Certa vez escrevi numa rede social meu seguinte pensamento: “Um filósofo é movido pelas idéias. O escritor pelas palavras. Contudo, o que realmente eu sou? Filósofo seria, ousado dizer, pouca ambição. Escritor, perigoso afirmar, superficial poder. Eu sou a complexidade que agarra um cigarro e apenas escreve ideia sem contexto, e palavra sem entendimento. Nunca jogo ao chão uma sequer palavra. Não é meu papel compreender o que minha complexidade grita. Caso a linha de um papel amassado entenda minha palavra, lhe esquartejarei”. Eis que então recebo como comentário, aqui colocarei resumidamente, a seguinte opinião: “O filósofo, os mais iluminados, sabem que não sabem”. Será mesmo que não sabem? Seriam realmente iluminados? Seriam os deuses da razão?

O filósofo, muito provavelmente o mais conhecido de toda a história da filosofia, Sócrates, proclamou a seguinte máxima: “Só sei que nada sei”. Desde esse pensamento até os dias de hoje, muitos foram os filósofos que pela terra passaram. Cidadãos comuns que não queriam somente reproduzir o que sabiam, mas produzir o que almejavam. Como apaixonado que sou pela filosofia, é de notório entendimento o quão esta família do saber está cheia de intrigas entre seus membros. Desde Schopenhauer que, procurando competir com Hegel quantidades de alunos, colocara suas aulas no mesmo horário de seu adversário, passando por outro filósofo alemão, Nietzsche, que além de muito misógino antes de falecer como um psicótico, berrava em suas obras “Deus está morto”. Cito também o filósofo e dramaturgo Jean- Paul Sartre que orgulhava-se em dizer “Sou mil Sócrates”. Não posso, ainda mais, esquecer de nos meus exemplos colocar o filósofo Michel Foucault que tentara suicídio várias vezes, teve uma vida conturbada por ser homossexual e adepto de práticas sadomasoquistas. Assim, indago ao caro leitor que, com olhos atentos, lê esta humilde coluna, o que realmente quer o filósofo? Melhor, o que realmente é o filósofo? Seres iluminados? Bom, pouco provável.

Assim como é um erro fatal ousar casar a filosofia com a autoajuda, parece-me que o comentário de quem me respondeu é um tanto influenciador de refutações. Na verdade, pelo claro que escrevo, filósofos não são seres iluminados, mas seres que vivem numa constante ambição de trazer para sua breve vida um significado em que possam se orgulhar. Não preferem soluções ou resultados positivos, optam pela complexidade. O verdadeiro filósofo preferirá desenterrar novas perguntas à querer chegar num resultado final de antigas questões. Sócrates com certeza falou por si “Só sei que nada sei”, aos admiradores da filosofia, tomou infelizmente esta frase e colocou como taxação para todos os filósofos. Para minha alegria, ainda que insana, filósofos que vieram depois despertaram um outro sentido para taxações que poderiam ser impostas. O filósofo é, antes de tudo, alguém que por curiosidade e ambição sabe mais do que deveria, e frequenta maneiras de saber o que era considerado impossível ao seu intelecto. Filósofos não são deuses perfeitos com suas vidas monótonas, são mortais de, muitas vezes, vidas “estranhas” que afloram seus sentidos para questões mais relevantes que o atual momento que vivem. Como falara Arthur Schopenhauer, “a posteridade me encontrará”.

Não digo que certo será quando os filósofos negarem a humildade, afinal, quem pode ser considerado, hoje, um filósofo? Afirmo que em toda sua história, nunca um concordou assiduamente com outro. Colocam como objetivo o descobrimento de novas questões, mesmo com suas vidas barulhentas pelos ruídos de sua complexidade que poucos entendem. Para alguém que deseja ser filósofo, passará por grandes caminhos, incógnitos até, menos caminhos iluminados.

Até mais!

Por Lucas Nelson

 

 

 

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