O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convocou nesta terça-feira (18) o principal conselho de autoridades do país para avaliar a retaliação contra os Estados Unidos e a União Europeia.

Ambos ameaçaram o chavista com sanções econômicas se for mantida a eleição para a Assembleia Constituinte, marcada para o dia 30.

Em rede social, ele disse ter chamado o Conselho de Defesa da Nação para responder “à ameaça imperial”. “A resposta será muito firme, em defesa ao patrimônio histórico anticolonial e anti-imperialista de nossa pátria. Unidos somos invencíveis.”

A reunião das autoridades começou às 18h30 (19h30 em Brasília), com abertura em cadeia nacional, e na sequência reunião fechada. Nenhuma medida foi anunciada até o momento.

Porém, Maduro chamou de “vulgaridade” os comunicados do governo Donald Trump contra Caracas e de “asqueroso” o elogio à consulta popular simbólica promovida pela oposição contra a Constituinte.

“Se são capazes desta vulgaridade contra um país reconhecidamente rebelde e revolucionário, imagina como tratarão seus vassalos.”

Na segunda (17), autoridades americanas disseram que tomariam “medidas econômicas fortes e rápidas” se a votação for mantida. “Os EUA não ficarão parados enquanto a Venezuela desmorona.”

Maduro citou presidentes latinos, como Michel Temer e o colombiano Juan Manuel Santos, chamados de “escravos do império”. Ele acusou o brasileiro de “dar ordens à direita apátrida”. “Podemos permitir que este sujeito dê opiniões sobre a vida constitucional da Venezuela?”

O Conselho de Defesa da Nação é formado pelo presidente, seu vice, cinco ministros, um representante cada da Assembleia Nacional, do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) e do Conselho Moral Republicano.

A instância foi convocada pela última vez em 31 de março, após as decisões do Judiciário que tiraram poderes do Legislativo, dominado pela oposição. As sentenças levaram à onda de protestos que deixaram 96 mortos desde então.

Assim como naquela ocasião, os parlamentares não mandaram representantes. Em carta a Maduro, o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, disse que não há intervenção internacional, como diz o governo, mas “preocupação pela crise que está expulsando os cidadãos da Venezuela”.

Por Patrícia Cassemiro 

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