que diz desconhecer repasses.

Um servidor comissionado do gabinete do deputado distrital Cristiano Araújo (PSD) afirmou à Polícia Federal, em depoimento, que repassava parte do salário recebido na Câmara Legislativa à deputada federal Iracema Portella (PP-PI).

Segundo o homem, o repasse tinha sido acertado “desde a oferta do cargo pela deputada Iracema”. Pelo combinado, Rogério Oldacir Rodrigues Cavalheiro ficava com R$ 4 mil mensais e entregava todo o restante à parlamentar.

Ainda na entrevista à PF, o servidor afirmou que “desconhecia qualquer ilegalidade nesta prática” e que aceitou a oferta porque precisava de um plano de saúde para o tratamento da mãe, que tem câncer.

O G1 e a TV Globo tentam contato com Iracema Portella e com o servidor Rogério Oldacir Rodrigues Cavalheiro.

À TV Globo, a assessoria de Cristiano Araújo confirmou que o funcionário está lotado no gabinete, mas negou que o deputado tenha conhecimento dos repasses salariais. A equipe disse, ainda, que Cristiano Araújo “sequer tem relações políticas” com Iracema.

Envelope apreendido
O suposto repasse veio à tona durante busca e apreensão na casa do senador e presidente do Progressistas, Ciro Nogueira (PP-PI) – marido de Iracema Portella. O mandado foi cumprido em abril no âmbito da operação Metanoia, um desdobramento da Lava Jato.

No local, policiais federais encontraram um envelope com R$ 8,2 mil em dinheiro, envoltos em dois contracheques de Rogério Oldacir. O embrulho trazia ainda a inscrição: “entregar nas mãos Dep.”.

A equipe da PF foi, então, à casa do servidor comissionado. Em conversa no local, Rogério Oldacir afirmou que conheceu Iracema Portella e o marido, Ciro Nogueira (PP-PI) – senador e presidente do partido Progressistas – “há cerca de 10 anos, através de seu companheiro”.

O repasse da parcela salarial, segundo ele, foi combinado antes mesmo da posse no cargo. As transferências eram feitas “em espécie ao assessor ‘Afonso’, entregando-lhe pessoalmente”. O documento obtido pela TV Globo não detalha quem seria o assessor citado.

Salário alto
Ainda de acordo com a PF, os contracheques que estavam no envelope apreendido mostravam valores líquidos de R$ 11.827,96 e R$ 3.804,15 – “como se boa parte do salário de servidor tivesse sido devolvida a terceiros, no caso, à deputada Iracema Portella”, diz a corporação.

Na entrevista à Polícia Federal, o servidor disse que recebia, por mês, salário líquido de cerca de R$ 11,7 mil. Em junho de 2017, por exemplo, o vencimento líquido com benefícios atingiu a cifra de R$ 17.070,64.

O nome de Rogério Oldacir aparece em duas edições do Diário da Câmara Legislativa do DF. No primeiro, de 8 de março de 2017, o servidor é nomeado para o “Cargo Especial de Gabinete, CL-15, no bloco União por Brasília”.

Na época, o bloco era formado por 14 distritais de 10 partidos diferentes – incluindo Cristiano Araújo. O PP não tem representante na Câmara Legislativa.

Em 14 de maio deste ano, Rogério foi exonerado do cargo e, no mesmo ato, nomeado para uma função equivalente no gabinete de Cristiano Araújo. Essa mudança ocorreu quando a PF já tinha apreendido o envelope na casa de Iracema Portella.

 

 

 

 

 

Fonte: G1

 

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